Carne 2050: confira previsões de 10 especialistas sobre o futuro da carne no Reino Unido

Como parte do especial anual “Meat, Fish & Poultry” do The Grocer, a publicação pediu a especialistas da indústria para falarem sobre suas previsões sobre o consumo e a produção de carne no Reino Unido que deverá mudar muito até 2050.

Albert Vernooij, analista do setor de proteínas do Rabobank: “Os consumidores comerão menos carnes frescas e mais carnes processadas e produtos provenientes de carne de frango e suína. A carne bovina ficará restrita a ocasiões realmente especiais. Ela será bem mais cara e não serão muitas pessoas que saberão como cozinhá-la adequadamente. Em termos de origem, nós provavelmente veremos um mercado de dois níveis até 2050: a carne fresca será produzida localmente no Reino Unido e terá um valor prêmio significativo e a carne processada e congelada virá através de cadeias de fornecimento mais globalizadas”.

Andy Weston-Webb, da Birds Eye, no Reino Unido: “Os consumidores ainda irão buscar proteínas fáceis de preparar. Já estamos vendo uma falta de habilidades no preparo hoje e é improvável que isso melhore. Haverá um grupo de consumidores que desejarão comprar alimentos que são produzidos localmente, mas muitos vão querer simplesmente alimentos de alta qualidade que são produzidos com um impacto aceitável em termos de sustentabilidade e bem-estar animal. Isso importará mais do que a origem. O frango e o peixe ultrapassarão outras proteínas, devido a seus benefícios para a saúde e sustentabilidade”.

Chris Thomas, diretor executivo no Reino Unido da Tulip: “Para nós como produtores de carne, um dos maiores desafios será a globalização, que vem com um maior risco de doenças. A proteção contra doenças será um importante desafio que exigirá investimentos constantes em ciência, para que se entenda melhor as causas das doenças e como elas podem ser melhor prevenidas, e controles rígidos dos movimentos dos animais e bem-estar animal para garantir que todos os problemas sejam contidos rapidamente. Como uma indústria, também teremos que reconhecer que somos cada vez mais parte de uma comunidade global. Com isso, vem a responsabilidade social para todos nós de disseminar conhecimento e informações quando os temos sobre as melhores práticas de controle de doenças e de manejo dos animais. Isso inclui trabalhar de forma colaborativa com mercados em desenvolvimento para apoiá-los em sua curva de aprendizado”.

Kevin Brennan, diretor executivo da Quorn Foods: “A crescente demanda no mundo em desenvolvimento coloca enorme pressão na produção e nos preços da carne e somente a economia pressionará mais pessoas em direção a carnes alternativas. Não será somente por questões de saúde ou meio-ambiente, embora esses fatores devam continuar tendo um importante papel também. Os produtores serão cada vez melhores e isso direcionará a aceitação dos consumidores”.

Rob Percival, responsável pela política da Soil Association: “Iremos comer menos carne, mas de melhor qualidade. Nossa dieta será predominantemente baseada em vegetais, mas também haverá um papel para uma variedade de proteínas de alta qualidade. Isso será direcionado por uma preocupação com o bem-estar animal, orçamentos apertados e um maior entendimento dos impactos para a saúde de consumir muita carne e carne barata e o desejo de comer carne que não prejudique o planeta. Os consumidores estão cada vez mais entendendo que o que é bom para nós é também bom para o planeta e para os animais. A produção será menos intensiva e menos dependente dos alimentos animais importados e estaremos comprando mais através de redes locais de fazendas agroecológicas, como orgânicas”.

Jimmy Smith, diretor geral do Instituto Internacional de Pesquisa Pecuária: “A demanda por alimentos de origem animal no mundo em desenvolvimento está aumentando e essa tendência continuará. A principal coisa a se entender é que não está do lado da oferta, mas o crescimento está liderado pela demanda. As pessoas no mundo em desenvolvimento, onde o consumo é geralmente baixo, estão decidindo comer mais carne à medida que sua renda aumenta”.

Andrew Thompson, diretor regional europeu da Genius: “Os consumidores aqui não querem animais geneticamente modificados em curto prazo. As atitudes estão muito conservadoras e a seleção natural é preferida. Precisaremos adotar tecnologias de formas aceitáveis, porque o consumidor está certo no final. É por isso que a genômica será tão importante. O setor de carne suína é de longe mais avançado nesse sentido, de forma que há uma grande oportunidade para a carne bovina fazer melhoras na eficiência com isso”.

Peter Hardwick, chefe de desenvolvimento comercial do Eblex: “Até 2050, deveremos ver uma indústria mais concentrada de carne bovina e ovina no Reino Unido do ponto de vista da produção, mas eu não espero que haja mudanças significativas em direção à intensificação para a produção de ruminantes. Se a demanda continuar aumentando em países que não podem suprir sua própria demanda por carne bovina e ovina (por exemplo, por causa da mudança climática, crescimento populacional e outros fatores), não posso ver nenhuma razão pela qual nossa indústria aqui no Reino Unido não se tornaria maior, mesmo se o consumo no Reino Unido ficar sob pressão”.

Andrew Large, diretor executivo da British Poultry Council: “Acreditamos que o Reino Unido será uma importante fonte de produção de carne no futuro, mas somente se o governo continuar dando suporte à segurança alimentar e ao comércio. Nós prevemos que as aves criadas no país serão a grande maioria das vendas de aves. Como os mercados de aves criadas sem gaiolas ou orgânico crescerão dependerá da disposição dos consumidores de pagar por esses produtores e se as regulamentações permitirão que eles sejam produzidos a um custo razoável”.

Julia Glotz, editora de alimentos frescos da The Grocer: “Teve uma palavra que continuou surgindo quando estava pesquisando para esse artigo: eficiência. Seja sobre o uso da terra e da água, seja evitando desperdícios ou selecionando animais que convertem alimentos de forma mais eficiente, o consenso claro é que os produtores e fornecedores de proteína terão que trabalhar muito mais duro no futuro para prover que estão fazendo um uso mais eficiente de recursos cada vez mais raros.

Entretanto, quais as responsabilidades que os consumidores terão nesse contexto estão menos claras. Evitar desperdícios obviamente requer participação dos consumidores, mas fiquei impressionada de ver quantos de nossos especialistas previram que os consumidores se tornariam ainda mais direcionados pela conveniência e com habilidades mais baixas na cozinha do que as de hoje.

Há uma tensão óbvia na eficiência da demanda, mas ao mesmo tempo, não tendo habilidades culinárias para aproveitar o máximo de cada parte do animal – incluindo aqueles pedaços e cortes que requerem mais tempo e esforço para se tornarem palatáveis. À medida que a necessidade de produzir carne de forma mais eficiente continua na agenda pública, a necessidade de consumi-la de forma mais eficiente deve ser debatida tão vigorosamente quanto”.

Fonte: The Grocer, traduzida e adaptada pela Equipe BeefPoint.


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