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Cistos ovarinos em fêmeas bovinas

Ed Hoffmann Madureira

Definição

Cistos ovarianos são desordens reprodutivas que afetam tanto fêmeas de leite quanto de corte. Os cistos ovarianos foram definidos como folículos anovulatórios, com diâmetro maior do que 25 mm e que persistem no ovário por aproximadamente 10 dias, na ausência de um corpo lúteo. Entretanto, estudos mais recentes realizados com o auxílio da ultra-sonografia, demonstraram que nem todos os casos de cistos se enquadram nesta definição. É possível que alguns cistos apresentem tamanho menor do que 25 mm de diâmetro e nem sempre persistam por um período tão longo quanto 10 dias.

O cisto pode ocorrer como estrutura única ou múltipla, em um ou ambos os ovários. São estruturas dinâmicas e, tanto cistos espontâneos ou induzidos por esteróides, são caracterizados por um rápido “turnover”, durante o qual o cisto original regride e um novo cisto se desenvolve, no mesmo ovário ou não. Podem ser classificados como cistos foliculares ou cistos luteinizados.

O dignóstico em vacas é freqüentemente baseado na palpação retal de estrutura com superfície lisa e flutuante, em um ou nos dois ovários, associado ao histórico de anestro, ciclos irregulares ou ninfomania. No caso de cistos luteinizados, o sintoma comportamental geralmente é de anestro. Entretanto, pela palpação retal nem sempre é possível distinguir entre o tipo de cisto, se existe um ou mais cistos e ainda, diferenciar de outras estruturas ovarianas.

A ultra-sonografia e a dosagem de progesterona plasmática podem ser utilizadas para aumentar a acurácia dos diagnósticos, bem como a diferenciação entre cistos foliculares e luteinizados. Cistos foliculares apresentam superfície lisa, parede fina (< 3 mm), antro não ecogênico e secretam baixas concentrações de progesterona plasmática (nível de 0,25 ng/mL). Os cistos luteinizados apresentam a parede mais espessa (entre 3 e 5 mm), debris celulares no antro e níveis mais altos de progesterona plasmática (3,9 ng/mL). Entretanto, podem ocorrer formas transicionais, e mesmo cistos foliculares com diferentes graus de luteinização da parede. Tratamento

O tratamento pode ser realizado com prostaglandina F2a (PGF2a), progesterona, hCG ou GnRH.

A PGF2a é recomendada para o tratamento de cistos luteinizados, uma vez que este tipo de cisto é responsivo à prostaglandina, permitindo o retorno normal ao estro.

A progesterona pode ser utilizada no tratamento devido a sua capacidade de modular a atividade do eixo hipotálamo-hipofisário e restabelecer o ciclo estral de forma regular. Após tratamento realizado com dispositivo intravaginal impregnado com progesterona (PRID® ou CIDR®) por 12 dias, os cistos tanto foliculares quanto luteinizados, podem sofrer regressão ou luteinização, indicado pelo aumento da espessura da parede do cisto ou não apresentarem nenhuma mudança morfológica detectada pela ultra-sonografia. Após a retirada do implante, uma grande proporção de animais é observada em estro num período de 4 dias. Entretanto, a taxa de gestação do primeiro serviço após o tratamento é baixa, em torno de 18 e 28%, respectivamente, para animais que apresentaram cistos foliculares e luteínicos. Após o terceiro serviço, para ambos os casos, a taxa de gestação pode alcançar 50%.

O mecanismo pelo qual a progesterona leva o cisto à regressão é provavelmente devido ao bloqueio que este hormônio provoca na freqüência do LH. Este bloqueio é dose dependente e portanto a colocação de apenas 1 dispositivo pode não ser suficiente. É importante relatar que os progestágenos, via de regra, não devem ser usados para tratamento de cistos porque o bloqueio que estes fármacos realizam na freqüência de LH é relativamente pequeno, ainda que mais de um implante seja utilizado.

O hCG (gonadotrofina coriônica humana) é uma gonadotrofina de origem não hipofisária que possui uma atividade predominantemente luteinizante e uma meia vida longa. Como ele atua nos receptores de LH, tornou-se uma opção bastante interessante pois pode provocar tanto a ovulação quanto a luteinização do cisto.

O hormônio liberador de gonadotrofinas (GnRH) possui a capacidade de induzir a luteinização de cistos foliculares pela indução da liberação de um pico de LH.

A aplicação de PGF2a 9 a 11 dias após o tratamento com hCG ou GnRH pode ser feita numa tentativa de se adiantar o surgimento do estro e encurtar o intervalo entre tratamento e concepção.

Tanto o GnRH quanto o hCG parecem possuir a mesma eficácia, mas vale lembrar que a possibilidade de se induzir a formação de anticorpos é muito maior quando se utiliza o hCG do que quando se utiliza o GnRH.

Como a combinação entre GnRH e PGF2a é bastante recomendada, alguns pesquisadores, inclusive no Brasil, vêm recomendando o protocolo conhecido como “ovsynch” para tratar cistos. Este protocolo consiste de uma aplicação de GnRH seguida de uma aplicação de PGF2a 6 ou 7 dias após e outra aplicação de GnRH 48 h após a aplicação de PGF2a. Como este tratamento sincroniza a ovulação, é possível realizar uma inseminação artificial em tempo fixo cerca de 18 h após a aplicação da 2a dose de GnRH.

Implicações

Nossa conduta tem sido a de se tratar os cistos, inicialmente com GnRH, freqüentemente seguido pela aplicação de PGF2a. Também temos utilizado o protocolo “ovsynch” com sucesso. Caso ocorra recidivas, a colocação de 2 dispositivos CIDR® ou PRID® tem sido nossa segunda tentativa. Como o custo tornou-se elevado em determinadas situações, temos colocado apenas 1 dispositivo aplicando-se hCG ou GnRH no momento da colocação. Nossa intenção com isto é de provocar aumento de produção de progesterona por parte do cisto, que sofre luteinização, para elevar os teores plasmáticos proporcionados pela aplicação de apenas 1 dispositivo e com isso bloquear nais eficientemente o LH.

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