Bem-estar animal não é apenas um detalhe, temos obrigação moral de respeitar os animais, bem como agregar qualidade ao produto final – Alexandre Parise [Confinamento São Lucas]

O bem-estar animal tem sido preocupação crescente entre pesquisadores, produtores e consumidores de todo o mundo que passaram a exigir com maior intensidade uma conduta humanitária no tratamento dos animais, no que diz respeito à produção, transporte e abate.

Assim, para mostrar o que está acontecendo de mais atual no Brasil e no mundo frente a área de bem-estar animal, na cadeia produtiva bovina, o BeefPoint preparou algumas entrevistas com diversos pecuaristas que já adotam medidas de manejo que visam as boas práticas de manejo, compartilhando casos de sucesso na pecuária de corte.

Confira abaixo, o caso de sucesso do Confinamento São Lucas, de propriedade de Alexandre Pasquali Parise, em Santa Helena de Goiás – GO:

O Confinamento São Lucas tem como objetivo atingir o máximo de eficiência na produção animal. O bem-estar animal é uma prática muito relevante neste contexto, pois as práticas de manejo adequadas asseguram o bem-estar animal e influenciam diretamente no resultado econômico da atividade. Nos últimos anos o Confinamento São Lucas tem investido em capacitação da equipe, através de treinamentos e constante monitoramento das atividades de manejo.


BeefPoint: Quais técnicas/práticas você desempenha em sua fazenda que resultou em bons resultados, quando o tema é bem-estar animal?

Alexandre Parise: As operações de embarque e desembarque de animais, bem como a condução destes animais dentro do Confinamento São Lucas são feitas com bastante calma, utilizando bandeiras, sem gritos ou agressões.


Tais práticas, além de proporcionar maior segurança e qualificação dos funcionários, tem tido bons resultados e melhoramento na imunidade do rebanho, reduzindo-se os custos com medicamentos e mortalidades, e refletindo-se em melhor desempenho animal e carne de boa qualidade.

BeefPoint: Conte pra nós qual a aceitabilidade de sua equipe quanto às técnicas de bem-estar animal? Como é feito o treinamento de seus funcionários?

Alexandre Parise: A equipe aceitou muito bem o treinamento. Desde o primeiro momento a equipe se dispôs a aprender e colocar em prática os conceitos de bem-estar. Em 2013, foi feito um treinamento com o Renato dos Santos, Beckhauser. Os ensinamentos foram passados com muita competência, de maneira objetiva, e na linguagem habitual dos vaqueiros. Isso estimulou a equipe a se interessar por bem-estar animal. A ideia é fazer uma reciclagem anual, visando o aperfeiçoamento.

BeefPoint: Quais instalações de sua propriedade são adequadas para as técnicas de bem-estar?

Alexandre Parise: O Confinamento São Lucas foi projetado de forma a garantir o conforto animal.  Nos currais de confinamento se trabalha com a área mínima por animal de 12,00 m2, além de metragem de cocho adequada, bebedouros e água de qualidade. A compactação de solo e a declividade são adequadas para não formar lama no período chuvoso.

E é também feito um controle de poeira por aspersão automática. O curral de manejo foi projetado com conceito anti-stress, de forma a garantir os serviços de embarque, desembarque e apartações com segurança e baixo nível de stress.


BeefPoint: Por que decidiu adotar medidas de bem-estar animal em sua propriedade? Teve o apoio de alguma empresa e/ou profissional da área?

Alexandre Parise: Bem-estar animal não é apenas um detalhe, temos obrigação moral de respeitar os animais, bem como agregar qualidade ao produto que entregamos aos nossos parceiros, compradores e consumidores. Tivemos o apoio do Renato dos Santos e pretendemos continuar contando com ele nos próximos treinamentos.

BeefPoint: O que a sua propriedade difere das demais? As que utilizam boas práticas de manejo e as que não utilizam?

Alexandre Parise: Quando os funcionários recebem este tipo de capacitação, eles abandonam os paradigmas culturais que existem há anos no meio rural. Isso fez com que eles pensem de maneira diferente, não somente na lida com os animais, como em todas as atividades desempenhadas, o que ajuda a tornar a gestão do negócio bem mais moderna e eficiente, comparada com os demais.

BeefPoint: Em relação ao manejo de bovinos, quais os erros mais comuns cometidos  em sua propriedade?

Alexandre Parise: No manejo de bovinos em confinamento, existem animais reativos devido ao manejo que sofreram anteriormente. Mesmo com o cuidado em relação as boas práticas, ainda estamos suscetíveis a acidentes e contusões. Embora o tempo de manejo seja relativamente curto, a interação entre os animais e os vaqueiros, através das boas práticas, o Confinamento São Lucas  já tem conseguido visualizar a mudança no comportamento dos animais.

BeefPoint: Que mensagem você deixaria para os pecuaristas que pretendem praticar técnicas relacionadas ao bem-estar animal?

Alexandre Parise: O manejo racional é uma ferramenta indispensável na pecuária moderna. Inicialmente, é preciso derrubar alguns paradigmas, e esta pode ser uma tarefa difícil, dependendo da formação que o vaqueiro teve durante a sua vida profissional. Porém, ao começarem a trabalhar da maneira correta, com a utilização das boas práticas, irão perceber que elas realmente funcionam e trazem benefícios tanto para eles quanto para os animais. E estes benefícios acabam refletindo diretamente na lucratividade do negócio.

*Saulo Antônio Gentil Soares, médico veterinário formado na Univesidade Federal de Viçosa, especialista em produção de ruminantes pela ESALQ-USP, representante Nutron Alimentos, e responsável pela sanidade animal do Confinamento São Lucas, auxiliou Alexandre Pasquali Parise nas respostas da entrevista acima.

This post was published on 13 de fevereiro de 2014

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