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Entre o emocional e o racional: perpetuando o negócio familiar

Por Felipe Leal,  Rodrigo Passos e  Vithória Karam

O grande diferencial das empresas familiares é que seus membros gestores compartilham de uma mesma cultura familiar (atitudes, crenças, comportamentos, história, valores e tradições), que inspira sua maneira de agir e modela sua tomada de decisão. A vida desse tipo de negócio não está restrita aos seus estabelecimentos, produtividade e à gestão, mas avança sobre a vida da família. E pode ser o contrário: a vida da família pode se tornar a vida da empresa.

Esses fatores, aliados à identificação por parte dos demais membros da família, tornam os níveis de comprometimento e responsabilidade dos envolvidos muito mais elevados do que o habitualmente encontrado nas empresas mercantis.

Nessas organizações é comum que as decisões de estratégia e gestão sejam tomadas com base na cultura particular do líder familiar, que geralmente é representado pelo patriarca ou pela matriarca. Sendo construídas por acertos morais e raramente formalizadas.

Assim, o negócio, que deveria ser mantido e estruturado com regras, contratos e diálogos, é mantido por decisões embasadas na confiança e, muitas vezes, em escolhas individualizadas, que apresentam a vontade de seu líder de forma limitada, sem alcance às implicações futuras. Por esse mesmo motivo, os herdeiros, que muitas vezes trabalham no negócio rural, não têm o costume de participar das tomadas de decisões e estar a par das reais necessidades do negócio, o que os impossibilita de se prepararem administrativa e profissionalmente para uma futura sucessão.

Essa relação empresarial em que não há a presença de um diálogo horizontal entre as gerações, mas apenas uma ordenação praticada de maneira vertical pelo patrão paternalista, limita o desenvolvimento da empresa e, ao mesmo tempo, prejudica as relações familiares.

A influência da família sobre a empresa implica, em muitos casos, na contaminação do negócio, por questões que são absolutamente estranhas ao ambiente empresarial, como, por exemplo, desentendimentos e disputas que foram geradas no âmbito das relações privadas.

Os herdeiros, muitas vezes, por não conseguirem demonstrar e aplicar as necessidades que encontram no dia a dia dentro da empresa, uma vez que não possuem presença na tomada de decisões, acabam por se profissionalizar em outras atividades, abandonando o negócio familiar e colocando-o, consequentemente, em um caminho que provavelmente ocasionará seu fim, em função da ausência de sucessores preparados e direcionados à continuidade das atividades do negócio.

Sendo assim, mostra-se pertinente adequar a família à empresa, aproveitando ao máximo as vantagens proporcionadas por se trabalhar um negócio familiar e evitando que os desentendimentos pessoais influenciem em seu andamento.

No mínimo, é preciso perceber que a empresa é uma riqueza da família, é um patrimônio produtivo que deve ser preservado e otimizado para possibilitar a sua continuidade, rendendo frutos por um longo período e beneficiando diversas gerações.

É adequado compreender que cenários diversos implicam na necessidade de posturas diversas: uma diante da família e outra diante da empresa. Somente dessa forma serão preservados os interesses corporativos voltados para o sucesso da atividade negocial, em conjunto com os legítimos interesses dos membros familiares.

Para solucionar esses problemas, comuns nas empresas rurais, a Safras & Cifras apresenta uma série de propostas voltadas tanto para o conjunto familiar como para a empresa, sempre com o intuito de assessorar o núcleo familiar com especial atenção às peculiaridades de cada família. Procura-se, também, planejar e executar regras de estruturação do negócio, preservando o patrimônio e objetivando vantagens tributárias e a perpetuação do negócio, ou seja, efetuando um intermédio entre a família e suas aspirações e as reais necessidades da empresa familiar.

Por Felipe Leal,  Rodrigo Passos e  Vithória Karam, para o Safras & Cifras.

This post was published on 27 de novembro de 2015

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  • Estamos antevendo estes problemas em nossa familia ..
    Pai com 86, saudavel, centralizador, 4 filhos em diversas profissões não ligadas a área rural ..
    fazenda grande e um futuro que não saberemos como lidar ..
    Tenho ouvido estas orientaçoes em trasnformações para empresas, mas não estou conseguindo fazer chegar ao nosso pai esta necessidade ...
    Voces têm alguma sugestão de como iniciar este processo com sucesso?
    Obrigado

    Marcelo C Fatureto - turma 2 do Agrotalento, medico, pecuarista aprendiz aos 57 anos ..

    • Marcelo, leve esse tema para nossa comunidade do AgroTalento no Facebook. É um tema muito bom, vamos conversar sim. Abraços, Miguel

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