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Benefícios econômicos do resfriamento de bois de engorda no Brasil

Por Israel Flamenbaum Ph. D e Adriano Seddon DVM, da Cowcooling Flamenbaum & Seddon, Ltd.

O estresse por calor e o resfriamento geralmente estão relacionados a vacas leiteiras de alto rendimento. A verdade é que isso também ocorre em bois de engorda, principalmente nas fases avançadas de engorda e antes do abate. Nesta fase, os bois estão em alta taxa metabólica, geram muito calor a ser dissipado e são altamente sensíveis às condições de estresse térmico, podendo se beneficiar do tratamento de resfriamento.

Neste artigo, pretendemos descrever o conhecimento científico sobre o tema e, posteriormente, com base nos resultados apresentados, avaliar o benefício econômico esperado na mitigação do estresse térmico de bois em engorda.

O primeiro tratamento para ajudar a engordar bois em climas quentes é protegê-los da exposição à radiação solar.

O primeiro estudo foi realizado no início dos anos 60 (Garret et. Al. 1960), comparando o consumo de ração, o ganho de peso e a eficiência alimentar entre um grupo de bois mantidos ao sol com outro grupo de bois que tiveram acesso à sombra. Os resultados são apresentados na Tabela 1.

Tabela 1 – Consumo de ração, ganho de peso corporal e eficiência alimentar de bois mantidos ao sol, em comparação com bois com acesso à sombra.

O segundo estudo foi publicado em 1973 por Lofgreen et al nos Estados Unidos, onde foi avaliada a frequência de molhar bois como tratamento de resfriamento. Três grupos de 21 bois foram alocados em um dos três tratamentos. Os bois do primeiro grupo serviram como controle e permaneceram sob sombra apenas, enquanto os bois dos outros dois grupos foram molhados uma vez a cada 30 ou 60 minutos. Os resultados estão apresentados na tabela 2.

Tabela 2 – Consumo de ração, ganho de peso corporal e eficiência alimentar de bois mantidos somente à sombra, ou à sombra com molhamento a cada 60 ou 30 minutos.

A partir do que pode ser visto na tabela 2, podemos perceber que resfriar bois por molhamento pode ser um tratamento eficaz, e a eficácia está relacionada à frequência de molhamento, onde molhar os bois com mais frequência dá melhores resultados.

O terceiro estudo foi realizado no Vale do Jordão, uma das partes mais quentes de Israel, também no início dos anos 70 (Holzer et. Al. 1972). O ganho de peso diário foi comparado entre dois grupos de 18 bois cada. O experimento teve duração de 110 dias, dos quais 80 dias ocorreram em dias quentes de verão, enquanto os últimos 30 dias ocorreram no outono, com condições muito mais frescas. Os bois de um grupo foram mantidos sob sombra apenas, enquanto os bois do outro grupo receberam sombra e tratamento de molhamento dado por aspersores sobre o cocho de ração. Os resultados são apresentados na Tabela 3.

Tabela 3 – Ganho de peso diário de bois de engorda com sombra, ou sombra mais molhamento nos períodos de verão e outono

Do visto na tabela 3 podemos perceber que resfriar bois por molhamento pode ser um tratamento eficaz, uma vez que os bois enfrentam condições realmente estressantes, mas pode afetar negativamente o ganho de peso dos bois, quando o resfriamento não é necessário.

O último estudo foi realizado em Israel no início dos anos 90 (Ofir e Flamenbaum, 1992). O estudo comparou 3 grupos de 27 bois cada, alojados em confinamento. Os bois do primeiro grupo receberam sombra apenas com acesso livre ao pasto sem sombra. Os outros dois grupos receberam um tratamento de resfriamento combinando ventiladores e aspersores sobre as baias, sendo que um desses grupos tinha acesso livre a um piquete sem sombra (“resfriamento voluntário”), enquanto o outro grupo, nenhum acesso ao piquete era permitido e os bois eram obrigados a permanecer sob resfriamento todas as 24 horas (“resfriamento obrigatório”). O consumo diário de ração, o ganho de peso e a eficiência alimentar dos bois nos 3 grupos são apresentados na tabela 4.

Tabela 4 – Consumo de ração, ganho de peso corporal e eficiência alimentar de bois mantidos na sombra, em comparação com touros resfriados ao sol, em comparação com bois resfriados por uma combinação de ventiladores e aspersores de forma “voluntária” ou “obrigatória”

Do observado na tabela 4 podemos apreender que, assim como no observado no estudo 3, resfriar bois em uma intensidade acima da necessária pode ser negativo para a eficiência de ganho de peso. Muito provavelmente, os bois do grupo de “resfriamento obrigatório” foram resfriados muito mais do que precisavam e provavelmente compensaram canalizando a ração adicional consumida para manter a temperatura corporal normal, em vez de aumentar a massa corporal. O “resfriamento voluntário” foi o mais eficiente, ganhando 100 gramas por dia a mais do que o grupo controle somente com sombra e precisou de menos ração para o ganho de peso.

Em resumo, o apresentado nestes 4 estudos indicou que o ganho de peso de touros de engorda é negativamente afetado em condições de estresse por calor, quando sombra, aspersão e uma combinação de aspersão com ventilação forçada podem ser benéficos, aumentando o ganho de peso diário e, não menos importante, na taxa de conversão de ração em carne (eficiência alimentar), que têm importância crítica na economia da produção de carne.

Com base nos números apresentados neste artigo, gostaríamos de apresentar as implicações econômicas da implementação desses meios de resfriamento, nas atuais condições de engorda de bois brasileiros.

O benefício econômico do resfriamento de bois de engorda no Brasil

Para o cálculo, foram utilizados os resultados apresentados na tabela 4, onde o resfriamento aumenta o ganho de peso diário dos touros em 0,1 kg/dia.

Para o cálculo, assumimos que, nas condições climáticas brasileiras, o resfriamento é necessário 250 dias por ano e que cada boi precisa ser resfriado por 105 dias, de um total de 150 dias em confinamento. No total, podemos resfriar 2,5 bois por área de confinamento, anualmente (250:105). Calculamos (com base em nossa experiência no Brasil) que o custo diário de resfriamento de um boi chega a R $ 0,35 (cobrindo a instalação do equipamento e sua operação).

Pegamos o preço da MS da ração em R $ 1300 por tonelada e o preço da carne em R $ 10 por kg. O aumento do ganho de peso em 0,1kg/dia, usando a mesma quantidade de ração, aumentará a renda diária por boi em R$ 1,0, e após deduzir o custo do resfriamento deixa ao produtor R$ 0,65 por boi/dia. Isso significa uma receita líquida adicional de R$ 70 por boi/ano e R$ 175 por unidade de área de confinamento por ano (2,5 touros por ano X 105 dias de engorda por boi).

Comparar o benefício econômico do resfriamento de bois de engorda no Brasil com o de vacas leiteiras mostra quase a mesma relação custo-benefício, o que significa que o retorno do investimento pode ser muito curto, geralmente em menos de um ano.

Fonte: Artigo de Israel Flamenbaum Ph. D e Adriano Seddon DVM, da Cowcooling Flamenbaum & Seddon, Ltd

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