Categories: Giro do Boi

EUA: Como a carne produzida exclusivamente a pasto afeta o meio-ambiente?

Alimentar a crescente demanda dos EUA por carne bovina produzida a partir de gado criado apenas em pastagens poderia elevar para 100 milhões de animais dos atuais 70 milhões de animais. Além disso, uma mudança para sistemas puramente a pasto provavelmente traria custos ambientais mais altos, incluindo mais emissões de metano, a menos que o público reduzisse seu consumo de carne.

“Estávamos interessados em ver quais barreiras biofísicas poderiam existir: se a terra e o meio-ambiente poderiam sustentar os consumidores substituindo parte ou todo o seu consumo por carne bovina a pasto”, disse Matthew Hayek, da Harvard Law School, EUA, que participou do estudo com Rachael Garrett, da Universidade de Boston, EUA.

O objetivo era fornecer aos consumidores de alimentos, chefs, fregueses e formuladores de políticas mais informações sobre os impactos potenciais da carne bovina produzida a pasto em comparação com a carne bovina terminada em confinamento, onde os rebanhos bovinos comem principalmente grãos.

Na ausência de terminação em confinamento, a atual pastagem nos Estados Unidos deve suportar apenas 27 milhões de cabeças de gado, segundo a equipe. Se a forragem cultivada for incluída na definição de produzido a pasto, então os alimentos suplementares resultantes poderão suportar 34 milhões de cabeças adicionais de gado, elevando o total para até 61% do atual fornecimento de carne bovina.

Um dos grandes argumentos do relatório é que apenas as reduções no consumo de carne bovina podem garantir reduções no impacto ambiental. Mas o que comer menos carne significa para a indústria de gado dos EUA? A carne bovina é um grande negócio, gerando US $ 67 bilhões em vendas e exportações domésticas, de acordo com relatórios nacionais.

“A carne bovina produzida a pasto normalmente é vendida por um preço quase 50% maior do que a carne convencional”, disse Hayek. “Se os consumidores continuarem pagando um preço mais alto pela carne bovina a pasto, os pecuaristas poderão lucrar apesar de produzir menos no geral”.

Fica claro, a partir do estudo de Hayek e Garrett, que passar de uma produção de carne totalmente a pasto para produção de gado terminado em confinamento vai exigir mais terra, ou aumentos maciços na produtividade das pastagens existentes. Embora valha a pena reiterar que tais impactos diminuiriam se o público escolhesse comer menos carne depois de trocar os produtos. Em última análise, como aponta Hayek, a decisão cabe aos consumidores.

Fonte: Physics World, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

This post was published on 20 de setembro de 2018

Share
Published by
Equipe BeefPoint

Recent Posts

Empresas que vendem carne bovina direto ao consumidor vê aumento da demanda em meio à pandemia nos EUA

A D&D Cattle Co., em Herman, Nebraska, comercializa carne bovina criada em rancho direto para… Read More

26 de maio de 2020

Uruguai: INAC lançará aplicativo que permite comprar carne e receber em casa

O Instituto Nacional da Carne (INAC) do Uruguai está trabalhando no design e na execução… Read More

26 de maio de 2020

O tal do hedge: os casos de Minerva e Suzano

Quando se tornou CFO da Minerva Foods em 2009, Edison Ticle trazia 15 anos de… Read More

26 de maio de 2020

No Brasil,maioria das fortunas nasceu de negócio familiar

Na lista dos mais ricos do Brasil, a maioria das fortunas foi criada a partir… Read More

26 de maio de 2020

Importação chinesa de carne suína bate recorde

As importações chinesas de carne suína bateram novo recorde em abril. O país asiático, que… Read More

26 de maio de 2020

Planta da Minerva em Goiás é habilitada a exportar carne bovina à Tailândia

A Minerva Foods, líder nas exportações de carne bovina na América do Sul, informou, em… Read More

26 de maio de 2020