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Empresas protestam e deixam Argentina sem carne

Ontem, após uma noite mal-dormida, representantes do agronegócio na Argentina anunciaram que o setor vai paralisar suas atividades por nove dias. A medida foi adotada como resposta à decisão do governo de Alberto Fernández de suspender, por um mês, as exportações de carne do país.

A interrupção do embarques, anunciada na noite de segunda-feira, afeta o setor de carnes da Argentina em geral – e os frigoríficos brasileiros Minerva e Marfrig em particular. Na B3, as ações das empresas, que estão entre os maiores exportadores da Argentina, fecharam o dia em baixa de 3,56% e 1,08%, respectivamente. 

Nesta terça, logo cedo, representantes da Mesa de Enlace, que reúne as principais entidades do agronegócio na Argentina, decidiram por uma greve de nove dias, que começará amanhã. Nesse intervalo, não haverá nenhum comércio de carne no país, afirmou, em nota, Jorge Chemes, presidente da Confederação Rural da Argentina (CRA). “Somos usados como cortina de fumaça para encobrir outros problemas”, disse Chemes. Ele alega que o aumento da inflação no país não é responsabilidade do setor. 

A paralisação recebeu apoio da Sociedade Rural Argentina (SRA), da Coninagro e da Federación Agraria Argentina (FAA). As entidades também enviaram nota de repúdio à imprensa dizendo que, “sem dúvida, a decisão prejudicará toda a Argentina”. 

No meio do dia, Carlos Achetoni, presidente da FAA, informou que a indústria, produtores e outras empresas estão dispostos a repetir o que fizeram em 2008, quando, como resposta à decisão da presidente Cristina Kirchner de criar “retenciones” (impostos sobre exportação) sobre soja, milho e trigo (resolução 125), as entidades paralisaram estradas por 129 dias. “Estamos convencidos de que vamos defender os direitos do setor produtivo”, disse. 

No Twitter, Daniel Urcía, presidente da Federação das Indústrias Frigoríficas Regionais da Argentina (Fifra), afirmou que a suspensão dos embarques foi “intempestiva” e inesperada. Urcía argumentou ainda que a medida pode ter pouco efeito prático, já que a China, principal destino dos embarques, compra cortes que não são consumidos no mercado local. 

Segundo o jornal argentino “La Nacion”, há um grande mal-estar no campo porque o governo continua a tomar medidas sem consultar o setor agropecuário. No fim de 2020, o governo anunciou a suspensão das exportações de milho, mas as reabriu em janeiro, após uma greve de 72 horas encabeçada pela Mesa do Enlace. Em fevereiro, Fernández ameaçou o setor com mais retenções e também cotas para exportação, mas recuou após reunião com o grupo. 

O declínio acentuado das ações da Minerva ontem na B3 reflete a grande relevância da Argentina em suas operações. O país responde por 10% da receita total da companhia e por 27% do faturamento da subsidiária Athena Foods, sendo parte disso obtida no mercado interno com a marca Swift. Em comunicado, a Minerva disse ontem que seguirá atendendo os importadores por meio de suas operações no Uruguai, Paraguai, Brasil e Colômbia, o que atenuará a suspensão temporária. 

Também em comunicado, a Marfrig informou que a Argentina representou 3,2% de sua receita líquida consolidada no primeiro trimestre, mas que a restrição aos embarques tem impacto direto sobre apenas 1,3%. O restante é obtido no mercado interno do país, onde atua com as marcas Paty e Vienissima, de hambúrgueres e salsichas.

Fonte: Valor Econômico.

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