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Com ‘empurrão’ do preço do boi, confinamento pode ter leve alta

As expectativas sobre o desempenho do segmento de confinamento de gado no país em 2022 vão de queda pequena até leve aumento, mas com chances de maior firmeza caso o mercado futuro sinalize preços firmes. Para quem aposta em redução, que geraria uma “lacuna” na oferta de animais prontos para o abate entre julho e agosto, as cotações do boi gordo em São Paulo poderão retornar ao patamar de R$ 350 por arroba ao longo do segundo semestre. 

No primeiro giro, os animais chegam ao confinamento de março a maio, e saem entre junho e setembro. Segundo Maurício Velloso, vice-presidente da Associação Nacional da Pecuária Intensiva (Assocon), menos animais foram enviados para terminação em sistema intensivo. Ele projeta uma oferta “sensivelmente menor” nos próximos meses. 

Lygia Pimentel, diretora da Agrifatto, viajou pelo interior do país nas últimas semanas e viu muitos confinamentos vazios. “Em São Paulo, a lotação está grande porque, meses atrás, a diferença de preços em relação a alguns Estados, como Minas Gerais e Mato Grosso do Sul, era tão grande que os pecuaristas trouxeram animais para terminar aqui”.

A primeira projeção da holandesa DSM, que acompanha o desempenho dos confinamentos brasileiros há oito anos, vai na contramão e aponta para 6,8 milhões de cabeças terminadas em sistemas intensivos em 2022, avanço de 2% em relação ao ano passado. A estimativa parte de dados coletados em maio com 2,2 mil estabelecimentos espalhados pelo país. 

Hugo Cunha, gerente nacional de confinamento da DSM, diz que a alta será puxada pelos grandes estabelecimentos, com capacidade para mais de 10 mil animais ao mesmo tempo. “Os 100 maiores confinamentos do país receberão mais de 50% do rebanho este ano”, estima. “Se você for procurar vaga nos hotéis dos grandes frigoríficos não tem vaga nos próximos 30 dias”. 

De acordo com Cunha, apenas os pequenos confinamentos – com capacidade para até mil animais – pretendem investir menos neste ano, devido aos custos elevados.

“Corrobora essa nossa perspectiva o fato de que o boi magro, que compõe 70% do custo, está muito mais atrativo para compra do que em 2021. E o custo alimentar, quando comparamos os meses de maio e junho deste ano com os do ano passado, segue estável. ”, afirma ele. 

Cunha salienta que o cenário pode mudar a depender de movimentos imprevisíveis, como o embargo da China no fim do ano passado. “Em termos de volume, 35% do confinamento acontece no primeiro giro e 65% no segundo, que começa em julho e vai até o fim do ano. Se tivermos uma arroba firme nos próximos 90 dias e um mercado futuro sinalizando algo bom, acredito que o número pode ser até maior”, diz. 

No fim de março, durante a divulgação dos resultados do levantamento da DSM em 2021, o pesquisador Thiago Carvalho, do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), projetou alta no lucro do pecuarista em 2022, com base em custos e preços da época.

Em Campinas (SP), a saca de milho estava avaliada a R$ 97,20, em média, no dia 2 de março, acumulando alta de 81,5% em dois anos, segundo Cepea. Até o segundo dia deste mês, o valor caiu 11,7%, a R$ 85,80. Na mesma comparação, a arroba do boi no mercado paulista tinha subido 66,5%, para R$ 339,85, e depois caiu 7,4%, a R$ 314,60. 

A Agrifatto estima o preço do gado entre R$ 340 e R$ 350 por arroba em outubro – a Assocon aposta no teto dessa projeção, com perspectiva de novos avanços em 2023, para até R$ 370. “Isso para acompanhar os patamares dos custos de produção que temos hoje”, observa Velloso. 

Lygia lembra que, em ano de eleição presidencial, o boi sobe no segundo semestre. É assim desde 2002. “A alta ficou menos elástica conforme o poder de compra do brasileiro aumentou, mas ainda acontece”, frisa. Em 2018, segundo a consultoria, a arroba subiu 4,5%. 

É difícil projetar o segundo giro neste momento, conforme a Assocon. Nessa etapa do confinamento, a entrada de animais começa este mês e vai até setembro, para saída no último trimestre. “A ausência de um preço de boi que cubra os gastos faz com que o confinador não ingresse no giro. Se perguntar hoje, o índice de quem pretende confinar, não vai passar de 20%. Eu diria que ficaria mais perto de 15%”, estima Velloso. 

Segundo ele, o pecuarista está com medo de ter prejuízos com a alta dos grãos, em especial do milho. “O custo de produção aumenta mais que a arroba. E o boi sobe e desce, mas o custo não desce”. 

Cunha, da DSM, lembra que o segundo giro costuma ser mais significativo porque coincide com a entrada do milho safrinha e a alta sazonal do preço do boi. “Ele compra insumo mais barato em julho e vende um boi mais caro em novembro”. 

Fonte: Valor Econômico.

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