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Consumo de forragem x suplementação

A suplementação de animais a pasto influencia o consumo de forragem, como também a quantidade e qualidade desta podem afetar o consumo do suplemento. A suplementação apresenta efeitos associativos em relação à utilização da forragem disponível na pastagem, acarretando mudanças na digestibilidade e no consumo da dieta basal.

O aumento no consumo da forragem é observado quando há suplementação de proteína em forragens de baixa qualidade, ou seja, com teor de PB inferior a 7%. Já o efeito de substituição que geralmente ocorre no fornecimento de suplementos energéticos de alto consumo (> 1% PV) mantém níveis de ingestão de energia, porém com diminuição no consumo de forragem (Figura 1).

Figura 1 – Nível de suplementação de grão e consumo relativo de forragem.


Fonte: Adaptado Mieres. 1992.

Entende-se por efeito de substituição quando bovinos recebendo suplementação energética a pasto tendem a reduzir o consumo da pastagem. O efeito de substituição é calculado da seguinte maneira:

ES= *100

Onde: ES = efeito de substituição (%) FINS = forragem ingerida por animais não suplementados, FIS = forragem ingerida por animais suplementados e SI = suplemento ingerido.

Na figura 2 é representado esquematicamente o efeito de substituição da forragem por 4 kg de concentrado para bovinos de corte em pastejo. O consumo estimado de um bovino com 400 kg é cerca de 2,5% do PV, ou seja, aproximadamente 10 kg de MS de forragem. Quando fornecido 4 kg de suplemento, o consumo de forragem diminui para 7 kg de MS de forragem. Neste caso, o efeito substituição é de 75% ((10-7)/4), no entanto, o consumo total de matéria seca foi aumentado para 11 kg.

Figura 2 – Alimentos suplementares: suplementação e efeito substituição.


Fonte: Adaptado de Hodgson (1990).

Ao analisarmos a figura 1 novamente, pode-se observar que ao aumentar o consumo de suplemento acima de 0,5 %PV, o consumo de forragem foi reduzindo gradativamente. Tal efeito pode ser explicado devido a causas químicas no rúmen do animal ou a fatores ambientais. O primeiro seria químico, que devido à rápida assimilação do concentrado, as exigências em energia são rapidamente supridas, servindo como sinalizador para diminuição no consumo de alimentos. Os possíveis sinalizadores para tal seriam os produtos da fermentação ruminal (acetato, propionato e butirato) e o aumento da concentração dos nutrientes e seus metabólicos no sangue do animal. Associado a isso, temos a queda do pH ruminal devido ao maior consumo de concentrado provocando menor digestão da forragem no rúmen.

Suplementação com níveis elevados de suplemento pode ser vantajoso por explorar o efeito de substituição, que também pode propiciar ganhos mais elevados. Entretanto, a eficiência de transformação kg de ganho/kg de suplemento utilizado, deve ser avaliado com cuidado, pois pode tornar a estratégia inviável. Uso de fontes energéticas mais baratas, como subprodutos, podem ser mais interesantes.

Esse e outros temas relacionados à suplementação proteico-energética serão abordados no Curso Online Suplementação proteico-energética de bovinos de corte a pasto, que terá início no dia 30/05. Neste curso, os alunos aprenderão os princípios essencias da suplementação e a avaliação econômica do uso da suplementação a pasto para a produção de carne. Além disso, utilizarão informações aplicadas de suplementação nas águas e na seca e de suplementação de fêmeas e bezerros com creep-feeding.

Para ver a programação completa do Curso Online Suplementação proteico-energética de bovinos de corte a pasto clique aqui.

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This post was published on 16 de maio de 2011

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