Alterações de consumo de forragem com o uso de suplementos para bovinos em pastejo – 2

O fornecimento de suplementos concentrados para bovinos em pastejo, poderá levar à alterações no comportamento dos animais, diminuindo a ingestão total de forragens. Para esta redução no consumo de forragem e aumento de consumo de suplemento dá-se o nome de efeito substituição. A depressão de consumo de forragem é expressa como a proporção da quantidade de alimento alternativo consumido.

Segundo Hodgson (1990), alimentos suplementares podem ser oferecidos para corrigir deficiências específicas de nutrientes das forragens pastejadas, tanto em quantidade como em qualidade. Os suplementos podem variar de uma simples mistura mineral até alimentos conservados ou misturas de diferentes ingredientes concentrados. Eles podem ser usados como uma prática constante de manejo ou de maneira esporádica para suprir eventuais necessidades ou desbalanços de nutrientes.

Dessa forma, os fatores que afetam o consumo de matéria seca podem ser agrupados em nutricionais e não nutricionais. Os fatores nutricionais limitam o consumo através da digestibilidade da dieta, tempo de retenção do alimento no rúmen e concentração de produtos metabólicos no sangue (Poppi et al., 1987). Resultados de pesquisa com bovinos, sob condições tropicais apontaram que as variações periódicas no teor de energia e proteína nas pastagens restringiram o consumo de MS para valores menores que duas vezes a necessidade de manutenção.

Fatores não nutricionais restringem o consumo por limitar o tamanho de bocado e a taxa de consumo. As compensações comportamentais no processo ingestivo raramente são suficientes para aumentar o consumo em situações como essas. Para os bovinos, o tempo de pastejo dificilmente ultrapassa 600 minutos/dia e o número total de bocados é limitado em 36 mil bocados/dia. Assim, reduções acentuadas no tamanho de bocado podem não ser compensadas por uma aumento no tempo de pastejo e taxas de bocados, promovendo a redução de consumo de forragem (Tabela 1)(Minson, 1990). Segundo Hodgson (1990), quando a quantidade de forragem disponível é inferior a 2.000 kg de MS/ha há uma redução na ingestão de matéria seca devido a redução no tamanho de bocado.

A importância relativa de cada fator sobre o consumo de forragem é variável de acordo com as características estruturais do pasto, espécie forrageira e estado nutricional do animal (Poppi et al., 1987). O consumo de matéria seca em pastagem é um fator crítico que afeta a produção. Alguns nutrientes em deficiência podem reduzir o consumo de forragem como N, P, Co e outros. O excesso de outros nutrientes também afeta consideravelmente o consumo como é o caso da fibra. Forragens com teores de FDA ao redor de 30% podem ser consumidas em altos níveis, contudo, quando o teor de FDA atinge 40%, o consumo torna-se restrito.

Normalmente, o fator mais limitante para reprodução, ganho de peso e produção de leite em pastagens é energia. Esta deficiência está relacionada ao consumo limitado e ao baixo valor de energia prontamente disponível para a maioria das forragens. Apesar dos altos valores de energia proporcionados pelos carboidratos da parede celular, estes são lentamente digeridos em relação aos carboidratos não estruturais.

Tabela 1. Influência de suplementos energéticos sobre o comportamento de pastejo de vacas em lactação


Fonte: Minson (1990)

Na tabela acima, verificamos dados comportamentais de bovinos leiteiros em pastejo, os valores nos mostram que a partir de 3 kg de suplemento concentrado dia, passamos a observar efeito de substituição. Por outro lado vemos que a produção de leite aumentou constantemente, possibilitando maior produção devido ao efeito da suplementação. Pelo fato da ocorrência da substituição, tem-se uma maior quantidade de forragem disponível, permitindo uma maior capacidade de suporte para a área de pastagem. Portanto a suplementação de grandes quantidades de concentrado para bovinos em pastejo pode ser usada no intuito de aumentar a taxa de lotação da área devido ao menor consumo da mesma.

Muito importante não esquecermos do aspecto econômico, visto que, em sistema de produção a pasto, a forragem é o alimento mais barato e, portanto, qualquer investimento deve ser muito bem avaliado.

Referências bibliográficas:

COMBS, D. K. 1997. Pasture supplementation and forage intake. In: International Symposium on Animal Production Under Grazing. Viçosa. p. 209-234.

HODGSON, J. 1990. Grazing management. Science into Pratice. Lougman Group UK Ltda. Essex. England, p. 135-142.

MINSON, D. J. 1990. Forage in ruminant nutrition. Academic Press. New York. 483.


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