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EPE defende que governo compre caminhões antigos para equilibrar preço do frete

A Empresa de Pesquisa Energética (EPE), ligada ao Ministério de Minas e Energia, defende que o governo federal crie uma política para aquisição de caminhões antigos como forma de reequilibrar o setor de transportes no país.

Em estudo divulgado em seu site, a EPE diz “uma solução alternativa e estrutural constitui-se de política de sucateamento de caminhões antigos da frota em circulação. A aquisição governamental de caminhões para este fim injeta recursos na economia com o potencial de estimular a demanda, ao mesmo tempo em que reduz a oferta de serviços de transporte, acelerando o reequilíbrio do mercado de fretes rodoviários”.

“Além de minimizar o risco de novas paralisações, essa política também promove outros benefícios, como a diminuição de emissões e de acidentes rodoviários, com menores perdas materiais e humanas, e redução dos gastos com saúde pública, além de fomentar a eficiência energética”, continua o texto.

A EPE afirma que o estudo é preliminar e que, portanto, não é um entendimento final sobre o tema. Mas entende que o governo precisa buscar alternativas para tentar atender às reivindicações dos caminhoneiros, sobretudo os autônomos.

“É oportuno citar que a entrada de projetos ferroviários e o estímulo ao aumento da cabotagem podem reduzir ainda mais a demanda por cargas a distâncias longas. A entrada desses projetos torna ainda mais premente a implementação de uma política que retira de circulação esses caminhões antigos, por não serem tão eficientes quanto os novos.”

A EPE lembra que a mudança na política de combustíveis que fez os preços do diesel acompanharem o mercado internacional desde 2016 causou várias paralisações dos caminhoneiros – a maior foi em maio de 2018.

Desde o início do ano até o último dia 12, o diesel subiu 4,8% segundo a Agência Nacional do Petróleo, Gás Natural e Biocombustíveis (ANP).

O estudo também diz que a política de tabelamento do frete rodoviário, criada em 2019, foi ineficaz. “Uma consequência do aumento dos fretes foi a aquisição de frota própria de caminhões por alguns grupos econômicos. Tal ação teve reflexos na retomada das vendas de caminhões no país, mas acabou aprofundando ainda mais a condição de sobreoferta de fretes”.

O estudo informa que os caminhões vendidos atualmente emitem 94% menos de material particulado (MP), 75% menos NOx e 63% menos monóxido de carbono (CO) que os caminhões comercializados antes de 2000.

O Brasil tem cerca de 110 mil caminhões com mais de 30 anos (6% da frota nacional).

“Uma política de sucateamento de caminhões antigos pode representar uma forma eficaz de resolver diversos problemas de curto e longo prazos no setor de transportes.

O estudo completo pode ser acessado aqui.

Fonte: Valor Econômico.

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