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Dólar: se chegar a R$ 2,00 no 4º tri, inflação pula para 7,2%

O Banco Central ganhou nos últimos dias mais um adversário na luta pelo cumprimento da meta de inflação neste ano. Trata-se da valorização do dólar, que já superou o patamar de R$ 1,80.

Antes de mais nada é preciso lembrar que a meta de inflação deste ano é de 4,50%, com tolerância de dois pontos para cima ou para baixo. Na prática, porém, o índice oficial (IPCA) já tem registrado alta superior a 7% no acumulado em 12 meses, ou seja, está acima do teto da meta.

O dólar barato, que até então era um grande aliado do governo no combate aos preços altos, agora pode atrapalhar os planos justamente num momento em que o Banco Central iniciou um ciclo de afrouxamento monetário (queda dos juros básicos) para estimular a economia.

A pedido de EXAME.com, o analista da Tendências Consultoria Thiago Curado fez algumas simulações. Como faltam poucos dias para o término do terceiro trimestre, optamos por manter a cotação média do dólar de R$ 1,58 prevista pela Tendências para o período de julho a setembro. A partir daí, simulamos qual seria o impacto na inflação oficial se o dólar médio for maior no quarto trimestre (veja tabela na próxima página).

Antes dessa desvalorização cambial, a Tendências previa cotação média de R$ 1,60 no quarto trimestre. Com esse valor, a inflação já estouraria o teto da meta, encerrando o ano em 6,60%.

Se o dólar médio no quarto trimestre for de R$ 1,70, o IPCA sobe para 6,77%. Num cenário mais extremo, com a moeda americana atingindo o patamar de R$ 2,00, a inflação oficial pularia para 7,21%.

Em resumo: todos os cenários mostram que a meta de inflação não será cumprida. “Se houver uma continuidade desse movimento (desvalorização do real) e o câmbio for para a casa dos dois reais, a inflação passa facilmente dos 7% neste ano”, diz Thiago Curado.

A Tendências Consultoria vai aguardar mais um pouco para decidir se altera ou não as projeções para o câmbio e, consequentemente, se faz ajustes nas previsões para as demais variáveis econômicas, como inflação, PIB e juros.

Fonte: Exame.com, adaptada pela Equipe BeefPoint.

This post was published on 22 de setembro de 2011

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