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Boi inteiro x castrado – o que podemos aprender e refletir com o Uruguai

Roberto Barcellos, da Beef&Veal, está participando do evento no Uruguai chamado 16ª Jornada Anual sobre produção intensiva de carne, organizado pelo Alvaro Simeone que nos recebeu ano passado na viagem técnica do BeefPoint ao Uruguai. O ponto mais interessante das reflexões e anotações do Roberto é a questão da produção de boi  inteiro x boi castrado.

No Uruguai, a produção é predominantemente de bois castrados e não abrem mão disso pela qualidade de carcaça, em especial pH.

Nas fotos abaixo, você pode ver resultados de experimentos conduzidos no Uruguai.

Os resultados são interessantes, apesar de não serem uma surpresa para os entendidos, servem como uma ótima forma de ilustrar as diferenças dos dois sistemas.

Boi inteiro cresce e ganha mais peso em todas as etapas, do pré-desmama ao confinamento. A performance é praticamente 10% melhor ao se medir peso vivo. Mas em 95% dos casos há problema de pH.

O boi castrado ganha menos peso, mas tem uma cobertura de carcaça superior e medida de pH muito melhor.

Apesar da melhor performance, o Uruguai escolheu o caminho do boi castrado e vem colhendo os frutos de maior aceitação do seu produto. Segundo Roberto Barcellos, no Uruguai a indústria da carne é muito importante para o país e também se dá muito valor para a produção de carne de qualidade.

Qual é o caminho para a pecuária brasileira? O que podemos aprender com esses dados e com a decisão do Uruguai?

Deixe sua opinião sobre esse tema, nos comentários abaixo.


Fonte: Página no Facebook da Beef&Veal, empresa de Roberto Barcellos.

This post was published on 14 de agosto de 2014

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  • Enquanto o pecuarista estiver recebendo somente pelo peso na balança, pra que castrar seus animais? É preciso toda uma mudança na forma do pagamento por parte dos frigoríficos para que a castração seja rentável...caso contrário, o boi vai continuar "inteiro".

  • É só pagar 15% à mais pelo boi castrado e o pecuarista brasileiro produzirá. Simples assim.

  • A cozinheira sabe , a dona de casa sabe, o açougueiro sabe e o frigorifico sabe. Não pense que o produtor ignora que a qualidade da carne do boi castrado é muito melhor, tanto pelo acabamento como pelo PH.
    A questão é , quanto cada um deles esta disposto a pagar por isso?
    Eu não vou repetir as contas que já fiz mais de uma centena de vezes na fazenda antes de tomar a decisão , vou apenas me basear nos números citados na conversa com o Roberto.
    Se o " boi inteiro" que aliás se é inteiro é touro e não boi, tem um desempenho 10% melhor. O boi castrado deveria valer pelo menos 10% a mais ( isso fazendo conta de padaria).
    O produtor não castra o boi não é porque gosta de produzir um produto de pior qualidade, ele faz isso porque tem que pensar na sua sobrevivência, em uma atividade onde as margens são tão pequenas e onde a conversa com a indústria é inexistente. O que manda na relação é apenas o interesse inediato daquele que está comprando, se precisa comprar paga muitas vezes o mesmo preço por uma mercadoria AAA e uma C, nivela por baixo o mercado e desestimula aquele que precisa de tempo, planejamento e investimento.
    Quando o mercado remunerar o custo e a perda de produtividade da castração, o produtor vai correr para atender a esta demanda.

    Abraços aos companheiros Miguel e Roberto

  • São evidentes as vantagens do boi inteiro, principalmente em relação ao ganho de peso, rendimento, e peso final. Penso que podemos ter as duas opções,objetivando mercados bem definidos.

  • Creio, que realmente é interessante primarmos pelo boi castrado, mas desde que este tenha alguma vantagem econômica e retorno ao pecuarista que compense tal procedimento dentro da propriedade. Este procedimento além de perda de peso na carcaça final também requer alguns gastos a mais no próprio manejo interno da propriedade.
    Mais uma vez entramos naquele velho impasse entre os "parceiros", frigoríficos e pecuaristas.
    Falando do lado do pecuarista, pelo menos da minha parte, queremos produzir o que o consumidor final quer e deseja, desde que exista uma remuneração para tal produto, que não fique apenas na mãos dos nossos "parceiros" frigoríficos.
    Parceria é tudo que é bom para ambas as partes.

  • Bom dia, engordo boi e minha opção é pelo boi castrado pelo fato dos animais, ficarem mais calmos e melhor acabamento de carcaça. Quanto a diferença de ganho de peso, procuro compensar com mais rapidez na sua terminação.

  • Olá Miguel, sou já um zootecnista ficando coroa, formado pela UFSM em 88 e com 25 anos de TO, assíduo acompanhante de teu trabalho. Sobre o tema, me permito dizer que não sei se existem pesquisas sobre a relação entre castração/não castração e lotação na tentativa de procurar a melhor produtividade em kgs/ha, e não kgs/animal. Sou de velha escola gaúcha e acho que pesquisas neste sentido, se houverem, vão referendar o que qualquer homem campero observa, uma diferença substancial na lotação para mais lidando com bois do que com inteiros (turunos chego a chamar) e ainda levando em conta a diferença gritante de facilidade de manejo e diminuição de problemas em várias etapas do dia a dia do serviço. Dá uma conversa longa. Abraços e parabéns. Victor Brum

  • No Brasil nao ha incentivo $ a produção de carne de qualidade ,ou seja de um boi mais novo e marmoreado, e quando ha é mínima e localizada como o boi p/exportação.
    Durante anos castrei cedo e engordei gado com uma genética superior e manejo diferenciado,o que me permitia fornecer um gado de qualidade ao frigorifico.CANSEI de ver gado mestiço de leite , e bem mais herado,ser vendido pelo mesmo preço por @ [se estivesse gordo],e com um peso bem maior.
    Os frigoríficos estão certos pois eles também nao apuram mais em carne diferenciada porque a dona de casa escolhe basicamente pelo preço,nao como nos EUA onde ela tem um selo do USDA que diz a qualidade [prime choice good etc] .
    Se queremos continuar crescendo como exportadores de carne para o mundo todo temos que em um dado momento começar a implantar um sistema de classificação da carcaça pois tem mercado para tudo contanto que o comprador saiba o que esta comprando.

  • Achei muito pertinente a discussão, mas gostaria de saber como no Uruguai é tratada a castração (orquiectomia) dos animais, pois essa questão também se reveste da necessidade de boas práticas pecuárias e perpassa por uma discussão sobre bem-estar animal. Ao discutir a adoção da castração nos sistemas de produção de bovinos de corte é preciso que se discuta também como a medida é adotada e praticada. Isso de um certo modo tem sido negligenciada, pelo menos em alguns lugares do Brasil. Castração é técnica cirúrgica e como tal deve ser prática por médicos veterinários, com os devidos cuidados que a técnica requer. Não pode ser tratada como uma simples medida de manejo.

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