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Estamos mudando o manejo convencional, mecânico e sem raciocínio para um universo melhor – Breno Barros [Fazenda Cristo]

O bem-estar animal tem sido preocupação crescente entre pesquisadores, produtores e consumidores de todo o mundo que passaram a exigir com maior intensidade uma conduta humanitária no tratamento dos animais, no que diz respeito à produção, transporte e abate.

Assim, para mostrar o que está acontecendo de mais atual no Brasil e no mundo frente a área de bem-estar animal, na cadeia produtiva bovina, o BeefPoint preparou algumas entrevistas com diversos pecuaristas que já adotam medidas de manejo que visam as boas práticas de manejo, compartilhando casos de sucesso na pecuária de corte.

Confira abaixo o trabalho que Breno  J. P. Barros está desenvolvendo na área de bovinocultura de corte e bem-estar animal na Fazenda Cristo, em Miranda-MS:

Breno J. P. Barros possui graduação em medicina veterinária, diretor da Conexão Delta G (2001 a 2011), gerente  da Agropecuária Braido, em Comodoro-MT (1999-2010), consultor  da Agropecuária Jacarezinho, em Cotegipe-BA (2011-2013) e gerente de pecuária Brpec, Fazenda Cristo, em Miranda-MS desde 2013.

BeefPoint: Quais técnicas/práticas você desempenha em sua sua fazenda que resultou em bons resultados, quando o tema é bem-estar animal?

Breno Barros: Entendemos que o animal espera o bom senso e o raciocínio de quem trabalha com eles. Conseguimos verificar isto a partir de rebanhos “estragados” pelos funcionários e também melhorados quando estão alinhados, acordados, motivados e dispostos. Assim em nossa rotina de trabalho temos:

Manejo:

  • Identificação de todos os animais, a partir do nascimento
  • Instalação de programa sanitário apropriado para a fazenda
  • Formação de grupos de manejo, relacionando todos os animais nele contidos
  • Forte fiscalização na distribuição e consumo de sal mineral a partir das condições ideais oferecidas aos animais e funcionários
  • Avaliação e classificação dos animais segundo dados do programa de melhoramento
  • Adequação de aguadas naturais e artificiais
  • Melhoria das cercas, entradas de currais e suas plantas evitando acidentes

E finalmente para que tudo de certo:

  • Treinamento contínuo dos funcionários (educação continuada)
  • Seleção constante de funcionários, com suas funções e metas bem estabelecidas
  • Estabelecimento de remuneração variável real e possível a partir de resultados favoráveis

BeefPoint: Conte pra nós qual a aceitabilidade de sua equipe quanto às técnicas de bem-estar animal? Como é feito o treinamento de seus funcionários?

Breno Barros: A equipe de trabalho, responsável pelo manejo dos animais, normalmente não se mantém por longo tempo. A grande demanda por mão de obra faz com que parte dos funcionários pulem de galho em galho procurando o melhor. As equipes tendem a ter dificuldades para se estruturar. Além disso estamos procurando mudar o manejo convencional, mecânico e sem raciocínio buscando um universo melhor. Há indivíduos que não aceitam as mudanças no manejo, se retraem e saem da equipe, buscando conforto em outros lugares.

Os indivíduos que aceitam as melhorias contínuas no manejo formam uma estrutura sólida que executa e multiplica as técnicas desenvolvidas, principalmente no dia a dia dos que ingressam no trabalho. Buscam o melhor resultado e isto se torna hábito, o que é essencial.

Estamos então no caminho para navegar em águas calmas. Implantamos o motor destas transformações que é o processo de educação continuada. Consiste em cursos, discussões, cobranças, ajustes, palestras que não deixam a peteca cair. Busca-se o hábito de raciocinar para trabalhar, que resulta no bem-estar dos proprietários, do gerente dos funcionários e consequentemente dos animais.

BeefPoint: Quais instalações de sua propriedade são adequadas para as técnicas de bem-estar?

Breno Barros: Boas casas para os funcionários, boa tropa de serviço, currais bem dimensionados são essenciais para o desenvolvimento dos trabalhos.

BeefPoint: Por que decidiu adotar medidas de bem-estar animal em sua propriedade? Teve o apoio de alguma empresa e/ou profissional da área?

Breno Barros: É uma necessidade, não sei se é opção. A decisão é natural. As maneiras de alinhar o trabalho são através de treinamentos que adotamos a partir de consultores hábeis em entender a operação de manejo e a qualidade dos indivíduos bem como despertar o conhecimento de cada um. Temos feito um longo e gratificante trabalho com o Eduardo Borba.

BeefPoint: O que a sua propriedade difere das demais? As que utilizam boas práticas de manejo e as que não utilizam?

Breno Barros: Sempre procuramos trabalhar o raciocínio do funcionário agregando técnicas ao manejo. A percepção da sua importância do indivíduo no sucesso e insucesso da atividade é destacada nos treinamentos. São eles que fazem.

BeefPoint: Em relação ao manejo de bovinos, quais os erros mais comuns cometidos em sua propriedade?

Breno Barros: Os erros mais comuns estão ligados a operação “sem parar para pensar no que está sendo feito”. Operações mecânicas. Não há como falar para um vaqueiro parar tudo e começar do zero, no entanto temos que desperta-lo para o raciocínio e bons hábitos de trabalho.

BeefPoint: Que mensagem você deixaria para os pecuaristas que pretendem praticar técnicas relacionadas ao bem-estar animal?

Breno Barros: Procuramos entender primeiramente as possibilidades de trabalho na propriedade, trabalhando então os funcionários a ter bom senso, raciocínio e criar hábito.

Não há preocupação direta com o animal, e sim com os indivíduos envolvidos e condições de trabalho proporcionadas. Os animais agradecem.

Confira algumas imagens deste trabalho:

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  • Muito bem colocado pelo Breno, quando fala do trabalho intenso, sem para para pensar sobre o processo num todo. O campo sofre por falta de "treinamento", onde os criadores pensam somente que se derem treinamento o vizinho vem e toma o funcionário.
    Temos sim que estimular a equipe com treinamentos variados, criando o habito de pensar sobre as tarefas e o bom funcionamento delas.
    Parabéns à Cristo, está criando um novo caminho.

    Cesar Horbach.
    Geneplus

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