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EUA: Pesquisa do Nielsen mostra fatores que influenciam nas compras de carne

Os fatores que influenciam as compras varejistas no departamento de carnes foi o foco de um webinário realizado em 26 de janeiro organizado pelo Nielsen. De acordo com Meagan Nelson, diretor associado de crescimento e estratégia do Nielsen, a demografia dos consumidores desempenha um papel significativo nas decisões de compra no departamento de carne, bem como as opções e percepções de proteína, à medida que os alimentos se tornam mais diversificados e os compradores exigem mais informações sobre os produtos.

O webinário, “Decisões, decisões: como os consumidores compram carne”, abordou muitas das tendências que influenciam as compras de carne no varejo, incluindo pesquisas que indicam um declínio nas viagens de compras e diminuições de dinheiro gasto nessas viagens e, especificamente, nos produtos de carne vermelha e de aves. O que, onde e como as pessoas estão comprando está mudando e os varejistas são desafiados a atender às suas necessidades e desenvolver programas para competir com as alternativas às compras tradicionais de supermercado.

O fluxo e refluxo de preços entre os itens no departamento de carne não estão necessariamente resultando em padrões correspondentes de compra no mercado atual, de acordo com Nelson. A recente diminuição em muitos itens de varejo não está causando uma queda extraordinária.

“Os preços estão em declínio, mas não estamos vendo os volumes aumentarem na mesma taxa. E a montanha-russa ainda não acabou”, acrescentou ela, já que os hábitos de compra dos consumidores estão em fluxo durante um período em que o clima político e o futuro das políticas de comércio e imigração ainda estão sendo debatidos.

Prevendo as tendências em termos de canais de varejo, a pesquisa do Nielsen indica que a taxa de crescimento anual composta entre 2015 e 2020 de onde os consumidores estão comprando alimentos, estão se afastando dos supermercados tradicionais (crescimento de 1,9 por cento) em favor das lojas de conveniência (3,8 por cento) e e-commerce (crescimento de 12,2%). Enquanto isso, o crescimento em lojas de descontos, de 3,2 por cento, e em lojas de clubes, de 3,7 por cento, fornece mais evidência de compradores “utilizando canais alternativos às lojas tradicionais”.

Não surpreendentemente, como os hábitos de compras estão evoluindo, as compras na loja estão competindo com alternativas também, à medida que apontar e clicar torna-se mais prevalente e mais varejistas oferecem opções de entrega. As idas às compras por família estão em declínio quando se comparam as 160 viagens dos clientes mais velhos por ano com as 101 por ano dos Millennials e 127 dos consumidores da Geração X.

As declarações feitas nos produtos são um fator significativo também, de acordo com Nielsen, com 8,4% dos dólares gastos no departamento de carne no ano passado feitos em produtos com declarações nos rótulos.

Em termos de dólares gastos no varejo, “quase todos os produtos com declarações nos rótulos estão em dois dígitos”, disse Nelson, acrescentando que as declarações de livres de antibióticos e free-range (criado ao ar livre/fora de gaiolas) foram os mais incompreendidos pelos consumidores.

Analisando as tendências do que as pessoas estão comprando, a pesquisa da Nielsen mostra que as compras feitas no perímetro da loja, incluindo o departamento de carne, aumentaram em US$ 12,4 bilhões entre 2013 e 2015, em relação ao crescimento absoluto de US$ 8,7 bilhões no centro da loja.

A definição do que constitui saúde e bem-estar também mudou à medida que as percepções do século XX, focadas em baixo teor de gordura, baixo teor calórico, açúcar e sal reduzidos e produtos com farinha e grãos integrais deram lugar à demanda do século XXI para produtos formulados sem glúten, orgânico, natural, livre de ingredientes artificiais, de alta proteína e com afirmações feitas nos rótulos. Sabores multiculturais também se tornaram tendência, à medida que a pesquisa do Nielsen afirma que um terço dos consumidores americanos come alimentos contendo sabores multiculturais pelo menos uma vez por semana.

Os consumidores estão fragmentados e, dependendo da sua categoria de localização, que incluem urbano, suburbano e rural, o seu acesso à alimentação é ditada por esses locais. Dentro da categoria urbana, as lojas de clubes e mercearias estão crescendo em popularidade em centros cosmopolitas às custas de grandes varejistas e supercentros.

Os consumidores em centros cosmopolitas são uma área de preocupação, de acordo com Nelson, porque estão gastando menos em carne do que nos anos passados. Demograficamente, esses consumidores são caracterizados como solteiros independentes ou jovens em transição; etnia asiática ou hispânica; o vegetarianismo é comum; e eles tendem a utilizar foodservice para ocasiões de lanches com uma propensão para entrega em domicílio.

“Eles se preocupam com alimentos ‘livres de’”, disse Nelson, que o que inclui antibióticos, hormônios, ingredientes artificiais e produtos geneticamente modificados. Eles também são caracterizados por seus hábitos de ver TV, disse Nelson, e assistir a premiações, jogos de beisebol, os debates que antecederam a eleição presidencial de novembro e a programação espanhola. Os gastos com carnes por ano caíram para US$ 352 por ano em média, um declínio de 5% em relação ao ano anterior.

Os kits da refeição tornaram-se uma tendência que os varejistas e os operadores do foodservice estão focando.

Em uma pesquisa de dezembro passado, 25% dos compradores disseram que compraram um kit de refeições no ano passado. Estas compras, de acordo com Nielsen, vieram às custas de fast-food (66 por cento do tempo substituído com kits de refeição) e refeições feitas em casa (59 por cento do tempo sendo substituído por kits de refeição). Quando se trata da carne usada em kits de refeição, Nelson disse que o formato atual é amplamente aceito, pois 91% dos consumidores que responderam à pesquisa de dezembro de 2016 indicaram estar satisfeitos com a forma como a carne fresca é embalada em kits de refeição e 89% ficaram satisfeitos com a carne não orgânica nesses kits de refeição.

Fonte: http://www.meatpoultry.com, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

This post was published on 7 de fevereiro de 2017

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Equipe BeefPoint

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