Dados sobre a área colhida nos EUA derrubam preço do milho

O impacto das chuvas no Meio-Oeste sobre o plantio de milho nos Estados Unidos foi bem menos intenso do que se esperava, o que provocou forte baixa nos preços dos grãos negociados em Chicago.

Em relatório divulgado ontem, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) cortou em 2% sua estimativa para a área plantada com milho no país na safra 2019/20. O órgão calcula que os americanos plantaram o cereal em 36,4 milhões de hectares. A estimativa anterior, de 28 de junho, indicava 37,1 milhões de hectares.

Apesar do corte, a nova estimativa do USDA ficou acima do que os analistas previam. Na avaliação de Tony Cholly, da consultoria RJO Futures, os preços do milho só subiriam se a estimativa do USDA viesse abaixo de 35,2 milhões de hectares. Como isso não ocorreu, os preços desabaram.

Na bolsa de Chicago, os contratos futuros do cereal de segunda posição de entrega (normalmente, os mais negociados) recuaram ontem 25 centavos de dólar (5,9%), para US$ 3,9275 por bushel.

O cenário de oferta mais confortável do que o esperado foi um alívio às agroindústrias americanas de frango, que têm no milho um insumo fundamental da ração. Na Nasdaq, as ações da Pilgrim’s Pride, empresa de carne frango controlada pela JBS, subiram 1,3%. Os papéis da Sanderson Farms, por sua vez, tiveram valorização de 5%.

As perspectivas mais otimistas para a produção de milho nos Estados Unidos também contaminaram as cotações da soja, a despeito do corte mais intenso feito pelo USDA na estimativa para a área semeada com a oleaginosa. Na bolsa de Chicago, os papéis da soja para setembro caíram 1,4% ou 12,25 centavos, a US$ 8,6675 por bushel.

O órgão americano reduziu em 4% a estimativa para a área plantada com soja nos EUA, de 32,4 milhões para 31 milhões de hectares. O número também ficou abaixo do esperado pelos analistas. Segundo a Reuters, a expectativa era que o USDA ampliaria o cálculo de área plantada com a oleaginosa no país para 32,8 milhões de hectares.

Na avaliação de Guilherme Bellotti, analista do Itaú BBA, do ponto de vista de impacto sobre os preços, a redução da área plantada nos Estados Unidos é minimizada pelos estoques fartos. De acordo com ele, o volume disponível na safra 2019/20 “ainda deve ser quase duas vezes superior ao observado na 2017/18, o que pode limitar grandes avanços dos preços em Chicago”, avaliou ele.

No Brasil, a dúvida de Bellotti é se o prêmio pago pela soja do país nos portos compensará a queda dos preços em Chicago.

Fonte: Valor Econômico.

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