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Biome4All desenvolve mapa genético do solo

Nos próximos três anos, a startup de biotecnologia Biome4All, em parceria com 110 consultorias e um fundo de investimento, trabalhará naquela que pode ser a maior iniciativa de mapeamento genético do solo do país. Batizado de Agro Bioma Brasil, o projeto analisará uma área total de 5 milhões de hectares, ocupados por 55 diferentes culturas. O investimento será de R$ 29 milhões. 

O projeto materializa a visão da Biome4All de que os micro-organismos presentes no solo serão um elemento central no próximo salto de produtividade da agricultura. Segundo Leonardo Gomes, CEO da empresa, quando os produtores rurais têm mais conhecimento sobre o solo em que plantam, eles conseguem usar 40% menos insumos químicos na produção e elevar a produtividade em até 30%. Os resultados variam de acordo com a cultura e o histórico da fazenda.

“Estamos construindo um amplo acervo de dados genéticos dos principais solos agrícolas. Isso nos permitirá identificar padrões e estabelecer correlações com estratégias de tratamento para recuperação de solos degradados e ganhos de eficiência e produtividade no agronegócio, por meio de práticas sustentáveis”, afirma o executivo. 

Gomes acredita que, além de ampliar a base de dados da Biome4All, o trabalho também será importante para levar a tecnologia ao conhecimento dos produtores. Ao identificarem ganhos de produtividade no dia a dia, argumenta ele, os agricultores devem concluir que se trata “de investimento, e não de custo”. 

Commodities e hortifrútis 

Em seu primeiro ciclo, o projeto deverá analisar áreas ocupadas por grandes commodities e alguns hortifrútis. Ainda neste ano, haverá também ensaios na Argentina e no Chile. Depois, em um terceiro ciclo, as avaliações deverão alcançar 10,3 milhões de hectares, distribuídos pela América do Sul, Estados Unidos e Europa, estima a startup. 

“Esse é um estudo inédito e exclusivo. Ele trará respostas práticas sobre os ganhos de eficiência, produtividade e da biodiversidade do solo nos diferentes cenários”, diz Marcus Adonai Castro da Silva, microbiologista e cofundador da Biome4all. 

As consultorias parceiras escolherão as áreas a serem analisadas e para as quais serão propostas estratégias de manejo. A ideia é comparar áreas com produtividade, custos e sistemas de manejo diferentes. A agtech, por sua vez, usará sua plataforma Agri-Analysis para analisar as informações, em um trabalho que permitirá entender aspectos relacionados, por exemplo, à saúde e nutrição das plantas. A ferramenta servirá também para direcionar a tomada de decisões.

As operações da Biome4all começaram efetivamente em 2020, diz o CEO, que projeta “crescimento exponencial” neste ano – a empresa não informa seu faturamento. Em junho, a agtech captou R$ 400 mil em uma rodada de investimento com a participação de um “investidor estratégico”. 

Fonte: Valor Econômico.

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