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Alta do preço do milho… Quais alternativas temos?

Os parâmetros de mercado do milho grão no ano de 2010, com menores valores de venda devido à alta oferta desse produto, levaram a diminuição do ânimo dos agricultores em relação a essa cultura, diminuindo as áreas de milho “safra” e, as adversas condições ambientais atuais, atrasaram o início do plantio das áreas de produção do milho “safrinha”, levantando dúvidas em relação ao total de produção do grão nesse ciclo. Esses fatores levaram a uma situação de grande incerteza em relação à produção do grão em 2011 e, consequentemente, ao custo do mesmo para 2011. Além dos fatores citados, os leilões dos estoques governamentais não foram suficientes para segurar o preço do grão no último bimestre de 2010 e início de 2011.

O milho é a base da nutrição das diferentes classes zootécnicas voltadas à produção da proteína animal. A avicultura, suinocultura e bovinocultura de corte e leite consomem grande parte de todo o milho produzido no país, sendo esse um ingrediente de grande impacto sobre o custo total de produção.

A utilização de milho como fonte de energia em dietas de bovinos de corte confinados tem um papel essencial na produção e eficiência final do sistema. Os grãos de cereais têm grande participação na formulação final dessas dietas, interferindo diretamente no custo final das rações. Dessa maneira, os produtores dependem de uma boa estratégia de compra e/ou produção desse grão, para controle do custo final de produção e, consequentemente, de lucro na atividade. Nessa “disputa” entre as diferentes classes zootécnicas, de forma direta, podemos dizer que os bovinos são os animais de menor poder de força, por possuírem uma menor conversão alimentar em relação aos demais. Por outro lado, os ruminantes tem a capacidade de utilização de alimentos fibrosos, situação quase impossível para avicultura e suinocultura.

Levando em consideração os fatores citados acima, temos a clara percepção de que os produtores de bovinos de corte terão um ano muito mais difícil em relação a negociação do milho, e na manutenção dos custos de produção. E quais alternativas temos?

Primeiramente, fora do sistema de produção em si, devemos ter em mente que devemos ser mais eficientes na aquisição desse produto, seja na negociação antecipada diretamente com produtores (“compra milho na roça”), através da antecipação ou não de parte do valor total combinado por tonelada. Esse tipo de negociação é bastante comum, porém deve estar ligado a um bom contrato de compra e venda com previsão de entrega e multa por quebra de contrato (Tabela 1).

Outra forma de negociação seria através da compra estratégica dos grãos através da compra em lotes de acordo com a época de utilização, quantidade e estrutura de armazenamento. Uma forma bastante comum, seria a compra de aproximadamente 70% da quantidade total necessária no momento de menor custo de aquisição no ano e, o restante das necessidades escalonados e de acordo com andamento do preço no mercado físico. Também podemos optar por adquirir contratos de milho na bolsa de valores, bem como as demais formas de atuação nesse mercado.

Tabela 1. Vantagens, desvantagens e precauções para as diferentes formas de negociação de insumos

Apesar das diferentes estratégias de negociação citadas, em determinados momentos e situações, dependendo da localização (logística), estrutura e sistema de produção da propriedade, o custo dos insumos pode se tornar inviável, obrigando-nos a adotar medidas dentro do sistema de produção para a viabilização econômica do sistema. Basicamente, dentro do sistema de produção, temos a substituição dos ingredientes da dieta como forma de atuação, tendo os fatores como tipo de ingrediente, a utilização prévia do mesmo, ordem de inclusão, bem como as substituições como determinantes ao sucesso dessa estratégia.

Para substituição de um ingrediente devemos avaliar as composições nutricionais dos ingredientes, bem como sua atuação no ambiente ruminal. Diferentes ingredientes podem ter composições nutricionais semelhantes, porém atuar de forma totalmente diferente no ambiente ruminal, favorecendo ou não os processos de degradação e fermentação ruminal, produção de ácidos graxos voláteis (principal fonte de energia) e da produção de proteína microbiana (principal fonte protéica – alto valor biológico).

Os efeitos associativos dos alimentos nos ruminantes estão diretamente relacionados ao ambiente ruminal, podendo ser positivos quando as mudanças produzidas nas condições ruminais favorecem os microorganismos aí presentes, melhorando a digestão dos alimentos. Em geral, o efeito associativo negativo ocorre quando o valor digestível da dieta é reduzido devido a depressão da digestão da celulose ou do amido, como resultado direto da suplementação, do processamento ou de efeito direto sobre o trato digestivo.

Além da composição nutricional e os efeitos diretos do alimento sobre o ambiente ruminal, a palatabilidade tem grande importância, pois afetará a ingestão total de matéria seca e do ganho final de peso dos animais.

This post was published on 28 de março de 2011

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  • Bom dia, André

    Gostaria de saber a sua opinião a respeito do preço do milho sobre a expectativa de animais confinados, este poderia ser o maior entrave para este ano?

    Abraço.

  • Prezado José Rodolfo,

    Minha visão do mercado atual de grãos no Brasil passa por muita especulação e poucos números estatísticos realmente confiáveis. Acredito que os valores de milho não se manterão nos patamares atuais, bem como não serão limitantes aos confinamentos. É muito difícil afirmar de maneira geral para o Brasil, devido as diversidades e peculiaridades de cada local nessa imensa extensão que é o nosso país, porém as regiões com aptidão ao confinamento, não terão grandes problemas para produção. Somente como exemplo, algumas regiões tradicionalmente produtoras de milho do MT estão fechando grandes contratos com as multinacionais, possivelmente para exportação, e esse pode ser um fato que afete os preços nessas regiões.



    Forte abraço.

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