Categories: Pecuária de Cria

Estudo de caso do uso de cruzamento industrial na cria e seus resultados técnicos e econômicos (vídeo, slides e artigo)

O presente estudo de caso avaliou o uso de touros melhoradores, tratando basicamente do aumento de produtividade por área através do uso de raças compostas (Montana), aproveitando os ganhos do melhoramento genético.

O Montana é um composto, desenvolvido no Brasil, que surge do cruzamento de diversas raças. Ele é formado por quatro grupos raciais, com o objetivo de reunir as características de diversas raças e gerar um animal com capacidade de trabalhar a campo em regiões tropicais. Resumindo, a idéia é conseguir um animal com os resultados de um taurino, mas que consiga trabalhar a campo e expressar seu potencial nas condições brasileiras.

Para conseguir esse resultado, são utilizadas “ferramentas” do melhoramento genético como:
heterose;
complementariedade entre raças; e
genética aditiva.

A heterose pode ser entendida como o ganho extra de produção que se consegue ao cruzar dois animais de raças diferentes.

A complementariedade entre raças ocorre quando o melhoramento consegue reunir as características desejadas de várias raças num único animal, ou seja, quando juntamos o que diversas raças tem de bom em um só indivíduo.

A genética aditiva é o grande diferencial de um programa de melhoramento genético, é o quanto de melhora conseguimos trazer para o rebanho utilizando touros selecionados para para determinada característica, basicamente é o ganho que a adoção desse tipo de tecnologia irá trazer a produção.

Dessa maneira, o Montana foi desenvolvido para produzir bezerros mais pesados, garrotes mais precoces, carne de qualidade e garantir uma boa terminação de carcaça. Claro que sem descuidar da parte reprodutiva, então o programa também busca a produção de fêmeas precoces e férteis para a reposição do rebanho.

Como exemplo de uma propriedade que não teve medo de investir em genética e tem colhido bons resultados temos a Fazenda Terra Preta, em Corumbá/MS. Essa é uma propriedade de 11 mil ha, no Pantanal do Nabileque, com 3.000 ha de reserva, 870 ha de pasto formado e 7.130 ha de pasto nativo.

O rebanho da Terra Preta é composto de 4.000 animais, sendo que 2.000 são matrizes, a propriedade trabalha com o sistema de cria e recria e a engorda é feita em outra propriedade na região de Miranda/MS.

Em 1999, a Terra Preta decidiu testar a genética Montana em seu rebanho. Antes disso o rebanho da fazenda era 100% Nelore e ela conseguia atingir bons índices zootécnicos com taxas de prenhez de 75% e peso de machos a desmama de 167kg.

Em 99 foram feitos testes com touros Nelore Melhorado, Pardo Suíço e Montana. O resultado alcançado nesses testes foi uma taxa de prenhez nas novilhas Nelore (24 meses) de 61,3%, enquanto nas novilhas Montana a taxa foi de 88,5%. Evidenciando que o investimento no montana traz maior eficiência e resultados melhores.

Após a comparação desses resultados, a Fazenda trocou todos os seus touros, usando intensivamente reprodutores Montana e hoje a taxa de prenhez é de 85% – um incremento de 10% – e o peso a desmama dos macho subiu para 200 kg na última safra.

Com esses dados, podemos fazer algumas contas e entender que o uso de animais melhoradores pode gerar um retorno econômico bastante interessante.

Com esse incremento na taxa de prenhez, a Fazenda Terra Preta conseguiu produzir 200 bezerros a mais por ano. Considerando que esse bezerros são negociados na região a R$ 3,00/kg, temos um aumento de receita de R$ 120.000,00.

Se pensarmos que esses animais passaram de 167 kg para 200 kg na desmama – ganho de 33 kg/animal – o pecuarista teve um incremento de 49.500 kg de bezerros, que corresponde a uma recita de R$ 148.500,00.

Se somarmos todo esse ganho extra, temos que com o ganho do aumento de taxa de prenhez e os bezerros mais pesados, a receita da fazenda aumentou R$ 286.000,00 já na primeira safra.

Pensando no investimento para adquirir essa genética, podemos fazer uma conta simples e concluir que o custo extra para implementar essa nova tecnologia seria de R$ 90 mil. Ou seja, ao invés de comprar 60 touros comuns no mercado por R$ 3 mil, esse pecuarista compraria 60 touros Montana melhoradores por R$ 4,5 mil cada um.

Dessa forma, teríamos já na primeira safra a amortização do investimento em touros, trazendo um resultado extremamente positivo, já que esses touros irão continuar trabalhando durante 6 ou 7 anos.

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This post was published on 10 de novembro de 2009

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