Determinação do dia de aspiração folicular em relação à emergência da onda folicular (2, 4 ou 6 dias) em bovinos

Sabe-se que um dos fatores capazes de influenciar a recuperação e a qualidade oocitária em procedimentos de aspiração folicular guiada por ultra-sonografia (OPU – “ovum pick up”) é a fase do crescimento folicular durante o ciclo estral (Hendriksen et al., Theriogenology, 53:11-20, 2000). Além disso, existem relatos que indicam que oócitos provenientes de folículos com discreto grau de atresia (início da fase de dominância folicular) apresentam maiores taxas de desenvolvimento embrionário e, ainda, requerem menor tempo para a maturação in vitro (Hendriksen et al., Theriogenology, 53:11-20, 2000).

Neste artigo serão apresentados resultados interessantes de dois recentes experimentos (Gimenes et al., Acta Sci Vet., 35(3): 1170, 2007a; Gimenes et al., Acta Sci Vet., 35(3): 1171, 2007b) realizados com o objetivo de determinar o melhor momento para a realização da OPU.

Nestes estudos testou-se a hipótese de que a realização da OPU após a seleção folicular (quatro ou seis dias após a emergência da onda de crescimento folicular), melhora a qualidade dos embriões derivados de produção in vitro (PIV). Para esse fim, 30 novilhas mestiças (Bos indicus x Bos taurus) foram submetidas à um protocolo de sincronização da onda folicular que permitisse a realização de punções foliculares 2, 4 ou 6 dias após a emergência da onda. Para a sincronização foi utilizada a associação de Benzoato de estradiol (2mg; Cronibest, Biogenesis, Brasil) e progesterona injetável (50mg; Progesterona injetável, Innovare Saúde Animal, Brasil) no momento da inserção do dispositivo intravaginal de progesterona (Cronipress, Biogenesis, Brasil). Nesse mesmo dia, uma dose de PGF2α (Croniben, Biogenesis, Brasil) foi também administrada. Após 6, 8 ou 10 dias do início do protocolo, o dispositivo de progesterona foi retirado, lembrando-se que, em protocolos como esse, a emergência folicular tem início ao redor de quatro dias após a inserção do dispositivo (Martins et al., Acta Sci Vet., 33:227, 2005; Sá Filho et al., Abst. VI IRAC, CD-ROM, 2005).

As novilhas foram submetidas a três réplicas, passando por todos os tratamentos para eliminar o efeito individual (delineamento “cross-over”). No dia da OPU, os folículos visualizados foram quantificados, mensurados e classificados de acordo com seu tamanho em: pequenos (2 a 6 mm), médios (6 a 10 mm) e grandes (>10 mm). Os oócitos recuperados foram contados e classificados em graus I, II ou III e, ainda, cumulus expandido, desnudos, atrésicos e degenerados. Apenas oócitos dos 3 primeiros graus foram considerados viáveis e submetidos à PIV. Três dias após a fecundação in vitro (FIV) realizou-se o “feeding” e avaliou-se a taxa de clivagem. Seis e sete dias após a FIV foram avaliadas as taxas de formação de blastocistos e, aos nove dias, a taxa de eclosão.

Além disso, foram colhidas amostras de sangue no momento da OPU para dosagem de FSH. Todas as taxas foram calculadas sobre o número de oócitos viáveis. Os embriões eclodidos foram fixados em paraformaldeído a 2% para posterior realização da contagem do número de núcleos. Para a análise estatística utilizou-se ANOVA e Teste de Qui-quadrado, considerando-se P

Os resultados estão apresentados nas tabelas abaixo.

Tabela 1. Número de folículos visualizados imediatamente antes da OPU, média de oócitos recuperados, taxa de recuperação de oócitos, número de folículos visualizados imediatamente antes da OPU com diâmetro entre 2 e 6 mm, número de folículos visualizados imediatamente antes da OPU com diâmetro entre 6 e 10 mm e número de folículos visualizados imediatamente antes da OPU com diâmetro superior a 10 mm de acordo com o dia da aspiração folicular (Adaptado de Gimenes et al., 2007)


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Tabela 2. Variáveis relacionadas à qualidade oocitária (oócitos grau I, II, III, células do cumulus expandido, oócitos desnudos, oócitos atrésicos, oócitos degenerados e oócitos viáveis) e concentração de FSH no momento da OPU de acordo com o dia da aspiração folicular (Adaptado de Gimenes et al., 2007)


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Tabela 3. Número total de oócitos recuperados por animal, número médio de oócitos viáveis por animal, número médio de embriões clivados por animal, número médio de blastocistos por animal 6 dias pós-FIV, número médio de blastocistos por animal 7 dias pós-FIV, número médio de blastocistos por animal 9 dias pós-FIV, número médio de embriões eclodidos por animal, taxa de clivagem, taxa de blastocistos 7 dias pós-FIV, taxa de blastocistos 6 dias pós-FIV, taxa de blastocistos 9 dias pós-FIV, taxa de eclosão e número de núcleos dos embriões eclodidos de acordo com o dia da aspiração folicular (Adaptado de Gimenes et al., 2007)


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Pôde-se verificar que não houve diferença entre os momentos de OPU para concentrações de FSH, qualidade oocitária ou número total de oócitos recuperados, porém houve tendência para maior taxa de recuperação quando a OPU foi realizada seis dias após a emergência folicular. Ainda, a hipótese do presente estudo não foi aceita, visto que animais submetidos à OPU dois dias após a emergência, ou seja, antes da seleção folicular, apresentaram maior taxa de blastocistos produzidos aos 6 e 9 dias após a FIV, maior taxa de eclosão aos 9 dias pós-FIV, bem como maior número de células nos embriões eclodidos.


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