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Argentinos exportam mais carne

Antes do amanhecer em uma fria manhã, 17 mil novilhos se espremem em uma área de confinamento no meio do maior mercado de gado do mundo, nas proximidades de Buenos Aires. De cima das cercas do curral, os operadores fazem ofertas pelos novilhos das raças Hereford e Aberdeen Angus que produzem algumas das mais finas carnes do mundo a preços inferiores ao verificado nos Estados Unidos.

O setor de carne bovina da Argentina está de volta. Após ficar de fora dos mercados mundiais por uma década devido à sobrevalorização do peso, o declínio de 70% na moeda está permitindo ao setor reabrir unidades fechadas e recontratar funcionários. O governo argentino conta com o aumento das exportações de carne bovina e outros produtos para ajudar a tirar a economia de US$ 113 bilhões de uma recessão que persiste há quatro anos. “Subitamente, somos um país muito competitivo”, comentou o diretor executivo da Carne Hereford S.A., empresa que possui 250 mil novilhos, Victor Tonelli.

Enquanto o peso estava atrelado com o dólar norte-americano, os custos tornaram-se tão elevados que a Carne Hereford e outras companhias argentinas de gado não podiam alcançar os preços de empresas exportadoras do Brasil, que desvalorizou sua moeda em janeiro de 1999. “Sentimos o aquecimento do Brasil por muitos anos e agora é a vez desse país sentir tais efeitos”, disse.

No leilão no bairro de Liniers, em Buenos Aires, o gado vivo atinge 1,4 peso por quilo, o equivalente a US$ 0,18 por libra (453 gramas), em comparação com US$ 0,6265 por libra dos contratos de novilho para entrega em agosto na Chicago Mercantile Exchange, o referencial para os preços de gado nos Estados Unidos. Há um ano, os preços de Liniers estavam em cerca de US$ 0,39 por libra.

A Carne Hereford abate hoje quatro mil cabeças de gado por mês e exportou 800 toneladas, incluindo 500 toneladas de cortes de primeira, desde fevereiro, quando a Argentina acabou com uma proibição sobre as exportações de carne fresca imposta no ano passado após um surto de febre aftosa.

Antes da proibição, a companhia embarcou duas mil toneladas por ano ao exterior e prevê embarcar três mil toneladas em 2002.

A melhora da competitividade da Argentina levantará as exportações para 400 mil toneladas neste ano, 170% a mais sobre as 148 toneladas em 2001, quando as restrições às exportações estavam em vigor, comentou o presidente da Associação das Indústrias Argentinas de Carnes, Hector Salamanco. A produção de carne aumentará 12%, para 2,8 milhões de toneladas neste ano, em relação às 2,5 milhões de toneladas em 2001, afirmou Salamanco.

O aumento dos embarques permitirá à Argentina superar o Canadá para tornar-se o quinto exportador de carne. A Austrália ocupa o primeiro lugar, seguido dos EUA, Brasil e Irlanda. Os maiores mercados da Argentina para a carne resfriada e congelada são União Européia, Peru e Hong Kong.

Livre da febre aftosa

O conselheiro agrícola da Embaixada da Argentina, Miguel Campos, confirmou que os testes realizados em bovinos na Província de Buenos Aires não comprovaram a existência de febre aftosa.

Técnicos do Serviço Nacional de Sanidade e Qualidade Alimentar (Senasa), órgão responsável pela fiscalização, haviam detectado sintomas da doença em junho num lote de 50 animais.

Fonte: Gazeta Mercantil, adaptado por Equipe BeefPoint

This post was published on 5 de julho de 2002

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