EUA e Japão dão força ao IPO da Athena

A abertura de capital, na bolsa de Santiago (Chile), da Athena Foods, subsidiária que reúne os negócios da Minerva fora do Brasil, deverá ocorrer em um dos melhores momentos para a indústria de carne bovina da América do Sul. Assim, o braço da companhia brasileira poderá reforçar o discurso de que é lider na exportação de carne bovina na região e inclusive ampliar essa liderança.

Em dezembro, Japão e Estados Unidos abriram seus mercados à carne bovina de Uruguai e Argentina, respectivamente. De certo modo, as duas notícias foram a confirmação de um mantra do empresário Fernando Galletti de Queiroz, presidente da Minerva. Em entrevista ao Valor, ele reafirmou a aposta na América do Sul como a região mais competitiva do mundo para a produção de carne. “A abertura desses mercados mostra que a demanda global está se direcionando para a América do Sul”, argumentou.

Na Argentina, onde a Athena é a maior indústria de carne bovina, a Minerva foi o primeiro frigorífico a exportar aos EUA. Em 11 de dezembro, enviou 500 toneladas do produto aos americanos.
O potencial de exportações para os Estados Unidos é grande, disse Galletti, lembrando que o país, apesar de ser exportador de carne bovina, é também o maior importador mundial do produto. Conforme projeções do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA), as importações totalizaram 1,4 milhões de toneladas (equivalente carcaça) neste ano, o que representa 16,4% do total global.

“É um mercado importante. Vamos trabalhar para consolidar nossa posição”, afirmou Galletti, sinalizando que a Athena está apta a buscar a mesma participação que tem nas exportações totais da Argentina nos embarques aos EUA. Com somente um abatedouro em funcionamento no país sul-americano – a empresa tem outros quatro fechados -, a Athena lidera as exportações de carne da Argentina, com fatia de 17%.

Se quiser obter participação semelhante no mercado americano, a Minerva teria de exportar, no médio prazo, 3,4 mil toneladas. Isso porque, ao abrir seu mercado, os Estados Unidos criaram uma cota de 20 mil toneladas com imposto reduzido – de US$ 44 por tonelada. Acima dessa cota, os embarques serão tributados em 26,4%.

No momento, o governo argentino está discutindo com os representantes da indústria do país como será a divisão de cotas, afirmou Galletti. “Mesmo que tenha uma limitação de cotas, o importante é o acesso sanitário”, acrescentou. Na prática, o reconhecimento das autoridades americanas funciona como um lastro para a abertura de outros mercados que seguem as regras sanitárias dos Estados Unidos.

Para se ter ideia da relevância do mercado, o Brasil hoje não tem acesso ao mercado americano. O país foi proibido de exportar carne bovina in natura aos Estados Unidos no ano passado por causa da detecção de abscessos (acúmulo de pus) na carne nacional. Desde então, o Ministério da Agricultura atua para reverter o veto, que agora depende de vontade política.

Para a Minerva Foods, o momento é de aproveitar as oportunidades abertas. Além dos Estados Unidos, o empresário ressalta a importância do Japão, que abriu seu mercado ao Uruguai. Lá, a Athena tem 19% do mercado de exportação. Assim como o mercado americano, o Japão também é cobiçado pelo Brasil. O país asiático é o terceiro maior importador mundial do produto, atrás de EUA e China.

Fernando Galletti evitou fazer comentários sobre o IPO da Athena na bolsa do Chile – a empresa está em período de silêncio -, mas a operação será fundamental para que a Minerva possa se beneficiar do aumento da demanda pela carne da América do Sul. Além de pagar dívidas com a venda até 35% do capital da Athena, a companhia brasileira pretende usar uma parte dos recursos para abrir um frigorífico na Argentina em 2019. A empresa prevê levantar de R$ 1 bilhão e R$ 1,5 bilhão com o IPO da Athena, negócio que responde por 40% de seu faturamento anual. Em 2018, a Minerva deverá reportar faturamento de R$ 16 bilhões.

Fonte: Valor Econômico.


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