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DSM obtém aprovação no Brasil de aditivo que reduz emissão de gases na pecuária

A holandesa DSM, dona da Tortuga, informou que obteve autorização para comercializar no Brasil um produto capaz de reduzir em mais de 50% a emissão de metano por ruminantes. O aditivo para ração animal promete dar um fôlego de sustentabilidade para a produção de leite e carnes pelo mundo, que enfrenta grande pressão por causa de suas emissões de gases de efeito estufa.

O aditivo, chamado Bovaer, demorou mais de uma década para ser desenvolvido e é apontado como uma das dez inovações tecnológicas que ajudarão a alimentar o planeta sem destruí-lo, segundo o Instituto de Recursos Mundiais (WRI, na sigla em inglês). Nesse período de pesquisa, foram 45 testes realizados em fazendas de 13 países em quatro continentes, o que resultou em 48 estudos científicos.

O Brasil foi o primeiro país a dar aval para a tecnologia, no mês passado. Logo na sequência, autoridades do Chile também liberaram o uso do aditivo. “Para nós é muito emblemático que o Brasil seja um dos primeiros. É um grande produtor de carne, com um rebanho gigante, e que agora poderemos fazer a pecuária ter grandes avanços e ser ainda mais sustentável”, disse ao Valor o presidente da DSM na America Latina, Mauricío Adade.

Com um quarto de colher de chá ao dia por animal, diz a DSM, o Bovaer é capaz de reduzir a emissão de metano entérico em vacas leiteiras em aproximadamente 30%, e o percentual pode chegar a 90% no caso do gado de corte. O produto, que tem efeito imediato já no primeiro uso, age no sistema digestivo dos ruminantes evitando que os microorganismo que estão no trato intestinal gerem grandes quantidades do gás.

Sem efeitos colaterais

A empresa afirma ainda que, nos testes realizados, nenhum efeito colateral foi identificado nos animais. Além de bovinos, o produto pode ser utilizado em ovelhas, cabras e veados.

Apesar da aprovação, o lançamento do Bovaer no mercado deve demorar ainda alguns meses. A gigante holandesa planeja como será a comercialização e a produção em grande escala do aditivo.

Outro entrave é que, como apenas Brasil e Chile aprovaram a tecnologia, poderá haver restrições para a exportação de carne a países que ainda não autorizaram a tecnologia. “Já entramos com pedido de registros em diversos países e regiões, como a Europa, e esses registros deverão sair em breve”, disse Adade.

Mesmo assim, a DSM já comemora a aprovação nos dois países da América Latina, mercado que responde por cerca de 10% do faturamento global da companhia, estimado em 10 bilhões de euros ao ano. Na região, a área de nutrição animal responde por 50% a 70% das receitas, por causa do enorme rebanho em países como Brasil e Argentina.

Fonte: Valor Econômico.

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