Categories: Nutrição

Alternativas práticas e viáveis de suplementação dentro do sistema de produção de bovinos de corte

Por Rodrigo S. Marques , Bruno Cappellozza e Reinaldo F. Cooke

Rodrigo Marques é zootecnista e mestre pela Esalq/USP. Atualmente realiza o programa de doutoramento em Animal Science na Oregon State University – Corvallis, OR, EUA

Bruno Capellozza é zootecnista e mestre Oregon State University. Atualmente realiza o programa de doutoramento em Animal Science na Oregon State University – Corvallis, OR, EUA

Reinaldo Cooke é professor e pesquisador na Oregon State University – Eastern Oregon Agricultural Research Center, Burns, OR

O Brasil se encontra em lugar de destaque na produção de bovinos de corte mundial, possuindo cerca de 203 milhões de cabeças no ano de 2013 e com expectativa de aumento para 208 milhões em 2014 (USDA, 2013). Apesar de detentor do maior rebanho comercial do mundo, o Brasil ainda não possui a condição de maior produtor de carne perdendo esse lugar apenas para os Estados Unidos com produção de cerca de 11,7 milhões de toneladas de carne contra 9,6 milhões toneladas de carne da produção brasileira (USDA, 2013).

Contudo, a pecuária brasileira ainda apresenta um lugar de destaque no mercado mundial pelo fato da produção de carne ser basicamente com a utilização de pastagens tropicais, tornando-a economicamente competitiva e viável. Tomando esse racíocinio como base e tendo a maior parte da produção de carne nacional atrelada às pastages tropicais, o pecuarista brasileiro pode se tornar mais competitivo no mercado da bovinocultura de corte com a utilização de ferramentas de fácil acesso dentro do sistema de produção de corte. Um exemplo é atrelar a produção de carne bovina em pastagens tropicais com a utilização correta da suplementação nutricional.

Neste artigo iremos abordar algumas estratégias de suplementação que podem ajudar o produtor de bovinos de corte em muitos aspectos econômicos e produtivos dentro do sistema de produção, visto que estas estratégias já fazem parte da rotina do produtor, mas muitas vezes não são usadas corretamente, resultando em menor retorno econômico e em muitos casos prejuízos que não são contabilizados na cadeia da carne.

Forma de suplemento Um dos maiores desafios dos programas de suplementação é fazer com que todos os animais consumam uma determinada quantidade almejada de suplemento dentro do programa de suplementação. No entanto, isso nem sempre é possível porque o modo que o suplemento é disposto aos animais, o tipo de suplemento e método de alimentação, dominância e interação social entre os animais e a disponibilidade de forragem afetam a variação no consumo individual entre animais. Existem diversas formas de suplementos no mercado atual que visam a diminuição da variação do consumo entre animais e que aumentam a quantidade de animais que irão consumir aquele determinado suplemento. As principais formas de suplementos encontradas hoje no mercado são: líquido (exemplo: melaço de cana), seco (exemplo: farelo se soja) e bloco (exemplo: melaço e uréia). Suplementos líquidos e blocos são métodos de “delivery” que tentam permitir um ilimitado espaço por animal e teoricamente deveriam aumentar o consumo de suplemento e/ou reduzir o número de animais que não consomem o mesmo. Já os tradicionais suplementos secos, permitem um maior controle da quantidade desde que o animal tenha acesso adequado ao cocho de suplementação (Bowman & Sowell, 1997). Em relação a variação de consumo entre as formas de suplemento podemos observar algumas disparidades quando comparamos suplementação na forma líquida, seca ou bloco. Segundo Bowman & Sowell (1997), suplementos líquidos e blocos apresentam aumento na variação de consumo de 47 e 94 % (Figura 1) em relação ao suplemento seco, respectivamente. Para demonstrar a importância da variação no consumo individual animal de suplemento, considere o seguinte exemplo. Se 10 kg de suplemento for oferecido para um grupo de 10 animais, espera-se que cada animal consuma 1 kg de suplemento por dia. No entanto, se 3 animais não consomem o suplemento e 2 animais consomem apenas 0,5 kg, então pelo menos 50% do grupo não irá consumir a quantidade de suplemento almejada, resultando em menor desempenho e retorno econômico. Essas diferenças entre os suplementos observadas pelos autores vão estar diretamente relacionadas com espaço no cocho para os animais, quantidade de suplemento por animal, formulação do suplemento e rapidez de consumo. Deste modo o melhor suplemento a ser utilizado vai depender das práticas de manejo de cada fazenda. Frequência de suplementação Outro fator dentro do sistema de produção de bovinos de corte que pode acarretar em maior retorno econômico é a frequência de suplementação. Segundo Bohnert et al. (2002), vacas prenhes não lactantes no terço final de gestação suplementadas infrequentemente (a cada 6 dias) com proteína degradável e não degradável no rúmen e consumindo forragem de baixa qualidade (< 6% de proteina bruta) apresentam melhor utilização de nitrogênio e similar desempenho quando comparados com animais suplementados diariamente (Figura 2). A diminuição na frequência de suplementação de proteína é uma prática de manejo que pode reduzir os custos com mão de obra e aumentar a rentabilidade do sistema, desde que esses animais consumam a mesma quantidade semanal de suplemento almejada. Produtores de gado de corte que incluem uréia em suplementos protéicos para reduzir o custo da suplementação, podem questionar se é possível reduzir a frequência de suplementação para este tipo de suplemento. Segundo Farmer et al. (2004), suplementos com inclusão de uréia até 30% da ingestão de proteína degradável e suplementando em dias alternados oferece a possibilidade de reduzir os custos de produção sem prejudicar o consumo e a digestão de forragem de baixa qualidade (<4,1% de proteína bruta) ou o desempenho de vacas no pré-parto (Figura 3). Levando em conta o custo de produção brasileira como base de cálculo, podemos observar que o custo de produção pode cair até 83% quando se faz uso de suplementação infrequente (Tabela 1) ou mesmo com o uso de produtos como uréia que muitas vezes apresenta custo inferior comparado com fontes de proteína verdadeira resultando em um desempenho similar (Figura 3). Apesar da redução dos custos, o produtor deve ter cautela em dietas com altas concentrações de proteína combinadas com altas concentrações de uréia dentro do sistema de suplementação infrequente e evitar extrapolar tais tipos de suplementação com uréia para outras categorias animais ou com baixa oferta de forragem. Além disso, o produtor não deve extrapolar esses resultados de frequência de suplementação protéica para frequência de suplementação com fontes energéticas (exemplo: milho) já que esses são prejudiciais ao desempenho animal quando estes consomem forragens de baixa ou média qualidade (Kunkle et al., 2000). Segundo Moriel et al. (2012), novilhas de reposição consumindo dietas baseadas em forragens de baixa e média qualidade associadas com suplementação energética com frequêcia de 3 vezes por semana apresentam menor desenvolvimento reprodutivo comparadas com novilhas que receberam o mesmo suplemento diariamente. Esse artigo tem como finalidade demonstrar como existem ferramentas simples de manejo disponíveis na literatura que podem entrar na rotina do sistema de produção de bovinos de corte brasileira com intuito de reduzir os custos sem afetar a performance dos animais, consenquentemente ajudando a cadeia de bovinos de corte brasileira se tornar ainda mais competitiva mundialmente. Por Rodrigo S. Marques , Bruno Cappellozza e Reinaldo F. Cooke

This post was last modified on 3 de junho de 2014 15:34

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