Carne importada se impõe no mercado uruguaio

A carne desossada, maturada e embalada a vácuo do Brasil, continua ganhando espaço no mercado do Uruguai.

A diferença de preço favorece o crescimento das importações e julho fechará com um aumento em relação aos meses anteriores, segundo levantamento realizado pelo El País entre alguns importadores.

A maioria dos cortes vem da exportação de frigoríficos do Rio Grande do Sul, com uma qualidade muito semelhante à da carne produzida no Uruguai, porque, diferentemente de outros estados brasileiros, as raças de gado britânicas são manejadas da mesma forma que são feitas no pelo Uruguai.(base Angus e Hereford).

A indústria frigorífica não apenas importa carnes brasileiras – em alguns casos elas têm plantas de processamento em ambos os países – assim como as grandes redes de supermercados e os maiores fornecedores que concentram suas vendas no nível de restaurantes e açougues.

No caso do maior importador, entre 15 e 20 caminhões por semana estão entrando a partir do Rio Grande do Sul, embora a oferta tenha caído um pouco, porque esse estado brasileiro sofre uma queda no volume de boi gordo preparado para abate. Para isso, devemos acrescentar os que importam diretamente e os frigoríficos, que transformam a carne uruguaia principalmente para exportação.

“A carne importada vem crescendo na oferta”, disse ao El País Jorge López, diretor do Abasto “Santa Clara”. No caso desta empresa, 50% da carne que vende no nível de restaurantes e açougueiros são cortes desossados e de alta qualidade, importados do Brasil.

A importação de carne desossada do Brasil não é um fenômeno novo. Ele se arrasta desde muitos anos atrás, mas por uma razão de preços, esses cortes desossados estavam conquistando os consumidores. Hoje a grande maioria das ofertas de carne desossada que estão nos grandes supermercados e açougues são carne bovina importada.

Por enquanto só é permitida a entrada de carne bovina desossada do Brasil e do Paraguai, praticamente todos os cortes dianteiros e traseiros, menos assados (que é com osso) e lombos.

A porta é de ida e volta. Os importadores hoje afirmam ser capazes de trazer assados do Brasil, um corte arraigado entre os uruguaios e onde hoje existe uma grande diferença de preços entre os produtos locais e brasileiros.

Se esse corte pudesse ser trazido, o consumo cresceria mais, alguns importadores disseram ao El País.

As empresas uruguaias fizeram um esforço para baixar os preços, mas muitas vezes o valor do gado uruguaio – seu principal custo é a matéria-prima – impediu que competisse com o valor do gado gordo brasileiro. Isso abriu o caminho para a carne bovina importada no mercado interno.

Fonte: El País Digital, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.


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