EUA devem manter barreira à carne bovina

Os Estados Unidos sinalizaram a autoridades do governo Jair Bolsonaro que não devem reabrir mais seu mercado para a carne bovina brasileira a curto prazo. A porta está fechada há mais de dois anos, mas autoridades brasileiras tinham a expectativa de receber um tratamento privilegiado da administração Donald Trump.

No governo, havia esperanças de que o pleito seria atendido, principalmente depois que o Brasil ampliou o acesso ao mercado doméstico para os exportadores americanos de etanol.

O relatório da missão sanitária de técnicos do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) a cinco frigoríficos brasileiros em junho, no entanto, foi concluído recentemente e apontou “inconformidades”, disse uma fonte a par do assunto. Washington já comunicou o governo brasileiro sobre o parecer negativo, e agora não há previsão para uma reavaliação do tema a curto prazo. A auditoria inspecionou frigoríficos de São Paulo, Minas Gerais, Goiás, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e Mato Grosso do Sul.

O Valor apurou que os americanos voltaram a condicionar a reabertura a uma nova missão de inspeção sanitária ao Brasil -seria a terceira visita após o embargo -, o que desagradou o Ministério da Agricultura.

Em junho de 2017, os EUA resolveram suspender os embarques de carne bovina in natura do Brasil após detectarem abscessos (inflamações) em carregamentos do produto. Desde então, várias tentativas de retomada desse comércio foram deflagradas pelo governo brasileiro, porém, sem sucesso.

A ministra da Agricultura, Tereza Cristina, aproveitará uma viagem a Nova York no próximo dia 17 para tentar reverter a decisão. Ela também terá encontros com investidores, executivos do Banco Mundial e do Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Embora não denotem gravidade a uma primeira vista, os questionamentos apontados pelos americanos nas inspeções aos frigoríficos retardam o processo de reabertura comercial e têm um pano de fundo político, na leitura de fontes que acompanham de perto o assunto.

O recado dos EUA surpreendeu o Itamaraty, mas a demora do Brasil em implementar a prometida cota de 750 mil toneladas de trigo sem tarifa de importação teria desagradado a Washington. Os americanos vinham sinalizando que levantariam o embargo à carne após vencido o obstáculo com o trigo. O Brasil vinha tendo o cuidado de adiar a ativação da cota até a eleição na Argentina – tradicional e maior fornecedor de trigo aos moinhos brasileiros.

Fonte: Valor Econômico.

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