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Entenda como a ILP pode ajudar no aumento da produtividade da pecuária

A ILP é uma técnica de exploração que integra agricultura com pecuária, de forma mais econômica e lucrativa e ao mesmo tempo conservacionista. Dentro desse conceito, as áreas de lavouras dão suporte à pecuária por meio da produção de alimento para o animal, seja na forma de grãos, silagem e/ou feno, seja na forma de pastejo direto. Sua utilização resulta no aumento da capacidade de suporte da propriedade, permitindo a venda de animais na entressafra e proporcionando melhor distribuição de receita durante o ano (Mello et al., 2004).

O sistema integra as atividades com o objetivo de maximizar racionalmente o uso dos fatores terra, infra-estrutura e mão-de-obra, diversificando e verticalizando a produção, minimizando custos, diluindo riscos e agregando valores aos produtos agropecuários, através dos recursos e benefícios que uma atividade proporciona à outra. A integração é decisiva para a reestruturação da produção agrícola (Vilela et al., 2001). Na região dos Cerrados essa corrente vem ganhando adeptos, principalmente entre os agricultores que buscam a diversificação de seus sistemas de produção e a superação dos problemas advindos dos cultivos anuais sucessivos, tais como pragas, plantas invasoras e doenças. As gramíneas forrageiras são altamente resistentes à maioria das pragas e doenças e, por isso, podem quebrar os ciclos dos agentes bióticos nocivos às plantas cultivadas.

Há muito tempo a agricultura na região dos Cerrados vem desempenhando papel importante na implantação de pastagens cultivadas. O cultivo de arroz, por um ou até três anos sucessivos, precedeu grande parte dos pastos estabelecidos nas décadas de 70 e 80, período de maior expansão do cultivo de pastagens na região. Nessa época, o conceito de rotação lavoura/pecuária ainda não estava bem definido, porém essa prática tinha o objetivo de proporcionar melhores condições de preparo de solo, correção da sua fertilidade e redução dos custos de implantação da planta forrageira (Vilela et al., 2003).

Em 1989 era feito um sistema de ILP (Integração lavoura – pecuária) através do plantio direto de soja sobre pastagens perenes, objetivando diminuir as plantas daninhas que emergiam durante os três meses de pousio do solo (agosto – outubro) e o gasto de herbicidas para o controle das mesmas. A solução encontrada foi a implantação da braquiária, que servia tanto como cobertura do solo como alimento para os bovinos na entressafra. Essa braquiária, facilmente controlada com herbicidas, deixa o terreno pronto para o plantio da cultura de verão, no sistema de plantio direto.

A ILP, através dos sistemas Barreirão e Santa Fé, ambos desenvolvidos pela Embrapa, começou a ser difundida com mais tecnologia e mais consistência. Esses sistemas consistem em plantar uma cultura anual (soja, milho, arroz) consorciada com uma gramínea para pastejo na entressafra, visando também a obtenção de uma boa palhada para o plantio direto.

O sistema de integração lavoura – pecuária está voltado principalmente para áreas de pastagens ou solos degradados e áreas de lavoura com problemas de produtividade e sustentabilidade em decorrência de monoculturas, qualquer que seja a escala de produção ou o tamanho da propriedade, observando-se as realidades sócio-econômicas e ambientais da região.

Já os sistemas agroflorestais (Integração Lavoura – Pecuária – Floresta), incluem árvores nos sistemas de produção agropecuários e também são conhecidos como Agrossilvicultura. Esta é uma modalidade que veio a se consolidar como ciência somente a partir da década de 80, difundida pelo Departamento de Engenharia Florestal da Universidade de Viçosa. A partir de então muitas pesquisas foram desenvolvidas, gerando uma série de informações que permitiram demonstrar a viabilidade técnica, econômica e ambiental dos sistemas agroflorestais (Couto et al., 2004).

A adoção do sistema IPL pode resultar em significativos ganhos, dentre os quais podem ser mencionados os seguintes:
– melhoria da produtividade e da qualidade das atuais áreas de pastagens ou de lavouras degradadas, mediante a adoção de métodos, técnicas e procedimentos de Boas Práticas Agrícolas, com a adequação do solo e adoção de plantio direto, rotação de culturas, controle integrado de pragas, doenças e plantas daninhas, da gestão e do manejo de microbacias hidrográficas;
– aumento e diversificação da oferta de alimentos de alta qualidade e com valor agregado para o consumo interno e para a exportação, gerando mais emprego ao longo das cadeias produtivas e mais divisas ao país;
– maior organização e fortalecimento das entidades representativas dos produtores para a gestão do agronegócio e dos recursos naturais;
– mitigação dos desmatamentos pela redução da pressão pela ampliação da fronteira agrícola, sobretudo na região amazônica, por meio da recuperação e manutenção da capacidade produtiva das atuais áreas cultivadas;
– otimização do uso do maquinário;
– obtenção de duas safras por ano (carne e grãos);
– renovação ou recuperação das pastagens com a implantação de espécies mais produtivas;
– aumento da matéria orgânica no solo, devido à grande produção de raízes e folhas;
– aumento da eficiência de reciclagem de nutrientes, devido ao melhor aproveitamento, pela gramínea, dos resíduos de fertilizantes deixados pelos cultivos anuais;
– desenvolvimento da região dos cerrados, aumentando a produtividade;
– redução da perdas por lixiviação e/ou erosão;
– retorno de nutrientes à superfície a forma de serapilheira e incorporação na matéria orgânica do solo;
– a maior biodiversidade dos sistemas contribui para o processo de restabelecimento da fauna do solo;

O desenvolvimento de opções para o restabelecimento da capacidade produtiva das pastagens cultivadas é fundamental para alcançar a sustentabilidade e a intensificação da atividade pecuária. A integração dos sistemas de produção de grãos e pecuária desponta como sendo umas das opções viáveis. Os benefícios desta integração podem ser sintetizados como:

– Agronômicos: por meio de recuperação e manutenção das características produtivas do solo;
– Econômicos: por meio da diversificação de oferta e obtenção de maiores rendimentos a menor custo e com qualidade superior;
– Ecológicos: por meio da redução da erosão e da biota nociva às espécies cultivadas, com a conseqüente redução da necessidade de defensivos agrícolas;
– Sociais: por meio da melhor distribuição da renda. Deve-se considerar também a maior geração de tributos, de empregos diretos e indiretos, além da fixação do homem ao campo.

O cenário de integração parece ser mais bem delineado para aqueles produtores envolvidos na produção de grãos, em razão dos investimentos existentes na propriedade e capacitação gerencial. Nesses sistemas, a introdução de pastagens será compulsória, visando recuperação das características químicas, físicas e biológicas do solo.

Alguns tipos de integração lavoura-pecuária são listados a seguir:

Cultivo seqüencial (rotação): esta modalidade de integração adota uma seqüência de operações em que a lavoura e os outros cultivos anuais ocupam uma mesma área durante épocas diferentes de crescimento. Após a colheita, faz-se o plantio de uma espécie forrageira anual para utilização em regime de corte ou pastejo. No ano seguinte, adota-se o cultivo de grãos, em sistema plantio direto, ou a implantação da pastagem perene;

Cultivo consorciado: a implantação da pastagem ocorre associada ao cultivo anual. Para tanto, deverão ser adotadas práticas de preparo do solo específicas ao longo do ano, visando à descompactação do solo, incorporação de invasoras e pela própria pastagem remanescente. O cultivo anual ocorre simultaneamente com a espécie forrageira. A mistura das sementes da planta forrageira ao fertilizante possibilita a redução da competição entre a nova pastagem e o cultivo anual. Diferentes culturas poderão ser adotadas, tais como arroz, milho, sorgo e girassol, dependendo da aptidão do solo, infra-estrutura e riscos climáticos inerentes ao cultivo;

Integração lavoura-pecuária temporal: mais indicada aos produtores envolvidos na produção de grãos, em razão dos investimentos existentes na propriedade e capacitação gerencial. Nesses sistemas, a introdução de pastagens será compulsória, visando à recuperação das características químicas, físicas e biológicas do solo. A adoção de um sistema de produção integrado por pecuaristas típicos dependerá, basicamente, da remuneração dessa atividade e da capacidade gerencial.

O modelo de exploração via integração espacial (atividades de pecuária e produção de grãos em áreas distintas) deverá, em curto prazo e facilmente, ser convertido no modelo temporal (período de ocupação com pecuária seguida pelo cultivo de grãos), quer seja pela necessidade de diversificação dos sistemas de produção ou pelo decréscimo da capacidade produtiva dos solos.

Em áreas agrícolas têm sido predominante a exploração de apenas uma cultura por ano, no período chuvoso, ficando a área ociosa por sete a oito meses, exceto na pequena proporção em que se explora a safrinha ou se pratica a irrigação. Na pecuária, por outro lado, parte representativa do cerrado é ocupada com pastagem e mais de 80% desta encontra-se degradada ou em processo de degradação. No período seco, de maio a outubro, ocorre deficiência de forragem para os animais. Extremos climáticos inviabilizam a exploração de apenas uma cultura agrícola e/ou uma pastagem, sendo necessária a incorporação do componente florestal para melhorar as condições edafo-climáticas do sistema.

Este texto foi retirado do material do Curso Online Integração Lavoura Pecuária, que será ministrado por Antony Hilgrove Monti Sewell e Andrea Brasil, ambos engenheiros agrônomos formados pela Esalq/USP e sócios da Boviplan Consultoria Agropecuária Ltda. O curso terá início no dia 10 de novembro.

Clique aqui para ver a programação completa e faça sua inscrição.

This post was published on 1 de novembro de 2010

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