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Carne bovina dos EUA está de volta às prateleiras da China – mas a China não se importa

Na loja do Sam’s Club no distrito de Shijingshan em Pequim, a oferta de carne bovina resfriada está tão dominada pelos cortes australianos, que muitos clientes nem se dão conta dos poucos pacotes de carne dos Estados Unidos disponíveis.

“Eu não notei a carne bovina dos EUA aqui”, disse Hui Xue, que estava comprando bifes que ele prepara uma vez por semana. Mesmo que ele visse o produto, provavelmente não teria colocado no carrinho. A carne americana – de volta à China depois de 14 anos como parte de um acordo comercial realizado pela administração de Donald Trump – só estava disponível em pequenas tiras, ao invés de em pedaços maiores.

Amostras de carne bovina dos EUA durante um evento promocional em Pequim em 30 de junho. Fotógrafo: Fred Dufour/AFP via Getty Images

Viveca Zhang, outro comprador da loja, também ignorou a oferta americana. “Eu gostaria de experimentar a carne americana, mas há apenas algumas opções para escolher”, disse ela.

Sua reticência enfatiza as barreiras que a carne bovina dos EUA enfrenta em sua reentrada no segundo maior consumidor do mundo depois de ser barrada em 2003 devido a preocupações com a encefalopatia espongiforme bovina (EEB).

Apesar de o retorno da carne americana no mercado chinês tenha gerado uma reação muito positiva ao governo de Trump, que prometeu grandes envios, os produtores talvez precisem ligar com essa longa espera no mercado. Isso porque os países rivais, incluindo Austrália e Brasil, correram para dominar as vendas quando os americanos foram excluídos.

“O comércio crescerá gradualmente, mas não acho que isso aumentará em uma extensão em que afetaria o mercado de carne da China, devido à sua oferta limitada”, disse Chenjun Pan, analista da Rabobank International, sobre a carne dos EUA.

A China, maior produtor e consumidor de carne suína do mundo, viu a demanda por carne bovina crescer à medida que os rendimentos aumentavam, levando as pessoas a gastar em novos e variados tipos de alimentos. As importações deverão aumentar para 950 mil toneladas este ano de 26 mil toneladas em 2003, de acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA.

A quantidade de produtos americanos que entram na China atualmente é relativamente pequena porque “os EUA produzem carne bovina de maneira diferente de outros países, como Austrália e Brasil, que não usam alguns aditivos para alimentação animal que são proibidos pelo governo chinês”, disse Pan.

Esse sentimento contrasta fortemente com o otimismo desenfreado expressado pelos oficiais dos EUA e representantes da indústria em uma cerimônia em Pequim, em 30 de junho, comemorando o retorno da carne bovina dos Estados Unidos.

“A carne bovina é um grande negócio na China e estou convencido de que, quando os chineses apreciarem a carne dos EUA, vão querer mais”, disse Sonny Perdue, secretário de Agricultura dos EUA, enquanto promovia o acordo bilateral em Pequim. “Estes produtos que entram na China são seguros, saudáveis e muito deliciosos”.

O presidente Trump até retwittou uma história no mês passado para expressar seu entusiasmo: “Depois de 14 anos, a carne bovina dos EUA atingiu o mercado chinês. O acordo comercial é uma oportunidade emocionante para a agricultura.”

A China proibiu as exportações de carne bovina dos Estados Unidos em dezembro de 2003, depois que uma vaca no estado de Washington mostrou resultado positivo para EEB. De acordo com o Departamento de Agricultura dos EUA, a vaca leiteira diagnosticada foi importada do Canadá.

Não haverá uma “quantidade significativa” de carne bovina dos EUA entrando no mercado chinês no curto prazo, de acordo com Jake Parker, vice-presidente do Conselho Empresarial dos EUA-China em Pequim. O produto americano ainda enfrenta rigorosas regras governamentais chinesas, com a carne bovina se qualificando ao preço do mercado premium, disse ele.

Volumes limitados

“Os volumes atuais são limitados devido aos requisitos de exportação”, disse Caroline Ahn, porta-voz do gigante de carne dos Estados Unidos, Tyson Foods Inc. “Qualquer aumento na demanda da China é uma ótima notícia para o nosso negócio, bem como para os produtores de gado independentes que fornecem o produto para nós.”

Das 600 mil cabeças de gado abatidas nos EUA a cada semana, apenas cerca de 1.600 podem atender às especificações chinesas, disse Zhifeng Cai, gerente do departamento de produtos frescos da Womai.com, a plataforma de varejo online do gigante d alimentos da China, Cofco Corp. ., que foi o primeiro que importou carne bovina americana no país.

O secretário de Agricultura dos Estados Unidos, Sonny Perdue, em reunião com o chinês Han Changfu em Pequim em 30 de junho. Fotógrafo: Jason Lee/AFP via Getty Images.

Parte do primeiro lote de carne bovina da Cofco foi oferecido na Womai.com e esgotado dentro de dois dias, disse Yun Yuan, gerente de relações públicas do site, sem fornecer detalhes sobre o volume que foi vendido. Dos mais de 50 itens atualmente oferecidos na seção de carne importada do site, menos de 5 eram dos Estados Unidos.

A Sam’s Club, loja operada pela Wal-Mart Stores Inc., vendeu sua primeira carne bovina dos Estados Unidos na China no final de junho. Entretanto, o gigante do varejo não tem planos imediatos de vender carne bovina americana em seus Supercenters mais baratos, disse Wendy Li, porta-voz do Walmart China.

O mercado de carne bovina importada da China é dividido em carne resfriada e congelada. Brasil, Uruguai e Austrália representam mais da metade do mercado de carne congelada menos caro, mostram dados chineses. Para a carne de resfriada premium, a maior competição para a carne dos EUA é da Austrália, da qual a nação asiática importou 6.833 toneladas no ano passado, mostram os dados. Os volumes de entrada, incluindo a carne congelada da Austrália, foram de 110.758 toneladas.

A China importou um total de 11,1 toneladas de carne resfriada e congelada combinada dos EUA em junho, em comparação com embarques de 9.502 toneladas da Austrália. O Brasil é o principal fornecedor de carne bovina da China.

Coleen Feng, outro comprador do Sam’s Club, que também ignorou a carne americana, disse que comer carne australiana “tornou-se um hábito”.

Fonte: Bloomberg, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

This post was published on 8 de agosto de 2017

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