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Desenvolvimento de um novo protocolo de superovulação em tempo fixo para fêmeas zebuínas

Pesquisa realizada em 2005 pelo Prof. Michael D´Occhio (Univ. Brisbaine – Austrália) comprovou que uma única aplicação de FSH, por via intramuscular, estimula o crescimento folicular por 2 dias em fêmeas zebuínas (Brahman).

Esse trabalho sugeriu uma revisão de conceitos pré-estabelecidos sobre o real tempo de ação do FSH em folículos em desenvolvimento e, estimulados por esse novo conhecimento. No início de 2006, a Tecnopec em parceria com a FMVZ-USP, iniciou concomitantemente, duas frentes de pesquisa testando o uso do FSH em protocolos IATF e de SOV (super ovulação).

O uso do FSH em protocolos de IATF de fêmeas em anestro, (a fim de aumentar o crescimento folicular e a taxa de ovulação e prenhez), já comprovado e divulgado em publicação em 2007, hoje já é uma realidade na rotina de trabalhos à campo, com excelentes resultados.

O estudo do novo protocolo de SOVTF (super ovulação em tempo fixo) demandou mais tempo de experimentos, por ser uma técnica mais complexa que a IATF, os quais foram concluídos no final de 2007. Desde então, o protocolo está sendo utilizado em trabalhos de rotina por algumas centrais, comprovando a repetibilidade dos resultados obtidos em experimento. Esse trabalho está publicado nos anais da Sociedade Brasileira de Tecnologia de Embriões (SBTE) 2008 e foi apresentado em palestra no mesmo evento. A grande vantagem desse novo protocolo foi diminuir o número de aplicações de FSH, que tradicionalmente é realizada em 8 aplicações de 12 em 12 horas, conseguimos diminuir para 3 em momentos estratégicos do protocolo.

Experimento 1 – protocolos SOV em Tempo Fixo comparando freqüência de 3 e 8 aplicações de FSH (Folltropin®) em vacas Zebu

Tabela 1. Protocolos utilizados no experimento 1

Método experimental

Foram utilizadas 12 vacas Nelore por protocolo, sendo que todas as fêmeas passaram por todos os grupos para eliminar a variável doadora dos resultados (cross-over). A dose total de Folltropin® utilizada em todos os grupos foi de 133 mg. Realizou-se exames ultrassonográficos para se observar a dinâmica de crescimento folicular durante os protocolos.

Tabela 2. Resultados

Conclusões do Experimento 1

Análise dos dados mostrou a semelhança de resultados do protocolo de 3 FSH e o padrão de 8 FSH em relação a todos os parâmetros avaliados, indicando a viabilidade do uso desse protocolo e facilitando o manejo da SOVTF à campo. Esses resultados têm sido confirmados na rotina de centrais de T.E.

Experimento 2. Protocolos SOV em Tempo Fixo comparando freqüência de 3 e 8 aplicações com 133mg de FSH (Folltropin®) em vacas Brahman (Fonte: Martins, C. et al, 2008)

Seguindo os parâmetros do experimento anterior (realizado com vacas Nelore), utilizou-se 12 vacas da raça Brahman, comparando o protocolo tradicional (P36LH12) com o protocolo com 3 doses de Folltropin® num total de 24 superovulações (cross-over).

Tabela 3. Resultados

Os resultados obtidos confirmam a total viabilidade técnica e as vantagens óbvias de manejo deste novo protocolo, com 3 aplicações de Folltropin®, em fêmeas zebuínas.

Tabela 4. Novo protocolo de superovulação em tempo fixo para fêmeas zebuínas

This post was published on 10 de fevereiro de 2009

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  • Muito bem! Tempo é dinheiro!

    É um artigo muito bem vindo e que trará ótimos benefícios para a pecuária e para as pesquisas acadêmicas.

    Parabéns Prof. Leandro Gofert.

  • Caro Ronaldo, nos programas de IATF usamos doses baixas de FSH (10 a 20 mg) aplicadas na retirada dos dispositivos (D8), momento em que a dominancia da onda folicular (que inicia 3 a 4 dias após a colocação dos dispositivos e aplicação do benzoato de estradiol) já ocorreu. Dessa forma, tal como é feito há vários anos com eCG, ao usarmos essa pequena dose de FSH nesse momento, induzimos um aumento da taxa de crescimento do foliculo dominante em vacas em anestro. Com esse manejo garantimos que mais vacas estejam com um foliculo de bom tamanho e apto a ovular ao final do protocolo, melhorando a taxa de prenhez do protocolo em vacas aciclicas, conforme mostraram os experimentos publicados em 2007 durante a SBTE.

  • Caro Leandro Francisco Gofert, primeiramente gostaria de parabeniza-lo pelo trabalho. Gostaria de saber mais sobre os benefícios desse trabalho, o que eu mais notei com clareza seria a questão de manejo que se torna mais viavel, quais mais benefícios esse novo protocolo nos traz?

    Atenciosamente,

  • Caro Antonio Hugo,

    Ao facilitarmos a execução do protocolo de SOV diminuimos a chance de erros humanos no processo e diminuimos o stress nos animais tratados, em suma, aumentamos a chance de termos melhores resultados no processo.

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