Entrevista com Prof. Dr. Iveraldo Dutra sobre vacinas e as vacinações no controle das clostridioses (Parte 5)

Entrevista concedida pelo Prof. Dr. Iveraldo Dutra à Vallée S.A, enfocando o estágio atual do conhecimento técnico e científico sobre as vacinas e as vacinações no controle das clostridioses. A entrevista foi dividida em 5 partes.

O Prof. Dr. Iveraldo Dutra é Professor Titular da Disciplina de Enfermidades Infecciosas dos Animais, Faculdade de Medicina Veterinária de Araçatuba, Universidade Estadual Paulista, Araçatuba, SP.

Caso não consiga realizar o esquema vacinal proposto na bula do produto, existe alguma alternativa?

Iveraldo Dutra: Um protocolo de vacinação alternativo e estratégico que temos empregado em diversos sistemas de produção que são monitorados por técnicos e pessoal treinado para fazer vigilância epidemiológica, é o de vacinar as vacas prenhes por ocasião da confirmação da prenhez. Os bezerros são então vacinados por ocasião do 4º-5º mês de vida e recebem o reforço após desmama. Em seguida, faz-se o esquema de vacinação anual na recria. Com a participação de médicos veterinários, conhecedores da realidade do sistema de produção, e da região, deve ser feito uma análise de risco para avaliar a necessidade de eventuais reforços vacinais. Diante dessa necessidade, como em uma situação de desafio extremo para alguma clostridiose em especial, faz-se dose e reforço nas primíparas prenhes. Em animais que irão entrar em confinamentos, e sob situação de risco, procede-se da mesma forma com o booster.

Esta prática (vacinação de vacas prenhes) traz benefícios diretos à imunidade passiva?

Iveraldo Dutra: A melhoria na imunidade passiva pode ser concretamente mensurada de duas formas: avaliação sorológica e redução na mortalidade de animais jovens por causas desconhecidas (animais encontrados mortos). Na avaliação sorológica os protocolos experimentais dos trabalhos até então publicados empregaram dose e reforço nas vacas prenhes. Nos estudos preliminares de que dispomos o emprego de uma dose de vacina nas vacas prenhes também confere satisfatoriamente uma boa imunidade passiva, pelo menos para o carbúnculo sintomático.

Neste caso, o uso da vacinação em vacas prenhes pode trazer algum risco à prenhez ou eu devo me preocupar apenas com o bom manejo?

Iveraldo Dutra: Com uma equipe bem treinada para o manejo racional e para a aplicação correta de produtos veterinários não tem risco algum vacinar vacas prenhes. Deve-se acrescentar que as vacinas contra clostridioses não tem qualquer contra-indicação para vacas prenhes, portanto, são seguras.

Quais os benefícios deste protocolo alternativo de vacinação?

Iveraldo Dutra: Dois benefícios devem ser considerados: redução de mortalidade e facilidade operacional. Em sistemas de produção extensivos monitorados conseguimos a redução da mortalidade em até 40%. Com o uso de vacina polivalente completa este valor se repete tanto em animais jovens quanto em vacas.

Considerações gerais

Iveraldo Dutra: O maior desafio dos produtores e técnicos em relação às clostridioses é reconhecer que o seu perigo potencial é permanente e crescente nos nossos sistemas de produção animal. Nesse sentido, os investimentos nos programas sanitários devem estar focados no treinamento de pessoas para as boas práticas sanitárias, na vigilância epidemiológica nos sistemas de produção e na execução de programas sanitários com fundamento técnica e racionalidade operacional. Da mesma forma, deve ser sempre enfatizada a necessidade de se adotar as medidas preventivas complementares para cada clostridiose.

Nesta oportunidade gostaria de registrar a minha satisfação de participar da comemoração dos 50 anos da Vallée – crescendo com o Brasil. Comemoro 30 anos de medicina veterinária e compartilho este momento de rara beleza manifestando o mais profundo reconhecimento pelo que a empresa representa ao país, à saúde animal e à alma do nosso campo. A Vallée produz excelentes soluções nas quais confio, uso e recomendo. Parabéns a todos vocês.

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