Da Turquia ao Brasil, a carne ganha popularidade nas redes

NUSRET GÖKÇE, OU SALT BAE: ao menos nas redes sociais, o turco foi a principal sensação da culinária mundial em 2017 (Instagram/Reprodução)

É como se Sidney Magal, no auge do sexy appeal, comandasse um programa sobre churrasco. Em um vídeo publicado no Instagram, um homem moreno, de rabo de cavalo e óculos escuros, segura com a faca um pedaço de carne jogado em sua direção. Com movimentos orquestrados e caricatos, corta a carne em rodelas e flamba com um maçarico. Depois, o cozinheiro deixa o sal escorrer pelo antebraço até cair sobre o prato.

O gesto e a forma característica de preparar a comida viraram a marca registrada do chef turco Nusret Gökçe, 34, que tornou-se a principal sensação da gastronomia mundial em 2017. Ao menos nas redes sociais, onde passou a ser conhecido como Salt Bae e acumula mais de 10 milhões de seguidores, dez vezes o que tinha no início do ano.

Com vídeos sempre mesmo estilo – fazendo coreografias enquanto acaricia, bate, dança ou corta pedaços de carne para preparar seus pratos – Gökçe viralizou nas redes sociais e atraiu atenção no mundo todo.

Natural de uma pequena vila da etnia curda localizada no leste da Turquia, o chef vem de uma família pobre, largou a escola aos 13 anos e virou aprendiz de açougueiro. Depois de morar na Argentina para aprimorar sua culinária, desde 2010 ele é coproprietário da cadeia de restaurantes Nusr-Et Steakhouse (Gökçe separou seu próprio nome para fazer um trocadilho, já que “et” significa carne em turco), que abre sua 13ª casa nas próximas semanas em Nova York – em janeiro, eram apenas seis.

A popularidade fez com que seus restaurantes passassem a ser frequentados por diversas celebridades – em fevereiro, depois de servir Leonardo DiCaprio, o chefe afirmou que comer em seu restaurante poderia ser considerado o segundo Oscar do ator.

Seu jeito de salgar a carne passou a ser imitado por aí, incluindo em comemorações de gols – Gökçe é fã de futebol, e, os jogadores, seus fãs -, e nas redes sociais de outros tantos famosos. Justin Bieber, Bruno Mars e Drake são só alguns exemplos.

Por revistas internacionais de celebridades, Gökçe é considerado o chef sexy das carnes. Boa parte de suas coreografias ao cozinhar – e até seu apelido – tentam ressaltar essa característica, mesmo que muitas vezes ele fique mais próximo do brega mesmo.

Gökçe virou um símbolo pop. Mas, por causa de toda essa fama, também carrega na costas um desafio: o de tornar a carne vermelha algo atraente de novo. Os carnívoros, de um tempo pra cá, passaram a ser tratados como homens das cavernas por uma crescente patrulha sustentável. O número de vegetarianos e veganos cresce sem parar. Em 2012, o Ibope estimou que 8% dos brasileiros declaravam não comer carne. O vegetarianismo passou a ser vendido como algo “cool” e, consequentemente, o mercado de produtos para essa parte da população cresce sem parar. Gökçe está aí, mesmo que sem essa intenção, para mostrar que a carne ainda é parte da dieta humana. Se for bem feita, melhora ainda.

Mesmo antes de se tornar um meme, Gökçe era muito conhecido na Turquia, e seu sucesso internacional não tem atrapalhado em nada os negócios. No ramo de Ancara do Nusr-et, os preços altos atraem principalmente a elite local — o que se destaca pelas Maseratis, Mercedes e BMWs estacionadas na frente da churrascaria.

A frente do Nusr-et em Ancara (Foto: https://www.vice.com).

“Tem gente que economiza um mês inteiro para jantar aqui”, disse ele.

É fácil ver por quê. Os pratos do Nusr-et são pensados para agradar o público: “sushi de bife” (arroz enrolado na carne com cobertura de parmesão e molho de abacate) é cozido com um maçarico na sua mesa, produzindo uma grande nuvem de fumaça. Carne suculenta é picada na sua frente à la Salt Bae, o primeiro pedaço coberto com mostarda wasabi e servido por um garçom bigodudo.

Um membro da equipe da cozinha do Nusr-et demonstra o movimento marca registrada do Salt Bae (Foto: https://www.vice.com).

Para a sobremesa, porções de baklava no mel são cortadas e preenchidas com sorvete de leite de cabra. A extravagância é parte da marca e os clientes parecem satisfeitos, considerando o número de fotos que tiram dos pratos.

Ainda com toda sua fama, Gökçe quer que seu restaurante seja conhecido pela carne. O restaurante só serve animais criados na própria fazenda e matadouro da cadeia perto de Istambul.

“Há um processo rigoroso de seleção”, disse o gerente, Mesut. “Temos nossos próprios animais e o Sr. Nusret escolhe apenas as melhores carnes. De cinco toneladas, ele pode escolher apenas 100 quilos para servir em seus restaurantes. Buscamos a melhor qualidade absoluta e se usássemos a carne de outro lugar, ela poderia não ser boa o suficiente.”

Sushi de bife, assado com um maçarico na sua mesa (Foto: https://www.vice.com).

É o próprio Gökçe que imagina os pratos também. O sushi de bife, apesar de não ser cru porque isso não combinaria com o paladar turco, veio de seu desejo de encontrar uma nova maneira de servir carne e arroz. Depois de muita tentativa e erro no curso de três anos, o conceito nasceu.

“Somos muitas mãos, mas um só cérebro”, diz Mesut.

Gökçe já tem o seu próprio emoji

Gökçe tem um toque que lhe rendeu o nome #Saltbae (sal destruidor de corações). Ele coloca o braço e a mão de uma forma enquanto o sal é derramado sobre a carne.

Este toque, que é identificado com Nusret, tornou-se um emoji pelo empresário turco, Deniz Hotamisligil, que vive em Los Angeles, EUA, com a aplicação da “Emojum” também desenvolvido por ele, incluindo personagens peculiares para os turcos.

O teclado “Emojum”, que tem mais de 450 emoji em 10 categorias, incluindo localização, instrumento, beber, veículo, esporte e alimentação, se tornou muito famoso no curto prazo.

Fontes: Exame,  https://www.vice.com, http://www.trt.net.tr, www.jornalopcao.com.br, compilada e adaptada pela Equipe BeefPoint.


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