Comparação de perfil andrológico de touros Nelore criados extensivamente no Planalto e Pantanal sul-matogrossense

Dados recentes demonstram que 6% do rebanho brasileiro são inseminados, ficando os 94% restantes servidos por touros, em regime de monta natural. Assim, os touros são de fundamental importância na produção final do rebanho. Regiões de criação extensiva, como o Pantanal Sul-Matogrossense, dificultam a introdução de biotécnicas, como a inseminação artificial, e nestes locais a utilização de touros para monta são práticas ainda mais importantes.

O espermograma, embora seja adequado para diagnosticar a função reprodutiva do macho, apresenta alta variância decorrente de diversos fatores como ambiente, manejo nutricional, etc. Desta forma, para que o exame andrológico seja eficiente como ferramenta de seleção de touros para a reprodução, este deve ser realizado de forma completa, e somente quando várias característica são combinadas, torna-se possível identificar animais com maior qualidade seminal.

Segundo Fernandes e Martins (2003) a idade foi um componente importante na variação do espermograma. Para os animais até 24 meses, o percentual de espermatozóides normais, os defeitos de acrossomo, cabeça e PI explicaram 19, 10 e 25% da variação entre aptos e não aptos, sem diferença entre condição reprodutiva de acordo com a idade para CE. O objetivo deste estudo foi o de avaliar o perfil andrológico de duas populações de touros Nelore criados extensivamente no Planalto e no Pantanal Sul-Matogrossense comparando os efeitos da idade e sobre o espermograma destes animais.

Foram avaliados 4443 espermogramas de touros Nelore, provenientes de propriedades distribuídas no estado de Mato Grosso do Sul. Todos os animais eram clinicamente sadios, mantidos exclusivamente a pasto com suplementação mineral e pertencentes a diferentes propriedades nas regiões do planalto e pantanal.

Após o exame clínico, os animais foram submetidos ao exame de sêmen, obtido por eletroejaculação. Após a colheita, realizava-se o exame imediato de sêmen, determinando-se a motilidade (%) e vigor (0-5). O espermograma foi estimado sob imersão a partir de preparações úmidas avaliadas em microscopia de contraste de fase ou em esfregaços corados por solução de Rosa Bengala (3% em água destilada), ambas obtidas de amostras previamente preservadas em formol-salino tamponado 1%.

Foram considerados os percentuais de espermatozóides morfologicamente normais, defeitos de cabeça, acrossomo, peça intermediária, gota citoplasmática proximal, cauda e cabeça isolada. Cada touro foi classificado como apto quando apresentava no mínimo 50% de motilidade e 70% de espermatozóides morfologicamente normais, inapto quando apresentava valores inferiores a esses ou questionável quando um dos valores apresentava-se abaixo do mínimo. Para fins de análise das variáveis do espermograma, considerou-se os percentuais de motilidade, espermatozóides morfologicamente normais e defeitos maiores (somatório dos defeitos de cabeça, acrossomo, peça intermediária e gota citoplasmática proximal).

Touros que apresentaram alterações clínicas que comprometiam a reprodução foram descartados das análises, ou classificados com inaptos a reprodução. Quanto a idade, os animais foram classificados em quatro categorias: touros jovens de primeiro exame (16 a 25 meses), jovens com experiência em estação de monta (26 a 48 meses), touros adultos (49 a 108 meses) e touros velhos (mais de 108 meses).

A análise estatística baseou-se em modelo linear completamente ao acaso (p0,05), o que indica retardo na puberdade nas populações mais jovens, evidenciando os efeitos adversos do ambiente Pantaneiro e da baixa qualidade nutricional das gramíneas desta região (Comastri Filho, 1994) que podem interferir na qualidade seminal e na puberdade dos animais.

Em relação aos animais classificados como Inaptos, não houve diferença na freqüência de animais nas idades I, II e III, sendo encontrada como principais causas de desclassificação altas percentagens de defeitos totais ou alterações clínicas e testiculares, indicativos principalmente de quadros de imaturidade sexual, degeneração testicular e hipoplasia testicular. Apenas na categoria IV, encontramos uma maior freqüência de animais inaptos nos animais do Planalto, fato este que pode ser devido a senilidade dos animais amostrais nesta categoria.

Os dados de classificação reprodutiva concordam parcialmente com dados de Andrade et al.(2001), que encontraram em animais do Planalto Sul-Matogrossense percentagem de 48% de aptidão e 23% de Inaptidão para touros Nelore de 36 meses de idade, inferiores ao encontrado neste estudo. Vale ressaltar que todos os animais avaliados eram provenientes de Rebanhos melhoradores, onde os animais possuíam registro em associação de raça (ABCZ), e já haviam sido avaliados fenotipicamente e para mensuração de CE.

Em relação às variáveis do espermograma, observou-se diferenças favoráveis aos animais do planalto, demonstrando melhor padrão seminal nesta categoria, o que pode explicar a maior freqüência de aptidão reprodutiva. A variável motilidade foi maior (pTabela 1. Freqüências observadas (%) de acordo com a idade e Região de criação com base no exame andrológico em touros Nelore no Mato Grosso do Sul


Tabela 2. Efeito da idade e região sobre variáveis do espermograma e perímetro escrotal de touros Nelore no Mato Grosso do Sul


Conclusão
Touros mantidos em ambientes extensivos, com baixa qualidade nutricional das forrageiras, como o Pantanal apresentam padrão seminal inferior a touros criados em pastagens cultivadas no Planalto, apresentando, no entanto um quadro seminal satisfatório para adequados níveis de fertilidade.

Referências bibliográficas

ANDRADE, V.J, SALVADOR, D.F., et al. Perfil Andrológico de touros da raça Nelore de dois e três anos de idade criados extensivamente em condições do estado de Mato Grosso do Sul. Rev. Brás de Reprod. Anim., v.25, n.2, p. 182, 2001

COMASTRI FILHO, J.A. Avaliação de espécies de forrageiras nativas e exóticas na sub-região dos Paiaguás, no Pantanal Mato-Grossense. Pesquisa Agropecuária Brasileira, Brasília, v.29, n. 6, p.971- 978, 1994.

FERNANDES, C. E. & MARTINS, C. Componentes principais da análise de regressão para variáveis do espermograma em touros Nelore. Acta Scientiae Veterinariae, 31 (suplemento), p. 344. XII Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Tecnologia de Embriões. Anais… 2003.

Manual para exame andrológico e avaliação de sêmen animal. Colégio Brasileiro de Reprodução Animal. 2 ed. Belo Horizonte: CBRA, 1998. 49p.

*Artigo original enviado a 43ª Reunião Anual da Sociedade Brasileira de Zootecnia, 24 a 27 de Julho de 2006 -João Pessoa – PB


ou utilize o Facebook para comentar