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Analistas da China e do Brasil do Rabobank debatem o cenário de proteínas animais e comentam projeções para o curto e médio prazo

O Rabobank Brasil está com um o novo programa de entrevistas do canal Foco no Agronegócio chamado Conexão direta. No primeiro episódio, Wagner Yanaguizawa, analista de proteína animal do Rabobank Brasil, entrevistou sua colega de time do Rabobank China, Chenjun Pan, para analisar o cenário atual das carnes suína, bovina e de frango na China e as suas projeções para o curto e médio prazo.

A China é hoje o maior importador de carne brasileira. No mercado de suínos na China, após o segundo semestre positivo em 2020 para recuperação do rebanho, os desafios intensificaram com a chegada do inverno e a  redução do inventário suíno, principalmente no lado da cria e isso resultou em um retrocesso na tentativa do setor produtivo de aumentar a produção de carne suína.

O Rabobank já ajustou as projeções para o atual ritmo de reposição de preços e também para o crescimento da produção em 2021, mas manteve sua visão sobre as importações. Agora, o Rabobank acredita em uma recuperação mais lenta do rebanho no primeiro semestre de 2021, mas provavelmente será retomado no segundo semestre.

Atualmente, a situação sanitária é muito desafiadora com a notificação de novos surtos de peste suína africana em algumas regiões e, com isso, o Rabobank projeta que o crescimento da produção será mais lento do que sua visão interior no final do ano passado. A visão atual é que a produção de carne suína crescerá de 8 a 10 por cento em 2021 em relação a 2020.

Algumas pessoas projetam um crescimento negativo na produção de suínos para 2021, mas o Rabobank acredita que a produção continuará crescendo, apesar das perdas que estão ocorrendo atualmente. Isso porque o tamanho do rebanho de suínos ainda é um pouco maior do que no mesmo período do ano passado, ou seja, o Rabobank acredita que a reposição das matrizes no segundo semestre do ano passado foi maior do que as perdas ocorridas no último inverno.

Com relação às importações, o banco manteve sua visão de que as compras de carne suína provavelmente diminuirão em relação ao nível recorde de 2020, mas dadas as importações muito fortes no primeiro trimestre deste ano, os embarques provavelmente diminuirão em um ritmo mais lento nos próximos meses. O Rabobank espera que as importações desaceleram, porque os preços domésticos da carne suína estão muito baixos devido à liquidação intensa durante o inverno.

O que ainda é incerto é que um cenário de recuperação dos preços da carne poderia acontecer caso o controle do covid-19 seja mais rápido do que esperamos, o que poderia causar aumento nos preços, provavelmente na segunda metade do ano.

O Rabobank considera que os surtos de peste suína africana levaram à mudança no consumo de carne suína para aves e bovinos. As aves são o principal substituto para carne suína devido aos preços mais baratos e têm se beneficiado da escassez de oferta de carne suína. Isso porque, quando os preços da carne suína sobem, as pessoas sentem que a carne bovina aparece mais barata ou econômica, então tendem a consumir mais esta carne.

O Covid-19 causou um forte aumento das compras online e também outra mudança é que os chineses continuam cozinhando carne bovina em casa. Na China, esta carne costuma ser o principal prato para comer fora, por exemplo, as pessoas consomem carne nos restaurantes, mas com o Covid-19 e o fechamento do foodservice, as pessoas têm mudado o consumo de carne para dentro de casa. Depois da Covid-19 e dos surtos de peste suína africana, parte do hábito permanecerá. As pessoas devem voltar ao hábito anterior, mas não completamente

No mercado chinês de carne bovina, nos últimos anos o consumo per capita dessa proteína tem apresentado tendência de alta, não só pelo aumento das classes econômicas A e B, mas, também, pela baixa oferta. Houve forte aumento do preço da carne suína tornando a carne bovina mais competitiva.

A produção local de carne bovina na China cresceu em 2021, mas o crescimento da produção local não deve acompanhar o crescimento da demanda. Isso porque a China não tem recursos suficientes para expandir a pecuária de corte. Há pastagens na China, mas a proteção ambiental agora é uma prioridade para o governo. Então, há muitas restrições para a formação de novas áreas de pastagem.

O Rabobank acredita que a China continuará importando mais carne bovina para atender a demanda local adicional, mas o recente aumento no preço internacional da carne bovina impactará de alguma forma o ritmo de importação, porque a maioria das importações ainda é do mercado de commodities e, portanto, muito sensível aos preços.

Até é possível que o governo da China retire a exigência de idade mínima para o gado brasileiro importado, mas não devemos ter grandes mudanças no curto prazo. O principal desafio está relacionado à redução dos casos do PSA e também a China ainda não adotou uma política de regionalização para admitir uma região específica como zona livre de doenças. Assim, pelo menos no curto prazo, a China manterá esse requisito.

Sobre o setor de frangos, temos visto muitos esforços na China para aumentar a produção dessa proteína que é o principal concorrente da carne suína. Como resultado, houve grandes aumentos na produção, com crescimento de dois dígitos nos últimos dois anos.

Na China, existem basicamente dois tipos de aves que são consumidas, uma chamada de branca e a outra de amarela. A amarela é distribuída principalmente nos mercados dos úmidos, os wet markets, portanto, o fechamento desses mercados terá um impacto sobre o frango amarelo, mas, para o branco, esta é a principal carne processada pela indústria e também para o setor de foodservice, portanto, para este tipo de carne, a nova política dos mercados úmidos não terão muito impacto. Se falarmos do frango branco, a indústria chinesa já está consolidada e modernizada. Então esse é bastante diferente de outros setores da pecuária, como o setor de carne bovina ou ovina, que ainda estão muito fragmentados. 

Mas, devido ao hábito local, a China ainda precisa importar muita carne de frango, principalmente alguns cortes como asas e pés. Por outro lado, já tem um excesso de oferta de carne de peito, então é necessário encontrar uma solução para lidar com esse tipo de corte do ponto de vista do volume. Em geral, as importações de frango terão um potencial de alta bastante limitado no futuro, especialmente após a recuperação da produção de carne suína, mas a China deve manter fortes importações de asas e pés de frango, mesmo depois que o fornecimento de carne suína voltar ao nível normal.

Confira aqui a entrevista completa:

Fonte: Rabobank.

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