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Commodities: USDA corta projeção para o trigo, que dispara em Chicago

Nesta quinta-feira, o preço do trigo disparou na Bolsa de Chicago, refletindo o corte nas estimativas do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (USDA) para a safra americana em 2021/22. Os contratos do cereal para julho, os de maior liquidez no momento, subiram 5,9% (65,75 centavos de dólar), a US$ 11,7875 por bushel.

No começo da tarde, o USDA informou que projeta agora colheita de 44,8 milhões de toneladas de trigo nos EUA na temporada, volume cerca de 10% menor que a projeção anterior – o corte foi de 5 milhões de toneladas.

O órgão creditou a mudança no cálculo ao tempo seco no país, que deve afetar o resultado final da safra. Com o corte, o USDA reduziu também sua previsão de embarques, que passou a ser de 21,9 milhões de toneladas.

Segundo Charlie Sernatinger, da ED&F Man Capital, os sinais de fraqueza na produção de inverno estimularam os investidores a elevar suas posições no mercado do cereal. “De todos os números, o mais importante foi o de produção de trigo duro vermelho de inverno, que indiscutivelmente deu impulso aos preços”, disse, em nota.

O USDA aumentou levemente sua estimativa para a produção de trigo no mundo, que passou a ser de 779,29 milhões de toneladas. Para Jake Hanley, diretor-gerente da Teucrium Funds, esse volume ainda é baixo para a necessidade global. “Essas projeções sugerem que o mundo enfrentará preços de alimentos altos por um longo período”, comentou no Twitter.

Milho

O milho subiu na Bolsa de Chicago nesta quinta-feira, mesmo depois de o USDA contrariar a expectativa do mercado e aumentart sua previsão para os estoques globais do cereal. O contrato mais negociado, que vence em julho, subiu 0,38% (3 centavos de dólar), para US$ 7,915 por bushel.

No começo da tarde, o USDA disse que projeta colheita global de 1,216 bilhão de toneladas de milho na safra 2021/22, volume 0,4% superior à projeção de abril. Para a demanda, o órgão aumentou sua estimativa em 0,17%, para 1,199 bilhão de toneladas.

A projeção para os estoques finais da temporada subiu 1,3%, para 309,39 milhões de toneladas. O USDA foi na contramão da expectativa do mercado: analistas consultados pelo jornal “The Wall Street Journal” previam um corte de 0,6%, para 303,7 milhões de toneladas.

O órgão também divulgou sua primeira projeção para a temporada 2022/23. A estimativa é de colheita de 1,181 bilhão de toneladas, volume inferior ao consumo, de 1,185 bilhão de toneladas. Os estoques finais serão de 305,13 milhões de toneladas — de acordo com o jornal americano, o mercado esperava algo em torno de 295 milhões de toneladas.

O USDA não alterou suas projeções para a safra 2021/22 dos EUA. A produção deve ser de 383,94 milhões de toneladas; a demanda, de 315,86 milhões de toneladas; e os estoques finais, de 36,57 milhões de toneladas. A previsão para os estoques americanos também ficou acima do que analistas previam (35,66 milhões de toneladas).

Para 2022/23, o departamento prevê colheita de 367,3 milhões de toneladas — cerca de 8 milhões de toneladas a menos do que a expectativa dos analistas. Os estoques chegarão a 34,54 milhões de toneladas.

O diretor-gerente da Teucrium Funds, Jake Hanley, afirma que os dados ainda apontam para um saldo entre oferta e demanda ainda bastante apertado.

Soja

Sob o impacto das novas estimativas do USDA para os estoques globais de soja, os preços do grão fecharam o dia em alta em Chicago. Os papéis da oleaginosa para julho avançaram 0,44% (7 centavos de dólar), a US$ 16,1375 por bushel.

O órgão reduziu para para 85,24 milhões de toneladas sua estimativa para os estoques globais, que antes era de 89,58 milhões de toneladas. Analistas consultados pelo “The Wall Street Journal” esperavam uma redução bem mais comedida, para 89 milhões de toneladas.

A estimativa para os estoques americanos, que era de 7,07 milhões no mês passado, caiu para 6,39 milhões de toneladas. O mercado projetava 6,04 milhões de toneladas.

Para a safra 2022/23, o USDA acredita que a produção de soja no mundo vai crescer mais do que a demanda, o que pode abrir espaço para uma acomodação dos preços internacionais, que estão próximos dos picos históricos. Em seu primeiro levantamento sobre a nova safra, que está sendo semeada no Hemisfério Norte, o USDA previu colheita de 394,69 milhões de toneladas, demanda de 377,04 milhões de toneladas e estoques finais de 99,6 milhões de toneladas.

Fonte: Valor Econômico.

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