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Commodities: Grãos despencam em Chicago no último pregão do mês

Nesta terça-feira, a aversão ao risco acentuou o movimento de liquidação de posições na bolsa de Chicago, habitual nos últimos dias de cada mês. O trigo, que na semana passada alcançou sua maior cotação em nove anos, liderou as quedas na sessão.

O contrato do cereal para março, o mais ativo no momento, fechou abaixo do patamar de US$ 8 ao cair 4,26% (35 centavos de dólar), a US$ 7,8725 o bushel. Com o resultado de hoje, os futuros “devolveram” praticamente toda a alta acumulada no mês. A cotação desta terça-feira quase igualou a do último pregão de outubro, quando o papel de maior liquidez encerrou o dia negociado por US$ 7,850 o bushel.

Os mercados tiveram uma sessão de forte baixa, puxada pelas preocupações com a variante ômicron do novo coronavírus e, também, pela indicação dada pelo presidente do Federal Reserve (Fed, o banco central dos EUA), Jerome Powell, de que a autoridade monetária poderá acelerar a redução de estímulos de compra mensal de ativos, anunciada neste mês.

A despeito do resultado desta terça, os fundamentos ainda indicam preocupação com a oferta global de trigo. A previsão de safra recorde na Austrália, um dos grandes produtores mundiais, pesa sobre os contratos, mas a desconfiança com a qualidade do cereal australiano poderá arrefecer essa pressão.

Ainda seguem no radar a possibilidade de a Rússia, maior exportadora de trigo, limitar seus embarques em função da quebra de safra no país, e o andamento da produção de trigo de inverno nos Estados Unidos.

Para o Itaú BBA, os preços do trigo nos principais portos internacionais parecem ter pouco espaço para quedas até a chegada da colheita do trigo de inverno em julho de 2022, em função do balanço apertado dessa safra global.

O balanço global de trigo na safra 2021/22 — que, em meados deste ano, acreditava-se que seria um dos mais confortáveis das últimas temporadas — transformou-se em um dos mais apertados da década. Intempéries nas lavouras, principalmente no Hemisfério Norte, mudaram o cenário. Ao mesmo tempo, diz o banco, a demanda seguiu crescendo — em parte, como reflexo da estratégia dos principais importadores de aumento de seus estoques e, em parte, pelo uso do cereal em substituição ao milho na composição das rações animais.

A soja também encerrou o dia em queda em Chicago. O contrato para janeiro, o mais negociado atualmente, caiu 1,95% (24,25 centavos de dólar), a US$ 12,1725 o bushel, e a segunda posição, para março, desvalorizou-se 2,04% (25,50 centavo de dólar), a US$ 12,2650 por bushel. A queda de mais de 5% nos papéis do óleo de soja exerceu pressão adicional sobre as cotações do grão.

Diante da aversão ao risco e com poucas novidades nos fundamentos para limitar as perdas, a soja passou por forte liquidação. Nem mesmo o anúncio do Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) da venda de 132 mil toneladas da oleaginosa para destinos não-revelados foi capaz de conter o declínio.

“Parece que, sem dúvida, a incerteza em torno da disseminação da ômicron foi o catalisador inicial. Quando isso se combinou com o volume de férias e com a liquidação de fim de mês, acabou ocorrendo uma mistura tóxica para o mercado de alta. Como se costuma dizer, na dúvida, saia”, disse o analista Dan Hueber, em relatório.

Um ponto de atenção do mercado da soja tem relação com o La Niña e seus efeitos para a produção global. Segundo avaliação da Organização Mundial de Meteorologia (OMM), o fenômeno climático será de fraco a moderado entre dezembro deste ano e fevereiro de 2022, mais do que o evento de 2020/21, mas ainda assim ele pode afetar setores sensíveis ao clima, como a agricultura.

No Brasil, maior produtor do mundo, as exportações de soja deverão chegar a 2,29 milhões de toneladas em novembro, segundo dados pela Associação Nacional de Exportadores de Cereais (Anec), baseados nas programações dos portos. Caso se confirme, o volume será 197% maior que o de novembro de 2020, quando as exportações somaram 770,3 mil toneladas.

O milho acompanhou o fraco desempenho de trigo e soja e também caiu na sessão. O contrato para março, o mais líquido, recuou 2,53% (14,75 centavos de dólar), para US$ 5,6750 o bushel.

Em um pregão pautado pela aversão ao risco, o petróleo e outras commodities, ativos considerados de maior risco, despencaram nas bolsas. De acordo com o analista Doug Bergman, da RCM Alternatives, desde segunda-feira é possível notar que os fundos de investimento estão vendendo suas posições, reduzindo assim sua aposta na alta do cereal.

Outro fator que pressionou o milho é a dúvida do mercado sobre como serão os novos mandatos de biocombustíveis nos Estados Unidos. Havia expectativa de que Agência de Proteção Ambiental do país (EPA, na sigla em inglês) apresentasse alguma sinalização, o que ainda não ocorreu.

No Brasil, as exportações de milho deverão somar 2,89 milhões de toneladas em novembro, de acordo com a Anec. A estimativa representa uma queda de 41,4% em relação ao mesmo período de 2020, quando as vendas ao exterior somaram 4,94 milhões de toneladas.

Fonte: Valor Econômico.

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