Cruzamento entre bovinos europeus britânicos X continentais – será que é uma tendência que veio para ficar?

BeefPoint  já publicou diversos artigos apresentando casos de sucesso e experiências com cruzamentos de bovinos de corte, mas hoje, optamos por reunir uma série de opiniões de profissionais ligados ao setor do melhoramento genético, professores e produtores para discutirem a seguinte questão: Cruzamento entre bovinos europeus x continentais será que essa é uma tendência que veio pra ficar?

Por André Plastina

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O cruzamento de raças britânicas com continentais, no Rio Grande do Sul é uma constante há bastante tempo. As primeiras raças introduzidas na pecuária do Rio Grande do Sul foram as britânicas por influência dos frigoríficos ingleses, que se estabeleceram no Uruguai, Argentina e no Rio Grande do Sul.

Mais tarde houve a introdução das raças continentais representadas principalmente pelo Charolês, que dominou a venda de reprodutores no RS entre a década de 60 até o final dos anos 90. Tornado o gado do RS quase todo branco. Isto criou as condições ideais para o retorno deste cruzamento, agora com a utilização de touros britânicos, que hoje dominam a venda de reprodutores no RS.

Há também a partir da década de 70 com a popularização da inseminação artificial a introdução do cruzamento com Zebu, que  sem dúvidas, possibilita um considerável ganho em heterose, embora hoje no RS as raças sintéticas são preferidas para cruzamentos.

Portanto, como hoje o rebanho bovino do RS está quase todo britânico acredito que está na hora de novamente ocorrer um aumento do uso de touros continentais, seja em monta natural ou com o uso da inseminação artificial.

Este cruzamento irá melhorar o rendimento e o peso de carcaça, mantendo a qualidade da carne e melhorando em todos os aspectos a rentabilidade da atividade.

Para comprovar coloco esta matéria abaixo que mostra o desempenho da raça Charolesa em recente concurso de carcaças realizado no Uruguai:

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Nos Estados Unidos onde a principal raça é a Angus, é usado o cruzamento com Charolês. O cruzado atinge o peso ideal de abate (480 kg) com 3 meses de antecedência em relação ao puro. Na Inglaterra berço das raças britânicas o Charolês é a raça mais usada para cruzamentos.

Portanto, o cruzamento de britânicas com continentais, não é uma moda, é uma realidade, uma ferramenta para quem busca eficiência em seu sistema de produção pecuária.

 


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