Avanço da peste suína e seus impactos no mercado de carnes e grãos

A Peste Suína Africana (PSA), uma doença contagiosa que afeta principalmente os porcos domésticos e que na maioria das vezes se revela fatal, tem se alastrado no continente Europeu com maior incidência nos últimos meses. Desde julho de 2017 já se registaram cerca de quatro mil casos em países da Europa, entre os quais a Itália, a Estônia, a Ucrânia, a Rússia e a Hungria.

== Cronologia ==

Em julho desse ano, o Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) do Brasil e entidades da suinocultura passaram a discutir o projeto sobre Peste Suína Clássica (PSC).

Além de poder representar um grande arrombo na economia nacional dos países – uma vez que é maioritariamente fatal para o gado suíno – a Peste Suína Africana pode ainda ter impacto na saúde dos humanos, caso estes contraiam a infeção, causando sintomas como vômitos, diarreia e intoxicações alimentares.

China

No início de agosto, a província chinesa de Liaoning informou que aumentaria as inspeções em fazendas de porcos e mercados, e reforçaria o monitoramento do transporte de suínos, depois que o primeiro caso de peste suína africana do país foi reportado na região, informou o jornal local Liaoning Daily.

O governo provincial pediu às autoridades locais para lançarem inspeções de emergência em todas as fazendas de porcos, mercados de suínos, matadouros e locais de tratamento na província, e relatar quaisquer casos de mortes de porcos por razões desconhecidas, dentre outras questões, relatou o jornal, citando o departamento de saúde animal.

Liaoning também ordenou o fechamento temporário de todos os mercados de suínos vivos e matadouros no distrito de Shenbei, onde o surto foi descoberto, informou o jornal.

A China abateu cerca de 913 suínos perto de Shenyang, capital de Liaoning, e proibiu o transporte de porcos das áreas afetadas, após o surto.

Em meados de agosto, a China detectou um segundo caso de peste suína africana em um matadouro de uma empresa alimentícia na região de desenvolvimento econômico de Zhengzhou, na província de Henan (centro), informou  o Ministério de Agricultura e Assuntos Rurais.

A descoberta foi confirmada pelo Centro Nacional de Doenças Animais e pelo Centro Nacional para a Saúde Animal e de Epidemiologia da China, que estavam há dois dias analisando 30 porcos que morreram de forma inesperada em um matadouro dessa região.

Segundo o certificado de quarentena, os porcos tinham viajado milhares de quilômetros desde uma fazenda na cidade de Jiamusi, na província nordeste de Heilongjiang, até o matadouro no qual morreram, que pertence a uma empresa de carne que não foi identificada pelo Ministério.

Após confirmar o foco da doença, o governo lançou uma campanha de supervisão em ambas as províncias.

Em Henan foi colocado em funcionamento um mecanismo de resposta de emergência que inclui medidas como isolar, sacrificar, desinfetar e aplicar tratamentos a todos os porcos e produtos derivados que tenham sido transportados entre as zonas em quarentena.

Por sua vez, as autoridades da província de Heilongjiang fizeram investigações epidemiológicas e afirmaram que por enquanto “a epidemia foi controlada de forma efetiva”.

As autoridades provinciais isolaram uma área perto da fazenda e sacrificaram um total de 8.116 porcos que viviam nos arredores, informou o jornal oficial “Global Times”.

Em 19 de agosto, a China informou sobre o terceiro surto da doença no país, quando 88 suínos morreram de peste suína africana na cidade de Lianyungang, no leste do país.

Um total de 615 suínos foram infectados desde 15 de agosto com a peste suína em Lianyungang, na província de Jiangsu, onde as autoridades proibiram o movimento de suínos, produtos relacionados e animais que são facilmente infectados dentro e fora da área afetada.

Medidas de emergência, incluindo abate e desinfecção de animais, colocaram o surto no distrito de Haizhou na cidade sob “controle efetivo”, disse o ministério.

Os porcos infectados em Zhengzhou viajaram de um mercado vivo na província de Heilongjiang, que, como Liaoning, fica no nordeste da China. A Liaoning abateu mais de 8.000 suínos na tentativa de conter o surto, enquanto uma unidade do WH Group, o maior produtor mundial de suínos, disse que abateu 1.362 suínos no frigorífico, onde foram descobertos os casos de Zhengzhou.

Romênia

No final de agosto, a PSA foi confirmada na maior fazenda de criação de porcos da Romênia, onde 140.000 animais estão sendo abatidos. O vírus foi confirmado na fazenda, que é composta de três propriedades adjacentes no sul do condado de Braila, depois que amostras de água foram enviadas às autoridades.

O escritório ANSVSA, autoridade veterinária nacional da Romênia, na região afetada confirmou o surto na propriedade da empresa romena Tebu Consult.

Gicu Dragan, do Bucareste Diagnóstico e Instituto de Saúde Animal, disse: “A Bucareste Diagnóstico e Instituto de Saúde Animal confirmou a existência do ASF vírus da febre em Tebu Consult, a segunda maior fazenda na Europa.”

Ele continuou dizendo: “Enviei as amostras para o laboratório nacional de referência na manhã de sexta-feira e os resultados confirmaram a existência do vírus, e na segunda-feira iremos para a eutanásia dos porcos nesta fazenda”.

Dragan disse que as fazendas estavam usando água proveniente do rio Danúbio nas casas de porcos. O funcionário acrescentou que os relatórios sugerem que alguns pequenos proprietários estavam despejando porcos mortos no Danúbio, o que pode ter causado a propagação da PSA pela água do rio.

Ele acrescentou: “Temos nos concentrado no continente e o vírus pode ter emergido das águas”.

Cerca de 100.000 porcos foram abatidos até agora na Roménia, com centenas de casos confirmados em quintais, pequenas propriedades e várias explorações agrícolas maiores no sul da Roménia.

De acordo com a ANSVSA, o número de surtos de peste suína africana confirmados na Romênia atingiu 725 e o número de condados afetados aumentou para 10.

Casos de PSA foram relatados em 156 localidades, principalmente em pequenas propriedades rurais. No entanto,oito grandes fazendas de suínos nos municípios de Braila e Tulcea também foram afetadas e o número de animais abatidos chegou a 117.700.

O vírus tem sido mais prevalente no sudeste da Romênia, nos condados de Tulcea, Braila, Galati, Constanta, Ialomita, Calarasi e Ilfov. Também está presente no noroeste da Romênia, nos condados de Satu-Mare, Bihor e Salaj.

Uma escavadeira move porcos abatidos no sul da Romênia após a epidemia de peste suína africana, em agosto de 2018. Fotógrafa: Daniel Mihailescu / AFP via Getty Images

Vírus chega à Bulgária; 8º surto na China

No início de setembro, a PSA foi confirmada na Bulgária pela 1ª vez. Entretanto, a China relatou 3 surtos de PSA dentro de 24 horas, elevando o total relatado para oito. As autoridades búlgaras relataram a doença em sete porcos em uma fazenda perto da fronteira romena na sexta-feira, 31 de agosto, outro país onde centenas de casos de PSA foram confirmados. A Agência de Segurança Alimentar da Bulgária disse que os sete animais infectados foram descobertos em uma fazenda na vila de Tutrakantsi, no nordeste do país.

Os testes confirmaram a PSA nos porcos e, como precaução, todos os 23 porcos da aldeia serão abatidos e será estabelecida uma zona de quarentena de 3 km ao redor do perímetro da aldeia. Todos os porcos dentro dessa zona devem ser abatidos por ordem da agência de segurança alimentar.

As autoridades também proibiram o comércio ou o transporte de porcos nessa mesma região de proteção. Em toda a Europa, mais de 4.800 casos da doença em suínos selvagens e domésticos foram reportados este ano, cerca de 700 a mais do que em 2017.

A Bulgária é o oitavo país da União Europeia onde a Peste Suína Africana foi detectado desde que o vírus começou a se espalhar entre a Arménia e a Geórgia, em 2007. Na UE, o vírus também surgiu na Letónia, Lituânia, Estónia, Polónia, Hungria, Roménia e a República Checa.

No mês passado, a Bulgária havia começado a construir uma cerca de 133 km em sua fronteira com a Romênia para tentar impedir a travessia de javalis que poderiam espalhar a doença da PSA em seu território.

O governador búlgaro Stoyan Pasev convocou uma reunião de emergência do conselho regional de gerenciamento de crises para decidir sobre as melhores práticas para tentar conter a doença e impedir qualquer disseminação adicional.

Japão

Pela primeira vez em 26 anos, um surto de Peste Suína Clássica (PSC) foi encontrado no Japão. A presença da doença viral, também conhecida como hog cholera, foi confirmada pelo Ministério da Agricultura japonês.

Como resultado, o país suspendeu as exportações de carne de porco e javali , informou a agência de notícias Reuters. A notícia do surto foi partilhada pelo ministério japonês da agricultura no domingo, 9 de setembro. O vírus tinha aparecido em uma fazenda na cidade de Gifu centro do Japão, localizada na prefeitura de Gifu, e 1 st exames tinha começado em 3 de setembro.

Segundo o site Channel News Asia, as autoridades japonesas abateram 610 animais depois que 80 porcos morreram. Dentro de 24 horas, a fazenda também foi desinfetada. O site acrescentou que o Japão vendeu cerca de US $ 9 milhões em carne suína in natura para mercados estrangeiros em 2017. Até agora, não se sabe como o vírus pode ter entrado no país.

O último surto conhecido da PSC no Japão ocorreu em 1992 na cidade de Kumamoto. Isso é aproximadamente 800km ao sul a oeste de Gifu. Desde então, o Japão tem trabalhado arduamente para conseguir um status de estar livre da PSC. Deixou de vacinar a partir de 2000 e recebeu o estatuto da OIE “isento de QCA ” em 2007.

A Peste Suína Clássica , embora parcialmente idêntica em nome e sinais clínicos à Peste Suína Africana , é causada por um vírus completamente diferente do seu homônimo que está sendo encontrado em cada vez mais casos na China atualmente.

Bélgica

Notícias preliminares falaram sobre dois javalis infectados, mas o relatório oficial para a Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) inclui quatro casos. No total, três animais mortos foram encontrados com o vírus e um quarto animal foi abatido.

As autoridades belgas encontraram os quatro javalis perto da aldeia de Étalle, no extremo sul do país. Esta é a zona francófona com muitas zonas rurais montanhosas, mas relativamente poucas fazendas de suínos. O local está localizado na província belga de Luxemburgo, a cerca de 20 km da fronteira com o país com o mesmo nome, o Grão-Ducado do Luxemburgo. O surto foi relatado pela Agência Federal para a Segurança da Cadeia Alimentar (FASFC). Uma Intensiva cooperação está acontecendo atualmente. Medidas estão sendo tomadas para evitar a propagação do vírus, incluindo a caça na área onde a infecção foi encontrada.

Estados bálticos abatem 35.000 suínos

No final de setembro, na Lituânia, o surto ocorreu na fazenda Idavang, perto de Akmene, no norte do país. Foi o maior surto do país nos últimos três anos, de acordo com o Serviço Estadual de Alimentação e Veterinária do país. Além disso, foi a 2ª vez para a PSA atinge uma instalação de produção de Idavang. Em 2014, como resultado de um surto de PSA , as perdas totais foram de até 19.000 suínos. Nesta instalação, em 2018, 19.500 cabeças tiveram que ser abatidas.

Alguns dias antes, na vizinha Letônia, o surto da PSA foi confirmado em uma fazenda chamada Druvas Unguri. Nela, 15 mil porcos tiveram que ser abatidos, transformando este surto no maior caso registrado no país, de acordo com o Departamento de Veterinária e Alimentos da Letônia.

Neste contexto, os países bálticos (Estónia, Letónia e Lituânia) estão a ponderar novas medidas destinadas a melhorar a situação. O ministério da agricultura da Lituânia propôs aos agricultores com uma população abaixo de 100 cabeças para simplesmente abater todos os porcos e mudar para a produção de perus ou coelhos. Os agricultores que concordassem seriam então elegíveis para um subsídio estatal único de € 1.500 mais € 100 por porco na quinta.

As empresas locais de processamento de carne, porém, alarmaram-se com o fato de que uma redução adicional no número de suínos nas fazendas na Lituânia poderia pôr fim às tradicionais salsichas nacionais. Falando à agência local de notícias Delfi, Virgaudas Kanauka, diretor do processador local de carne Kanrugele, disse que, como regra geral, a carne suína importada não é o que essas empresas processadoras locais estão procurando. Afinal, eles estão focados na fabricação de um produto local.

O ministro da Agricultura da Letônia, Janis Duklavs, disse recentemente que a contagem total na Letônia de javalis infectados pela PSA é de 720, um número que se acredita ser maior do que em qualquer ano anterior. Duklavs disse que o governo tem lutado contra a doença por cinco anos, mas até agora nenhum resultado real foi alcançado. Ele disse que medidas especiais devem ser postas em prática, sem especificar seus pensamentos.

Na Estónia, atualmente não se registam muitas notícias relativas à PSA. No entanto, o impacto da doença na indústria suína local também é visto como tremendo. De acordo com uma recente reportagem sobre a PSA no jornal britânico The Guardian , o número de fazendas de suínos na Estônia caiu 7 vezes, de 920 em 2014 para apenas 125 em 2018.

Doença se espalhou para a Europa em 2007 e agora está na China

Brasil toma providências

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa) determinou no final de setembro o reforço na fiscalização da vigilância nos portos, aeroportos e fronteiras para diminuir os riscos do ingresso no Brasil da Peste Suína Africana (PSA).

Os servidores do Mapa ligados aos órgãos de vigilância e inspeção animal aumentaram a fiscalização sobre alimentos e bagagens, provenientes das áreas afetadas pela PSA. A orientação foi que alimentos vindos dos países ondem foram detectados focos da doença sejam descartados ou incinerados. Em vídeo, o Ministro de Agricultura, Blairo Maggi, alertou a população para que evite transportar alimentos provenientes dessas regiões e pediu aos produtores rurais atenção redobrada ao plantel.

Também foi intensificado o cuidado nas emissões de autorização de importação de produtos como rações de animais que possam disseminar o vírus da doença. A orientação era reforçar ainda o sistema de quarentena adotado em caso de importação de material genético e de animais vivos. O procedimento de quarentena, realizado na Estação Quarentenária de Cananéia, em São Paulo, prevê que os animais e produtos importados só podem ser liberados depois de comprovada a sanidade.

Foco de peste suína clássica é encontrado no Ceará

O Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) confirmou um foco de peste suína clássica (PSC) em Forquilha, no Ceará. O caso foi comunicado à Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) no dia 7 de outubro.

De acordo com o órgão, a doença foi encontrada em uma propriedade familiar de subsistência sem vínculos com estabelecimentos comerciais ou de reprodução de porcos.

A cidade está a mais de 500 quilômetros distante da divisa com a zona livre da doença no Brasil, reconhecida pela Organização Nacional de Saúde Animal (OIE), segundo o MAPA, e não haverá impactos no comércio de suínos e derivados.

A Associação Brasileira de Proteína Animal (ABPA) reforçou em nota que não há riscos de disseminação da doença para a produção nacional e que não há fluxo comercial de suínos partindo do Ceará para o Sudeste, Centro-Oeste e Sul do país.

Os porcos contaminados estão sendo sacrificados e destruídos e as propriedades situadas no raio de 10 quilômetros em torno do foco estão sendo investigadas.

Segundo o Mapa, a zona livre da peste suína clássica concentra mais de 95% de toda a indútria e 100% da exportação de suínos brasileira. Ela é integradas por 16 estados (Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, Minas Gerais, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Goiás, Rio de Janeiro, Espírito Santo, Bahia, Sergipe, Tocantins, Pará, Rondônia e Acre), além do Distrito Federal. Nesses locais, o último foco da doença foi detectado em 1998.

Posteriormente, a Adagri registrou mais três focos de peste suína clássica no estado. Além do município de Forquilha,, animais contaminados também foram encontrados em Groaíras e Santa Quitéria.

Devido às notificações, o Governo do Ceará decretou estado de emergências nas cidades citadas, todas na região Noroeste. Com a situação de emergência, produtores dos municípios não podem receber ou vender porcos para outras cidades.

Para conter a situação e investigar as causas da contaminação, a Adagri deu início ao trabalho de uma força-tarefa com 20 técnicos para fazer inspeções nas propriedades onde foram encontrados os focos da doença.

Novo foco de peste suína africana é detectado em Pequim

O governo chinês anunciou em 23 de novembro que um novo foco da peste suína africana (ASF, na sigla em inglês) foi detectado na capital do país. O Ministério da Agricultura e Assuntos Rurais da China informou que 86 animais foram infectados pelo vírus em duas fazendas de Pequim. Autoridades locais começaram a colocar em quarentena, abater e desinfetar os suínos afetados, disse a Xinhua, agência oficial de notícias do governo.

Até o momento, 74 focos da doença já foram registrados no país. Desde o primeiro caso, registrado em agosto, 600 mil animais foram eliminados, disse Feng Zhongwu, funcionário do Ministério da Agricultura.

Segundo Feng, ainda nos próximos meses, surtos esporádicos da doença podem ser observados no país asiático, já que cerca de 26 milhões de pequenos produtores de suínos estão atrasados na adoção de medidas para impedir a disseminação do vírus. Focos em outros países também tornam os esforços para conter a doença mais desafiadores, disse ele.

== Efeitos no comércio e no mercado ==

Preços da carne suína sobem nos EUA

Os preços da carne suína nos Estados Unidos subiram devido às ocorrências de peste suína africana na China.

O temor com a doença, associado à notícia de que Estados Unidos e China estão retomando as negociações comerciais, fez com que traders projetassem o fim de tarifas chinesas sobre importações norte-americanas de carne suína.

A maior produtora mundial de carne suína, WH Group, informou que, em 14 de agosto de 2018, um total de 30 suínos vivos que eram transportados em um veículo de um fornecedor independente de Heilongjiang para abate na planta da empresa em Zhengzhou foi encontrado morto. Na sequência, detectou-se que os animais tinham febre suína africana.

Na quinta-feira (16), a empresa recebeu uma ordem de bloqueio do governo do município de Zhengzhou, ordenando, entre outras medidas, o fechamento temporário da planta local por um período de seis semanas a partir de 16 de agosto de 2018. “O fechamento temporário da planta de abate de Zhengzhou faz parte das medidas de prevenção e controle de epidemia da prefeitura”, disse a empresa.

O comunicado informou ainda que a unidade tomou medidas para evitar a propagação da doença. “A companhia não tem conhecimento de qualquer detecção de peste suína africana ou outra epidemia de peste suína em outras plantas de abate do grupo.”

Surto de febre suína na China favorece criadores de frango

O surto febre suína africana na China está gerando uma vantagem inesperada para os produtores de carne de frango, ao levar os preços da segunda carne mais popular no país para as máximas em dois anos e meio.

Com a carne suína em falta, na medida em que as autoridades tentam conter a doença altamente contagiosa, os consumidores se voltam para o frango como um substituo, com alguns clientes também preocupados sobre a segurança.

A mudança é um impulso para os criadores do maior produtor de carne de frango no mundo, depois do crescimento tépido da demanda nos últimos anos após uma série de questões sobre segurança alimentar e gripe aviária.

Os preços do frango na região de Shandong, maior produtor da China, atingiram os 9,7 iuans (1,41 dólar) por quilo mais cedo neste mês, sua máxima desde março de 2016.

“Os recentes surtos de gripe suína africana alavancaram os preços de compra do frango em lanchonetes e restaurantes. Mais pessoas podem escolher frango agora, especialmente nas regiões infectadas com casos de gripe suína africana”, disse Li Jinghui, diretor na China Poultry Association.

China proíbe importação de porcos do Japão e da Bélgica por peste suína

A China proibiu no começo de outubro a importação de porcos, javalis e outros produtos da Bélgica, depois de um surto de peste suína africana, assim como as importações do Japão, após um surto de peste suína regular, disse a Administração Geral de Alfândegas.

O movimento é similar à proibição das importações originárias da Bulgária, e aconteceu após a província de Liaoning reportar um segundo surto da doença altamente contagiosa em dois dias.

A última proibição se seguiu a dois surtos de peste suína africana confirmados na Bélgica em setembro, e um caso de peste suína no Japão no mesmo mês, disse a alfândega chinesa em um comunicado divulgado em sua conta oficial do WeChat.

Com medo da febre suína, França anuncia cerca na fronteira com a Bélgica

A França disse em outubro que colocaria cercas ao longo de sua fronteira com a Bélgica para impedir que os javalis disseminem a peste suína africana, uma doença virulenta que pode prejudicar a indústria de suínos da Europa.

Carne suína: produtores europeus e sul-americanos ampliam vendas para a China

Fornecedores europeus e sul-americanos de carne suína estão ampliando suas vendas para a China, um reflexo das tarifas impostas pelo país asiático contra o produto norte-americano. Por causa da disputa comercial entre Washington e Pequim, a tarifa sobre a carne suína norte-americana chegou a 70%. Além disso, um surto de peste suína africana na China impulsionou a demanda chinesa pelo produto importado.

A ElPozo Alimentación, uma das maiores processadoras de carne suína da Espanha, começou a receber mais ligações de frigoríficos chineses em setembro. John Hickin, gerente de vendas da ElPozo para a Ásia, disse que processadores na China temem uma redução da oferta doméstica, uma vez que milhares de animais estão sendo sacrificados para conter a propagação da peste suína africana, uma doença fatal para suínos mas que não afeta humanos.

Na Argentina, autoridades do governo estão tentando fechar um acordo para exportar carne suína para a China até o fim do ano, disse Guillermo Proietto, representante da cooperativa Argen Pork.

Perto de Talca, no Chile, Pablo Alvarez se levanta por volta das 5h para responder a um número cada vez maior de mensagens de texto, emails e mensagens de voz de compradores chineses. Alvarez cuida das exportações da Coexca, segunda maior processadora chilena de carne suína. Esses exportadores reconhecem, no entanto, que a prioridade dos chineses é preço, e que o jogo pode virar caso as disputas comerciais entre EUA e China se resolvam.

“Quem sabe quanto tempo vão durar os problemas entre a China e os EUA?”, disse Hendrik Voigt, da empresa alemã de comercialização de carne Vimex. “Isso pode acabar muito rápido, caso as eleições nos EUA não favoreçam Trump.”

Apesar das tarifas, frigoríficos americanos continuam oferecendo seus produtos a compradores chineses. A Federação de Exportação de Carne dos EUA, que promove as carnes suína e bovina do país no exterior, disse estar fazendo o possível para evitar que seus membros percam muita participação no mercado chinês. O grupo espera que as tarifas sejam temporárias, e em reuniões com compradores chineses vem enfatizando a qualidade do produto norte-americano.

Em 2018, até agora, as exportações dos EUA para a China caíram 25% na comparação anual.

Preço da carne suína

Há um mistério no mercado de suínos, e podemos chamá-lo de “o caso dos porcos desaparecidos”.

Os traders aguardam há semanas a disparada das taxas de abate nos EUA, já que o governo vinha informando constantemente o aumento do rebanho doméstico neste ano. O furacão Florence atingiu a Carolina do Norte, um dos principais estados em criação de suínos, em meados de setembro, o que desacelerou as operações de processamento. Mas esse gargalo já deveria ter sido resolvido, e os analistas esperavam uma súbita entrada dos porcos no mercado. Em vez disso, as taxas de abate continuaram baixas, levantando dúvidas quanto à real existência dos animais, disse Rich Nelson, estrategista-chefe da Allendale em McHenry, Illinois.

O abate menor que o esperado nos EUA ocorre em um momento em que um vírus altamente contagioso e letal para os porcos está se espalhando pela China, o maior consumidor de carne suína do mundo. A peste suína africana continua se espalhando pelo país, e vários novos surtos foram registrados nesta semana. A combinação dos problemas de oferta elevou os contratos futuros de suínos em Chicago no limite da bolsa, de 3 centavos de dólar, na quarta-feira, fechando em 57,525 centavos de dólar por libra-peso. Os preços subiram 11 por cento nesta semana.

“Não temos o acúmulo que esperávamos nos mercados de suínos”, disse Nelson, acrescentando que as estimativas do Departamento de Agricultura dos EUA para o aumento dos estoques de animais podem ter sido mal calculadas.

A propagação da peste suína na China aumenta as chances de que o país asiático precise importar mais carne, segundo o Cobank. A China provavelmente compraria da União Europeia e do Canadá, mas as produtoras americanas ainda podem capitalizar a concorrência global menor no mercado de carne suína, informou o banco agrícola americano em relatório divulgado na terça-feira.

O surto do vírus nos porcos provocou uma volatilidade maior nos futuros de suínos. Um indicador da volatilidade de 60 dias registrou pico no mês passado, mas pode disparar novamente se a doença continuar se espalhando.

Nos EUA, Nelson, da Allendale, afirmou que o setor esperava um período prolongado de números de abate de 2,6 milhões de animais por semana. Mas os números têm sido constantemente mais baixos e provavelmente só superarão esse marco pouco antes do Dia de Ação de Graças, disse ele. Neste ano, o feriado americano será comemorado em 22 de novembro.

“Onde estão todos os porcos?”, disse Dennis Smith, executivo sênior de contas da Archer Financial Services em Chicago, na semana passada. “Falta uma parcela de 4 por cento a 5 por cento” da oferta esperada, disse.

Se a oferta continuar limitada, o interesse dos investidores pelos mercados de gado poderia ressurgir. O interesse aberto em futuros de suínos em Chicago — um indicador dos contratos pendentes — mostra tendência de baixa há mais de um ano devido às expectativas de produção excedente de carne nos EUA. O indicador atingiu um pico em 2013 em meio ao surto de diarreia epidêmica dos suínos (PED, na sigla em inglês) nos EUA, que eliminou milhões de porcos.

Maior importação chinesa – Rabobank

A propagação da peste suína africana (ASF, na sigla em inglês) na China pode afetar significativamente a produção local de suínos e resultar em maior necessidade de importação até o começo de 2019, diz o Rabobank em relatório trimestral sobre o setor. Segundo o banco, embora o número oficial de animais sacrificados no país seja relativamente pequeno, existe a possibilidade de uma mudança radical na oferta nos próximos meses, o que teria impacto sobre o mercado global.

Desde agosto, está proibido o transporte de animais vivos de regiões afetadas. Por isso, algumas regiões do país que são grandes consumidoras mas não têm produção estão enfrentando escassez de oferta e forte alta dos preços. As importações chinesas de carne suína aumentaram 10% em agosto ante igual período do ano passado, talvez refletindo esses desequilíbrios regionais, diz o Rabobank.

Para o banco, essas importações devem continuar crescendo de forma constante até o fim do ano e podem superar os níveis de 2017. O Rabobank também espera um aumento das importações no ano que vem.

O banco ainda destaca os casos de peste suína africana em javalis na Bélgica. O surto deve ter sérias consequências para exportadores belgas, mas não afeta significativamente os embarques da União Europeia. A Bélgica é responsável por apenas 2,5% das exportações de carne suína do bloco. Caso se espalhasse para países vizinhos como Holanda ou Alemanha, o impacto seria bem maior, diz o Rabobank.

China reconhece que surto de peste suína africana é “muito grave”

Em 15 de novembro, a China reconheceu que a situação de prevenção e controle do surto de peste suína africana é “muito grave”, após se propagar a 17 províncias e fazer com que centenas de milhares de porcos infectados tivessem que ser sacrificados, informou nesta quinta-feira o portal de informação econômica Caixin.

“A epidemia tem se estendido a 17 províncias e chegou às vastas áreas de criação de porco na área interior da China meridional”, indicou um comunicado divulgado ontem à noite na página oficial do Ministério de Agricultura e Assuntos Rurais chinês.

O documento, assinado também pelos ministérios de Transporte e Segurança Pública, explica que o resultado das investigações aponta para o transporte de animais entre províncias como causador da expansão da doença, e pede às autoridades locais que reforcem a supervisão dos envios interprovinciais de porcos para evitar que o vírus continue se propagando.

Além disso, afirma que serão estabelecidos pontos de controle para “inspecionar de maneira estrita” todos os veículos que transportem animais vivos, com o objetivo de acabar com a “distribuição ilegal”.

“Os departamentos de Pecuária e Veterinária devem reforçar a investigação e os castigos sobre atos ilegais como o transporte de porcos sem certificado de quarentena (…) e romper decididamente a rede do tráfico ilegal”, acrescentaram os ministérios.

 

Importações de soja da China devem cair 10%

As importações de soja da China em 2018-19 deverão diminuir em 10%, para 85 milhões de toneladas, devido às atuais tensões comerciais com os Estados Unidos e um surto da Febre Suína Africana, de acordo com um relatório do USDA.

A disputa comercial bilateral, que inclui uma tarifa de 25% sobre a soja norte-americana, gerou esforços para reduzir as importações de soja nos EUA e reduzir o uso de ração de soja por meio de reduções na proporção de proteína animal e uso de alimentos protéicos substitutos.

A PSA que foi detectada em rebanhos suínos da China em agosto, deve moderar a demanda de ração, o que, junto com a meta declarada do governo chinês de reduzir o consumo de soja, levará a uma pequena queda na demanda de farelo de soja em 2018-19. O USDA prevê uma queda de 2,6 milhões de toneladas para 66,6 milhões de toneladas.

“Farelo de colza, farelo de girassol e farinha de peixe terão um aumento moderado”, disse o USDA. “Em conjunto, a redução no uso de rações de soja e aumentos leves no uso de outras fontes protéicas resultarão em um uso equivalente de farelo de soja para 85,9 milhões de toneladas em 2018-19, um decréscimo de 1,7 milhão de toneladas comparado ao ano anterior.”

O USDA disse que os estoques finais de soja de 2018-19 estão previstos em 20 milhões de toneladas, um pouco abaixo do ano anterior, com base na retomada das vendas da reserva de soja pelo governo chinês e na redução das importações.

Peste suína  pode transformar proteínas globais, fluxos de grãos

A disseminação da PSA é potencialmente a maior história global de saúde animal sobre a qual ninguém fala muito. Mas analistas da indústria agrícola acreditam que é uma história que deve receber uma audiência justa de partes interessadas do setor, já que a China, maior produtora e consumidora de carne suína do mundo, enfrenta surtos de FSA dentro de suas fronteiras.

“Isso traz uma tremenda oportunidade para o complexo de proteína animal, e terá repercussões na produção de milho e soja”, disse Curt Hudnutt, vice-presidente executivo de Banco Rural da América do Norte do Rabobank, durante um painel de discussão no 2018 Ag Outlook Forum realizado recentemente em Kansas City, Missouri.

Hudnutt disse que o rebanho suíno mundial é de aproximadamente 250 milhões de cabeças. Cerca de 50 a 55 por cento desse número de suínos é produzido na China, com cerca de 40 por cento do rebanho suíno da China classificado como “suínos de quintal”.

“Então, a capacidade de conter a propagação da peste suína africana na China é muito baixa”, disse ele. “Há pelo menos 23 casos confirmados na China, o que significa, como todos sabemos, que há muito mais do que isso. Se você observar a dispersão geográfica desses casos, estará em quase todo o país. ”

Em setembro, autoridades na Bélgica confirmam a presença de PSA em dois javalis em uma cidade a cerca de 10 km da França. Hudnutt disse que a descoberta juntamente com a presença de javalis em toda a região alimentou temores de que a doença poderia se espalhar para a Holanda, Alemanha e todo o continente. “Um surto na Europa pode ser traumático para a produção mundial de carne suína”, disse Hudnutt.

Na China, Suderman explicou, “… suas áreas de produção são principalmente nas áreas do nordeste, onde há a produção de grãos. O povo chinês adora carne de porco fresca, e assim os matadouros estão nas áreas povoadas do sul. ” isso fez com que muitos animais doentes fossem transportados por longas distâncias dentro do país.

“Você vai tão longe, você tem que lavar seus caminhões periodicamente”, continuou ele. “A doença foi disseminada e agora está espalhada por uma grande área do país que tem 55% dos porcos do mundo”.

“Esta é uma doença que precisamos ficar de olho”, acrescentou Suderman. “Não há muita confiança de que a China tenha controle sobre isso”.

A ruptura do fornecimento de carne de porco na China é problemática para o governo chinês. Restrições à movimentação de suínos interromperam a cadeia de fornecimento norte-sul. Isso levou à inflação de alimentos na China, segundo Suderman.

“A carne de porco é a carne número 1 preferida na China; é a principal causa da inflação de alimentos, e a inflação de alimentos é a principal causa de agitação social em todo o mundo, e a China não quer isso agora, particularmente quando estão em uma batalha com os Estados Unidos – essa guerra tarifária”, disse Suderman.

“Acho que poderíamos, em 2019, ver algumas mudanças dinâmicas significativas no complexo de proteína global, no que diz respeito ao movimento de carne de porco e frango”, acrescentou Suderman. Se essas mudanças aumentarem a produção de suínos, aves e talvez carne bovina em outras partes do mundo, os fluxos de farelo de soja no mundo também poderiam ser afetados

Rob Johansson, economista-chefe do Departamento de Agricultura dos EUA, disse que a expansão da FSA na Europa será um grande ponto de interrogação, e a doença terá efeitos diferentes em diferentes setores.

“Estamos começando a incorporar essas em nossas estimativas”, disse Johansson. “Pode ser um grande problema para o setor de proteína.”

Análise: Como a febre suína africana afetará a oferta mundial e os preços? – Por Bryan Doherty, para o Agriculture.com.

Nas últimas semanas, foram notificados casos de peste suína africana (FSA) em todo o mundo e, talvez, da maior importância, a China. Esta doença afeta os porcos e não há cura conhecida. A erradicação é a única opção. Também é altamente contagiosa.

Enquanto o governo chinês está tomando medidas agressivas para eliminar porcos onde os casos são relatados, isso coloca o mundo em alerta de que uma redução no rebanho de suínos da China é possível. Mais importante ainda, como uma redução na produção de suínos chineses afetará o suprimento mundial e o que acontece se a PSA se espalhar para outro lugar, em particular os EUA.

Estima-se que haja entre 400 e 500 milhões de suínos na China. Aproximadamente 20% residem em grandes fazendas de suínos, das quais mais de 10.000 suínos são comercializados por ano. Por essa matemática, 80% da população de suínos está localizada em fazendas menores. Dado o fato de que a China é um país superlotado, a maioria dessas operações de suínos é provavelmente administrada por famílias, cada uma com alguns porcos em seu quintal.

Isso sugeriria o potencial para uma rápida disseminação da contaminação. Estima-se que a China tenha abatido mais de 40.000 porcos. De uma perspectiva geral, isso é uma gota no balde em comparação com a população geral. No entanto, se os suínos infectados se tornarem mais prevalentes, isso pode ter grandes implicações para a China, porque eles são um importador líquido de produtos suínos (apesar de ser o maior produtor de suínos do mundo). Isso implica que todo suíno exterminado precisará ser importado.

A maioria das entregas de carne de porco para a China vem da União Europeia, dos Estados Unidos e do Canadá. Os EUA poderiam potencialmente se tornar um fornecedor muito maior, já que a União Europeia tem espaço limitado para o crescimento do rebanho existente. O Canadá tem as mesmas questões logísticas e a maior parte de sua produção de suínos já é exportada.

A queda na oferta de de carne suína na China pode ser o catalisador para uma rápida resolução das tarifas comerciais recentes entre os EUA e a China, à medida que a necessidade de alimentos (carne suína) se torna primordial. Por outro lado, se a PSA se tornar um evento não recorrente, os preços poderiam cair de sua recente alta de cerca de US $ 20,00. Atualmente, o mercado está em uma encruzilhada.

Se as doenças aumentam, os preços podem estar a caminho de explodir. O exemplo mais recente é a diarreia epidêmica suína de 2014, quando os contratos futuros de abril ultrapassaram os US $ 125,00 e os de junho mais de US $ 130,00. Dito isso, há também um considerável risco de queda nos níveis atuais de preços.

Há maneiras de aproveitar os preços favoráveis e ainda proteger contra movimentos desfavoráveis de preços. Algumas considerações para os produtores são comprar opções de compra para estabelecer um preço mínimo no mercado de futuros ou contratar suínos no mercado à vista e comprar uma opção de compra para manter a propriedade no mercado futuro.

Você também pode vender futuros e comprar uma chamada. Nestes exemplos, a opção de compra é projetada para cobrir vendas se os preços subirem. Chamadas beneficiam o proprietário em um mercado de alta demanda. Seja qual for a estratégia que você incorpore, tenha uma compreensão clara dos riscos, bem como dos benefícios potenciais.

A negociação de futuros não é para todos. O risco de perda na negociação é substancial. Portanto, considere cuidadosamente se essa negociação é adequada para você em função de sua condição financeira. O desempenho passado não é necessariamente indicativo de resultados futuros.

Mercado de bovinos – como pode ser afetado?

Segundo um artigo de Brenda Boetel, da Universidade de Wisconsin-River Falls, para a Drovers,  a PSA é uma doença animal específica dos produtores de carne suína, mas os produtores de gado bovino dos EUA precisam estar cientes de quaisquer novos desenvolvimentos. A incidência de PSA na China tem o potencial de aumentar as exportações de carne suína dos EUA, se conseguirmos um acordo comercial com a China para reduzir as tarifas sobre a carne suína dos EUA, ao mesmo tempo em que representa um risco imenso para a PSA entrar nos EUA. Os produtores de gado bovino precisam prestar atenção, pois mudanças significativas nos preços da carne suína afetarão os preços da carne bovina e, eventualmente, os preços do gado.

Na última semana de outubro, os preços do gado subiram devido aos preços mais altos da carne bovina. Os preços da carne bovina Choice aumentaram e os frigoríficos puderam aumentar os preços das ofertas de animais vivos. O spread Choice/Select aumentou para o mais alto em 10 anos em outubro.

A colheita de milho estava levemente à frente do normal em 49% da safra norte-americana colhida. Algumas perdas de rendimento e qualidade ainda não foram relatadas. A base tem visto algumas melhorias que indicam que os preços podem ter caído.

Além disso, o Rabobank previu que o rearranjo no mercado de carne suína poderá beneficiar os exportadores da América do Norte e do Sul, bem como os fornecedores globais de carne de frango e carne bovina.

“Acreditamos que a China e partes afetadas da Europa trabalharão para isolar e eliminar a (s) fonte (s) de contaminação. No entanto, os esforços para reconstruir fontes seguras provavelmente levarão meses. Enquanto isso, os consumidores chineses provavelmente abandonarão as fontes mais caras e escassas de carne suína e em direção a proteínas alternativas, como frango, peixe e até mesmo carne bovina.”

“Em zonas de produção não afetadas, esperamos um aumento de biossegurança e testes para garantir acesso contínuo aos mercados de exportação. Embora ainda haja muito que não sabemos sobre como a ASF se espalhará nos próximos meses, o que está claro é que a escala de potencial aumento na demanda e o risco potencial de contaminação talvez nunca tenham sido maiores.”, finaliza o Rabobank.

Uma análise feita pelo The National Pork Board, preparada pela Steiner and Company, também aposta na substituição da carne suína por outras fontes de proteínas.

“A China vai procurar substituir a oferta perdida? Isso é improvável, em parte porque seria muito difícil “comprar” essa oferta adicional da demanda atual. Em vez disso, achamos que os preços mais altos da carne suína, bem como a apreensão do consumidor sobre a doença, causarão alguns efeitos de substituição. Acreditamos que a doença estimulará um maior consumo de carne bovina e frango,” diz a análise.

“No caso da carne bovina, o consumo tem aumentado rapidamente nos últimos anos e a maior parte do aumento foi apoiada por importações mais altas. Esperamos que isso continue em 2019 e 2020. O consumo de frango tem sido estável, mas as importações continuaram crescendo e isso pode acelerar se a PSA continuar a se espalhar,” finaliza.

Peste suína na China, ‘maior assunto agrícola do mundo’

“O maior assunto agrícola do mundo”. Assim o economista Alexandre Mendonça de Barros, sócio-diretor da consultoria agrícola MB Agro e membro do conselho de administração da Minerva Foods, define o surto do vírus da peste suína africana que atingiu o plantel da China.

Responsável por cerca de 50% da carne suína produzida no planeta, a China corre um risco real de liquidar parcela relevante de seu rebanho, indicou Mendonça de Barros. Embora ainda seja cedo para estimar o potencial de redução da produção de carne suína do país asiático, não é impossível que o volume atinja 5 milhões de toneladas, ou cerca de 10% da produção chinesa.

“Há quem diga que a redução pode chegar a 5 milhões de toneladas. Não consigo ousar [e fazer projeção], mas não é impossível”, afirmou ele durante encontro realizado pela Minerva com analistas e investidores, na manhã de ontem em São Paulo. Além de representar um fatia importante da produção chinesa, o volume de 5 milhões de toneladas que atualmente circula no mercado é também significativo se comparado ao comércio global de carne suína. Por ano, a exportação do produto gira em torno de 8 milhões de toneladas a 8,5 milhões de toneladas, ressaltou.

Na apresentação, Mendonça de Barros argumentou que o vírus da peste suína africana, que se espalhou pela China desde agosto passado, é de difícil de controle. Embora não prejudique a saúde humana, o vírus pode ser transmitido a outros animais – inclusive em carnes congeladas e processadas até cinco anos após a produção. Para evitar a disseminação, é preciso incinerar os animais. “Não há como curar ou como se defender da peste suína africana. Não tem vacina. A única solução é exterminar o rebanho”, afirmou, ressaltando que outra fragilidade da China é o controle sanitário. Segundo ele, só 20% das granjas adotam padrões sanitários adequados.

Se o cenário negativo se confirmar, o mercado agrícola poderá sofrer diversos efeitos colaterais. Para os frigoríficos brasileiros, os reflexos seriam positivos. “Vamos ver o crescimento das importações chinesas de carne”, afirmou o economista. Nesse sentido, a missão de técnicos chineses que está agora no Brasil pode ser positiva, já que Pequim pode autorizar mais frigoríficos brasileiros a exportarem ao mercado chinês. Na Minerva, uma unidade foi visitada na última sexta-feira, de acordo com Luiz Alves Luz, executivo que comenda as operações de carne bovina da companhia no Brasil.

Do outro lado, uma redução relevante da produção de carne da China em 2019 pode afetar as exportações de soja, ressalvou Mendonça de Barros. O Brasil é o maior fornecedor de soja aos chineses. Neste ano, os embarques de soja brasileira ao país ganharam ainda mais força devido à guerra comercial entre os Estado Unidos e a China. Pequim sobretaxou o grão americano.

Exportações brasileiras para o país asiático já dispararam

Não fossem as vendas para a China, as exportações brasileiras de carne suína estariam gerando resultados ainda mais fracos em 2018. Conforme dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex/Mdic) compilados pela ABPA, entidade que representa produtores e exportadores do Brasil, os embarques
para o mercado chinês cresceram 243% nos primeiros dez meses deste ano em relação ao mesmo período de 2017, para 131,1 mil toneladas.

Para todos os destinos, caíram 10%, para 530,5 mil toneladas, sobretudo em virtude de barreiras na Rússia que apenas recentemente começaram a ser derrubadas. Outro destaque positivo relacionado à China foi o aumento das exportações para Hong Kong, que se consolidou como principal destino das vendas brasileiras do produto – foi de 8% de janeiro a outubro, para 137 mil toneladas.

Fontes: Correio da Manhã (Portugal), Suinocultura Industrial, Valor Econômico, Reuters, EFE, Dow Jones Newswires, Pig Progress, Mapa, G1, Exame, Estadão, Bloomberg, UOL, World-Grain.com, Meatpoultry.com, Agricuture.com, Drovers, Rabobank, traduzida, compilada, resumida e adaptada pela Equipe BeefPoint.


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