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Candidato ao Nobel da Paz, Paolinelli quer levar tecnologias para pequenos produtores

Candidato ao prêmio Nobel da Paz 2021 por seu trabalho no desenvolvimento da agricultura sustentável no Cerrado, o ex-ministro da Agricultura Alysson Paolinelli, de 84 anos, disse que ainda pretende buscar soluções para a falta de acesso às tecnologias por grande parte dos pequenos produtores rurais do país.

“Tenho a responsabilidade, se receber esse título, de intensificar toda a minha ação para resolver esse gravíssimo problema. O Brasil não pode ficar com alguns milhões de produtores no mercado e um número maior de agricultores de subsistência que não produzem nem pra si”, afirmou durante a coletiva para anúncio da candidatura ao prêmio realizada hoje.

O problema a que se refere é o abismo existente entre o agronegócio consolidado, que exportou mais de US$ 100 bilhões em 2020, e as 4,5 milhões de propriedades rurais em todo o país, grande parte no Norte e Nordeste, que precisam de políticas e assistência para evoluir.

A pandemia e as discussões sobre segurança alimentar reforçaram o peso da candidatura de Paolinelli, na opinião de Roberto Rodrigues, também ex-ministro da Agricultura, que coordena o conselho de entidades que encabeça a iniciativa. No ano passado, o programa de alimentação da Organizações das Nações Unidas (ONU) foi o vencedor.

Uma eventual conquista do prêmio também seria uma virada de página para o agronegócio brasileiro, acredita Paolinelli. “A sustentabilidade passou a ser a coluna dorsal da nossa defesa porque a pandemia trouxe a preocupação relevante com a segurança alimentar”, relatou, ao mencionar que as tecnologias tropicais podem ser replicadas na África, em países da Ásia e da América do Sul. “Seguramente esse prêmio vai mexer na imagem brasileira lá fora e resgatar a imagem de agricultura sustentável do Brasil”.

O prêmio será definido pelo comitê da Noruega responsável pelo Nobel. A previsão é que o vencedor seja conhecido somente em outubro. Até lá será feito um intenso trabalho para divulgar internacionalmente a história de Paolinelli, com encontros virtuais e campanhas de comunicação na Europa.

O conselho de entidades que encabeçou o movimento a favor dele também criou um site e vai lançar um livro sobre a trajetória do ex-ministro. Outra possibilidade em estudo é a produção de um documentário. “Alysson Paolinelli é o maior brasileiro vivo”, disse Roberto Rodrigues.

“Sustentabilidade leva à paz. Temos uma agricultura sustentável, introduzida por Alysson, que pode ser exportada para outros países. Mérito para dar imagem do Brasil de promotor de tecnologia, da alimentação, de desenvolvimento das regiões rurais e da paz”, afirmou Jacyr Costa, presidente do Conselho Superior do Agronegócio da Federação das Indústrias do Estado de São Paulo (Cosag/Fiesp).

Márcio Lopes de Freitas, presidente da Organização das Cooperativas Brasileiras (OCB), acrescentou: “Temos um débito com ele por desenvolver um modelo de agricultura sustentável para os trópicos e com modelo sustentável também que é cooperativismo, a base do desenvolvimento do Cerrado brasileiro”.

Questionado sobre o vínculo dele com o governo militar, e uma possível incoerência com a candidatura ao prêmio de Nobel da Paz, Paolinelli disse que conheceu o então presidente Ernesto Geisel só depois que assumiu o Ministério da Agricultura, e que teve a confiança para desenvolver o trabalho planejado, focado na pesquisa agropecuária e na ciência para aumentar a produção e garantir a autossuficiência do país.

Já sobre o desmatamento que a ocupação econômica do Cerrado provocou, Paolinelli ressaltou que a atividade agrícola no bioma é sustentável devido ao uso das tecnologias, e que a intensificação dessas técnicas é o que pode ajudar a proteger ainda mais a Amazônia, grande foco das críticas internacionais. Para isso, defendeu ele, é necessário expandir o uso da irrigação com águas superficiais e a prática da integração Lavoura-Pecuária-Floresta (iLPF).

“Isso poderá incorporar ao processo produtivo de grãos mais uns 90 milhões a 100 milhões de hectares sem prejudicar qualquer outra área brasileira. Nós já temos tecnologia para evitar que se faça degradação das áreas amazônicas e para recuperar áreas degradadas”, citou. “Estou afirmando que temos um arsenal para combater esses erros que ainda existem e somos capazes sim de resolver a recuperação das áreas que os irregulares têm degradadas”, concluiu.

Fonte: Valor Econômico.

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