Como salvar a Amazônia – Por Leandro Narloch

Os incêndios na Amazônia provocaram protestos em todo o mundo na semana passada. Mas se você quiser salvar a floresta, seja realista. Vinte e três milhões de pessoas vivem na Amazônia brasileira, 45% abaixo da linha da pobreza. A área inclui cinco dos seis estados mais pobres de um país pobre, de acordo com a agência nacional de estatística. Pessoas famintas não se importam com a floresta. Eles a consideram um inferno verde e vêem os guardas florestais como inimigos.

Os ambientalistas e intelectuais brasileiros há muito tempo insistem que as pessoas locais devem sobreviver extraindo nozes e outros produtos florestais. No entanto, a maioria das pessoas, incluindo grupos indígenas, quer dinheiro real. Eles querem SUVs e smartphones, medicamentos e eletricidade. Aqui está o que você pode fazer se realmente quiser ajudar:

• Apoiar a legalização da mineração sustentável. “Queremos minerar nossa própria terra”, disse Marcelo Cinta-Larga, líder da tribo Cinta Larga. A Bacia Amazônica possui algumas das maiores reservas de ouro e diamantes do mundo, mas as leis brasileiras proíbem a mineração em terras indígenas – uma proibição que serve para enriquecer os criminosos. Existem cerca de 3.000 operações ilegais de mineração, que costumam pagar aos líderes nativos para fechar os olhos. Eles não se importam com poluição ou desmatamento.

• Favorecer novas usinas hidrelétricas. O estado do Amazonas recebe 87% de sua eletricidade de 255 estações térmicas. Eles consomem 181 milhões de galões de diesel por ano, que são enviados principalmente por via marítima do estado de São Paulo – quase tão longe da Amazônia quanto Nova York de Londres. É difícil imaginar uma fonte de energia com mais carbono. Existem muitos projetos para construir usinas hidrelétricas com turbinas horizontais, que não exigem mais grandes barragens. Os ambientalistas geralmente se opõem a eles.

• Incentivar o bom manejo florestal. Existem modelos sustentáveis ​​para extrair madeira e substituir árvores, mas novos regulamentos brasileiros levam à extração ilegal de madeira. As tensões entre autoridades e mineradores e madeireiros ilegais aumentaram. Pequenas milícias vêm queimando carros oficiais.

• Apoiar a agricultura e a pecuária intensiva. Desde 1980, a produção brasileira de milho aumentou 480%, enquanto as áreas de cultivo dedicadas ao milho aumentaram apenas 40% devido ao uso inovador de pesticidas e fertilizantes. A produção de arroz aumentou 43%, mas a área cultivada diminuiu 70%. Somente o ganho de produtividade do milho impediu o cultivo de uma área quase do tamanho da Califórnia. O gado criado a pasto é de longe a principal causa do desmatamento.

Se você realmente deseja salvar a floresta amazônica, esqueça as preocupações ambientais e se preocupe com a prosperidade local. O desenvolvimento é necessário para a conservação. Os amazonenses não são santos ou personagens de “Avatar”. Eles são pessoas reais. A maioria se preocupará com a floresta somente depois de sair da pobreza.

Artigo de Leandro Narloch, jornalista de São Paulo e autor do “Guia Politicamente Incorreto da História do Brasil”, publicado no The Wall Street Journal.

3 thoughts on “Como salvar a Amazônia – Por Leandro Narloch”

  • Marcelo Pesan - 28/08/2019

    Os seus apontamentos Leandro, são bastante pertinentes. Enquanto os ativistas (muitos ambientalistas, jornalistas, artistas e outros “istas”) estiverem ligados a partidos de esquerda e, portanto, impregnados com ideologias baratas e que não deram certo em lugar algum, esse tema será tratado com a desonestidade intelectual que é peculiar a esse grupo.
    Agora o que é lamentável mesmo, é assistir a desinformação que algumas empresas de mídia promove ao dar ressonância ao que o imbecil do Macron diz.
    Existe algo concreto na Amazônia que precisa ser cuidado com prioridade, e não são algumas árvores

  • Manuel Finol - 31/08/2019

    Excelente análisis totalmente de acuerdo con su opinion.

  • Sandoval Neto - 02/09/2019

    O Brasil precisa ser mais ambicioso e parar de pensar pequeno. Queimar nossos ativos florestais em troca de um retorno rápido não é uma boa escolha. Dizer que falta pasto no Brasil é uma bobagem. Apoio as boas práticas da agricultura e pecuária responsáveis ( e o país tem muito espaço degradado esperando recuperação que precisa ser usado pra isso) mas é fato que as florestas valem muito mais em pé do que derrubadas. O potencial farmacoquímico é valioso por demais. E o perigo dos nossos produtos ficarem marcados pelas irresponsabilidades da atuação gestão é um risco que os produtores brasileiros deveriam também se preocupar

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