Categories: Entrevistas

André Alves de Souza dá dicas essenciais para o sucesso da suplementação proteico-energética em bovinos de corte a pasto

André Alves de Souza é médico veterinário e concluiu seu mestrado em ciência animal e pastagem pela ESALQ/USP e doutorado em em nutrição e produção animal pela Unesp/Botucatu. É consultor em nutrição animal de bovinos de corte e programas de produção de cortes especiais para restaurantes especializados.

Foi pesquisador convidado do Departamento de Ciências Animais – Laboratório de Qualidade de Carnes – Colorado State University, ampliando seus conhecimentos em nutrição animal. Atualmente, é professor convidado de pós-graduação em produção animal na UFMS e tem participado de realização de provas de ganho de peso.

André também é instrutor de Cursos Online AgriPoint e na entrevista destaca os principais pontos sobre a utilização da suplementação proteico-energética de bovinos de corte a pasto. Confira a entrevista abaixo!

BeefPoint: Quais são os principais erros cometidos nas fazendas que utilizam suplementação proteico-energética na alimentação animal?

Os erros mais comuns na suplementação de bovinos a pasto é a não observação das exigências nutricionais nas diferentes categorias animais e, com isso, os programas de suplementação não alcançam seus objetivos levando a prejuízos. Diferentes sistemas de produção tem diferentes necessidades de suplementação, que como o próprio nome diz, deve suplementar nutrientes, possibilitando melhoras na produção do sistema como um todo.

BeefPoint: Qual é o fator limitante para o sucesso de um programa de suplementação?

Diversos são os fatores para o sucesso de um programa de suplementação, porém o ajuste entre o fornecimento de nutrientes em relação às condições ambientais apresentadas é o ponto de maior relevância para o sucesso na suplementação.

BeefPoint: Quais as principais diferenças entre suplementos proteicos e energéticos e em que situação cada um deles deve ser utilizado?

A suplementação é uma ferramenta que deve ser utilizada da melhor maneira possível, levando-se em conta as exigências nutricionais e os objetivos a serem alcançados por essa suplementação. Normalmente utiliza-se os suplementos proteicos no período de seca, e os energéticos no período das águas, porém dependendo das condições climáticas, essa afirmativa pode necessitar de ajustes. Cada suplemento deve ser formulado e avaliado para cada situação, visando ser o complemento final para o metabolismo animal.

BeefPoint: Este ano os os preços dos grãos recuaram e assim o produtor também deve conseguir formular uma dieta mais barata. Você acha que é uma boa estratégia investir mais na suplementação dos animais?

A suplementação ou não dos animais deve levar em consideração diversos fatores, como o sistema de produção, a categoria animal, potencial de ganho, custos dos suplementos, etc. É importante lembrar que os ganhos obtidos na suplementação devem ser mantidos até o abate do animal, no caso dos machos, ou a prenhez, nos casos de suplementação voltada à reprodução. Deve-se tomar muito cuidado para que os ganhos obtidos com um bom manejo de suplementação não se diluam dentro do crescimento animal.

BeefPoint: Estamos em início de junho, as chuvas já cessaram na maior parte do país e estamos entrando no período de seca. Como o produtor deve se preparar para enfrentar essa fase crítica e evitar que seus animais percam peso?

A preparação para o período de seca exige planejamento, sendo específica para cada propriedade e local. Não há uma solução ótima para todos, cada propriedade tem suas peculiaridades dentro do sistema de produção, características genéticas e fenotípicas dos animais, localização, clima, etc. É por isso que é muito difícil uma mistura obter ótimos resultados em diversos locais.

BeefPoint: Qual é a estratégia de suplementação, pensando no ano todo, que você indica para seus clientes? Qual a melhor forma de planejar essa estratégia pensando em aumentar a produtividade do rebanho?

É impossível uma indicação “geral” dentro de programas de suplementação. Cada sistema de produção, apresenta diversas variáveis em relação tanto ao ambiente (pastagens), quanto ao animal, e dessa maneira temos soluções ótimas diferentes para cada propriedade. Para se obter o máximo resultado de um programa de suplementação, o suplemento deve se encaixar perfeitamente as necessidades do sistema. Dependendo das condições de cada sistema de produção, devemos acelerar mais, ou suplementar mais do que em outros, lembrando sempre que, quem determinará o que fazer é o retorno financeiro do investimento.

BeefPoint: Pensando em vacas de cria e bezerros, como deve ser a estratégia de suplementação utilizada?

No caso de suplementação de matrizes, o programa deve focar a máxima resposta em relação à reprodução e, portanto, devemos pensar na condição corporal das fêmeas para uma boa resposta reprodutiva. Além disso, podemos também utilizar a suplementação como um fonte alternativa de nutrientes específicos a reprodução, maximizando os índices reprodutivos.

BeefPoint: O que os alunos poderão aprender de mais relevante neste curso?

O curso possibilitará ao aluno o entendimento da suplementação como parte do sistema de produção, possibilitando a formulação e ajustes de suplementos para cada sistema de produção e categoria animal. Também demonstrará de que maneira devemos planejar a suplementação, determinando as quantidades a serem fornecidas, número de dias de suplementação para atingir o objetivo pré determinado. Dessa maneira, cada real (R$) investido terá maior resposta produtiva e, consequentemente, maior retorno econômico no sistema com um todo.

Começa no dia 01 de julho, o Curso Online Suplementação proteico-energética de bovinos de corte a pasto. Neste curso, os alunos aprenderão os princípios essencias da suplementação e a avaliação econômica do uso da suplementação a pasto para a produção de carne. Além disso, utilizarão informações aplicadas de suplementação nas águas e na seca e de suplementação de fêmeas e bezerros com creep-feeding.

Clique aqui para ver a programação completa e faça sua inscrição!

This post was published on 16 de junho de 2010

Share

View Comments

  • este curso realmente seria de grande valia, mas estou indo para fazenda nesta segunda e não garanto minha participação;
    Mas é um tema que esta em evidencia na feicorte, na dbo de junho e na minha fazenda;
    Na fazenda estou fornecendo para recria sal proteinado e para engorda em semiconfinamento intensivo rolão de milho com nucleo confinamento; mas acho que preciso melhorar a compra de subprodutos da região e aumentar kg/ua/dia, mas sem substituir a pastagem por ração, o que é o diferencial da minha engorda.

Recent Posts

Uruguai estuda protocolo para incluir gado terminado com grãos na Cota Hilton

Membros do setor privado uruguaio e do Poder Executivo estão estudando a possibilidade de solicitar… Read More

8 de julho de 2020

Produção de grãos no país deve chegar a 251,4 milhões de toneladas impulsionada pela colheita de milho e soja

A produção brasileira de grãos deverá ser de 251,4 milhões de toneladas na safra 2019/2020.… Read More

8 de julho de 2020

Exportação de carne bovina dos EUA atinge em maio menor nível mensal em 10 anos

As exportações de carne bovina e suína dos Estados Unidos caíram em maio, refletindo, em… Read More

8 de julho de 2020

Marfrig lança programa de apoio a pequenos restaurantes

A brasileira Marfrig, segunda maior indústria de carne bovina do mundo, lançou hoje um programa… Read More

8 de julho de 2020

Inmet emite alerta vermelho para chuvas no Rio Grande do Sul e em Santa Catarina

O Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) emitiu um aviso vermelho (grande perigo) para acumulado de… Read More

8 de julho de 2020