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Commodities: Com forte ritmo de vendas nos EUA, soja avança em Chicago

O forte ritmo das vendas de soja nos Estados Unidos impulsionou os preços do grão na Bolsa de Chicago. O papel mais negociado, que vence em julho, subiu 1,67%, para US$ 16,905 por bushel, e o contrato para agosto avançou 1,46%, a US$ 16,305 por bushel.

O Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) informou hoje que o saldo líquido (resultado de novos contratos e cancelamentos) das vendas americanas de soja da safra 2021/22 somou 752,7 mil toneladas na semana encerrada em 12 de maio. Esse volume é sete vezes maior que o negociado na semana anterior e 65% superior à média das últimas quatro semanas. Para 2022/23, foram negociadas 149,5 mil toneladas. Analistas consultados pelo jornal “The Wall Street Journal” previam que as vendas totais das duas temporadas ficariam entre 200 mil e 800 mil toneladas.

As vendas americanas de soja e milho ao mercado externo estão aumentando porque os importadores estão preocupados com a produção de grãos no mundo, afirma o analista Karl Setzer, da AgriVisor, em relatório. Mas, segundo ele, o movimento pode ser apenas uma antecipação de negócios. “Não é incomum ver os compradores mostrarem urgência e, em seguida, se afastarem do mercado, quando sentem que têm uma cobertura adequada”, diz.

O recuo do óleo de soja limitou a alta do grão nesta quinta-feira. Os contratos do derivado para julho caíram 1,3%, a 79,53 centavos de dólar por libra-peso.

A Indonésia anunciou hoje que retomará as exportações de óleo de palma a partir da próxima segunda-feira, segundo a agência Reuters. O país suspendeu os embarques do produto em 28 de abril na tentativa de frear as altas em seu mercado interno, mas a medida não funcionou como o governo desejava. Maior exportador mundial de óleo de palma, a Indonésia responde por 60% do fornecimento global. O óleo de palma, por sua vez, representa mais de um terço do mercado de óleo vegetal.

Milho

Os compromissos do milho para julho recuaram 2,4%, para US$ 7,815 o bushel. O papel para janeiro de 2023, por sua vez, caiu 2,5%, a US$ 7,5325 por bushel.

As vendas americanas somaram 435,3 mil toneladas da temporada 2021/22, quase o dobro da semana anterior, mas 36% abaixo da média. Para a próxima temporada, os EUA negociaram 588,5 mil toneladas. Os analistas esperavam que a soma das duas safras ficasse entre 750 mil e 1,3 milhão de toneladas.

Ontem, a Administração de Informações de Energia (EIA, na sigla em inglês) informou que a produção de etanol nos Estados Unidos ficou estável na semana passada, com média de 991 mil barris por dia. Já os estoques do biocombustível aumentaram pela segunda semana seguida, para 23,8 milhões de barris. Os investidores acompanham com particular atenção os dados da indústria de etanol porque, nos EUA, o milho é a principal matéria-prima para a fabricação do combustível.

O mercado também vê um cenário mais favorável ao avanço do plantio de milho nos EUA. “Há relatos de temperaturas quentes no Meio-Oeste nesta semana, e a leitura é de que o progresso do plantio está prestes a se acelerar rapidamente”, diz Jack Scoville, do Price Futures Group.

Trigo

Ainda pressionado pelo movimento de realização de lucros, o trigo desvalorizou-se em Chicago: os lotes para julho caíram 2,46%, a US$ 12,005 por bushel, e os papéis para janeiro de 2023 recuaram 2,19%, para US$ 12,06 o bushel.

Segundo Matt Zeller, da StoneX, os operadores continuam liquidando posições para embolsar os ganhos das altas recentes. O analista destaca, ainda, que as últimas quedas ocorreram apesar das evidências de uma safra de trigo fraca no Estado americano do Kansas. “Os técnicos estão confirmando uma safra de trigo extremamente instável no Kansas”, disse à Dow Jones Newswires.

O trigo tem subido nos últimos meses devido à escassez do produto no mundo decorrente da guerra entre Rússia e Ucrânia, dois grandes exportadores do cereal. A Índia, que vinha cobrindo parte da oferta que antes cabia a russos e ucranianos, anunciou no último sábado que suspenderá os embarques para priorizar o abastecimento do mercado interno, o que acentuou a valorização do cereal.

Ontem, porém, os indianos anunciaram que vão cumprir os acordos de venda de trigo firmados antes da decisão de interromper os embarques e que continuarão a exportar para o Egito, maior importador do mundo.

Segundo o USDA, as vendas de trigo americano da safra 2021/22 somaram 8,5 mil toneladas na última semana, um volume 40% menor que o dos sete dias anteriores e 82% inferior à média móvel de quatro semanas. Vale lembrar que a safra de trigo está quase no fim. Da próxima safra, foram negociadas 325,6 mil toneladas. O mercado esperava entre 5 mil e 400 mil toneladas.

Fonte: Valor Econômico.

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