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Commodities: colheita avança nos EUA; milho e soja sobem

Os contratos futuros da soja e do milho fecharam em alta nesta segunda-feira na bolsa de Chicago. Os grãos encontraram suporte em dados positivos de embarques nos Estados Unidos, que indicaram que a logística de exportação do país está se reequilibrando após as interrupções causadas pelo furacão Ida, que duraram semanas.

Os operadores também acompanham os trabalhos de colheita da safra americana e o início de plantio no Brasil. O contrato do milho para dezembro, o de maior liquidez, subiu 2,42% (12,75 centavos de dólar), a US$ 5,3950 o bushel. O papel de segunda posição, para março, por sua vez, avançou 2,34% (12,50 centavos de dólar), a US$ 5,470 o bushel.

“O milho ficou em território positivo, mas a alta foi limitada por relatos de rendimentos melhores do que o esperado no Cinturão do Milho Ocidental, embora os relatórios do Cinturão do Milho Oriental tenham sidos mistos, com algumas áreas afirmando que a produção será bem abaixo da média. Também houve apoio de números decepcionantes de rendimentos na Ucrânia”, disse o analista Karl Setzer, da AgriVisor.

O mercado também acompanha o clima no Meio Oeste americano para projetar o avanço da colheita nos EUA. “O calor do verão e o clima seco manterão um ritmo de colheita acelerado”, disse a AgResource à Dow Jones Newswires. A consultoria acrescenta, porém, que algumas chuvas devem atingir o meio-oeste oriental neste fim de semana, o que pode causar alguma desaceleração na colheita.

Mais cedo, o Departamento de Agricultura dos EUA (USDA) informou que as inspeções de embarque nos portos americanos somaram 517,5 mil toneladas na semana até 23 de setembro, uma alta de 28,3% em relação à semana anterior. Na comparação com a mesma semana de 2020, houve queda, de 37,4%. No ano-safra 2021/22, que começou em 1º de setembro, os americanos embarcaram 1,1 milhão de toneladas, 59,6% menos do que no mesmo período do ciclo passado (2,8 milhões de toneladas).

No Brasil, o plantio de milho verão até a última quinta-feira alcançou 26% da área prevista, segundo levantamento divulgado no sábado pela consultoria AgRural. O ritmo é similar ao registrado no mesmo período do ano passado.

Já a AgResource Brasil divulgou nesta segunda-feira sua primeira estimativa para as safras de milho no país. A previsão é que a produção total alcance 113,99 milhões de toneladas, o que seria 36,4% maior que as 83,58 milhões de toneladas colhidas em 2020/21, quando as duas principais safras do cereal foram prejudicadas pelo clima.

A primeira safra de milho deverá atingir 25,96 milhões de toneladas e a área plantada, 4,48 milhões de hectares. Para a segunda safra, a AgResource estima colheita de 87,01 milhões de toneladas e área de plantio de 15,43 milhões de hectares. A estimativa para a terceira safra é de produção de 1,01 milhão de toneladas e área de 594,2 mil hectares.

Os futuros da soja fecharam o dia em leve alta em Chicago. O contrato para novembro, o mais negociado, subiu 0,19% (2,50 centavos de dólar), a US$ 12,8750 o bushel, enquanto a posição seguinte, para janeiro, avançou 0,21% (2,75 centavos de dólar), para US$ 12,9750 o bushel.

O mercado começou a semana na expectativa com o relatório de estoques trimestrais do USDA, que será divulgado na quinta-feira e trará os números finais da safra 2020/21 no país. “Os traders ficarão cautelosos antes do relatório de 30 de setembro sobre os estoques trimestrais”, disse a AgriTel, em nota. Durante o pregão, o USDA reportou uma nova negociação de soja americana, de 334 mil toneladas, com a China. A volta dos chineses às compras da oleaginosa traz um alívio para os investidores, que começam a ver a logística de exportação dos EUA voltar ao normal.

O USDA também informou que os Estados Unidos embarcaram 440,7 mil toneladas de soja na semana encerrada em 23 de setembro, de acordo com as inspeções feitas nos portos americanos, um aumento de 58,9% em relação à semana anterior. A despeito da melhora, o número é 66% menor que o da mesma semana do ano passado, quando foram embarcadas 1,3 milhão de toneladas.

Na China, maior compradora global de soja, as tradings Louis Dreyfus e a Bunge receberam uma ordem do governo do país para paralisar as atividades por pelo menos uma semana, na cidade costeira de Tianjin, informou a agência Bloomberg. A decisão do governo chinês visa a reduzir o consumo de energia e garantir a oferta de eletricidade.

Esmagadoras de Tianjin, um dos principais polos de processamento de soja da China, suspenderam as operações no início da semana passada e talvez só retomem a produção em outubro, segundo pessoas a par do assunto. As unidades têm capacidade combinada de processamento de soja de cerca de 25 mil toneladas por dia. Um porta-voz da Bunge disse à Bloomberg que a empresa “atendeu ao mandato do governo, mas a produção total não é materialmente diferente do que esperávamos”. A Louis Dreyfus não quis comentar. O governo municipal de Tianjin não respondeu a perguntas enviadas por fax.

No Brasil, maior produtor mundial da oleaginosa, o plantio já ocorreu em 1,3% da área prevista, segundo levantamento divulgado no sábado pela consultoria AgRural. Na semana anterior, o percentual era de apenas 0,1%, e no mesmo período do ano passado, de 0,7%.

O ritmo segue lento, basicamente por causa das chuvas irregulares, do calor e da baixa umidade do solo em boa parte das regiões produtoras. Vale lembrar que, em 2020, as condições climáticas também foram adversas no início da semeadura de soja, o que provocou forte atraso. Para a consultoria Safras & Mercado, o plantio estava em 0,8% da área total esperada até o dia 24 de setembro. Os trabalhos estão atrasados em relação à média histórica para o período, de 1,4%.

O Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (Cptec) informou que a probabilidade de chuvas em diversas regiões do Brasil nos próximos dias é de mais de 70%, mas as precipitações devem ser irregulares.

O clima adverso pelo segundo ano consecutivo vem preocupando agentes de mercado, já que um potencial atraso poderia afetar os trabalhos da segunda safra de 2022 no Brasil. A AgResource Brasil estima que a safra 2021/22 de soja no Brasil deverá alcançar 143,69 milhões de toneladas, volume 7,9% (ou 10 milhões de toneladas) maior que as 133,14 milhões de toneladas do ciclo anterior.

A estimativa para a área de plantio é de 39,88 milhões de hectares, pouco maior que os 39,48 milhões de hectares da temporada 2020/21.

O trigo, por fim, encerrou o pregão desta segunda-feira em leve queda na bolsa de Chicago. O vencimento para dezembro, o mais ativo no momento, caiu 0,21% (1,50 centavo de dólar), a US$ 7,2225 o bushel, e o contrato de segunda posição de entrega, para março, recuou 0,14% (1 centavo de dólar), para US$ 7,3375 o bushel. O mercado do cereal continua observando as estimativas de produção mundial para 2021/22, que estão variando bastante semana a semana, mas também olham com preocupação para uma possível baixa demanda por trigo, segundo a consultoria Marex.

Os preços do cereal começaram o dia em alta, mas mudaram de direção após a divulgação de que os embarques americanos na última semana foram fracos. De acordo com o Departamento de Agricultura do país (USDA), as exportações somaram 286,1 mil toneladas na semana até 23 de setembro, volume 49,3% menor que as 563,4 mil toneladas da semana anterior. No ano-safra, iniciado em 1º de junho, os embarques somam 8 milhões de toneladas, 13,5% menos do que no mesmo período da temporada anterior (9,25 milhões de toneladas).

Fonte: Valor Econômico.

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