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Ainda que em pouca intensidade, covid-19 já afeta mercado de trabalho agropecuário em março

Além do acompanhamento trimestral do mercado de trabalho do agronegócio, a partir deste mês, o Cepea (Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada), da Esalq/USP, passa a disponibilizar também análises mensais sobre a mão de obra na agropecuária.

Neste primeiro relatório, referente ao trimestre móvel encerrado em março (ou seja, janeiro-fevereiro-março de 2020), pesquisadores do Cepea mostram que há evidência de que a chegada da covid-19 no Brasil, oficialmente em 25 de fevereiro, já exerceu, ainda que em pouca intensidade, impacto sobre o mercado de trabalho da agropecuária em março, implicando em um menor número de pessoas ocupadas no setor.

Neste estudo mensal, pesquisadores do Cepea analisam as variações no número da população ocupada na agropecuária em relação ao seu comportamento sazonal e cíclico de anos anteriores. De acordo com modelo estimado pelo Cepea, tem-se que, sazonalmente, o trimestre móvel que se encerra em março é caracterizado por número mais baixo de ocupados. Já os trimestres móveis encerrados em julho e agosto são aqueles marcados por maiores números de ocupados.

Nesse sentido, a avaliação de março é que, embora tenha sido verificado um choque negativo sobre os empregos, este ainda não foi suficiente para que o nível da população ocupada na agropecuária fugisse da normalidade observada para o mesmo período de anos anteriores.

Ainda assim, a população ocupada na agropecuária no trimestre móvel encerrado em março de 2020 se aproximou do limite inferior do comportamento esperado pelo modelo do Cepea. Isso traz alguma evidência de que ocorreram choques não antecipados (não relacionados, portanto, à sazonalidade típica do período e ao ciclo da variável), o que pode, portanto, estar relacionado à chegada da covid-19 no Brasil. Pesquisadores ressaltam que impactos mais expressivos da pandemia sobre o mercado de trabalho agropecuário podem ser sentidos a partir de abril.

METODOLOGIA – Pesquisadores vão avaliar mensalmente a situação da mão de obra na agropecuária por meio das informações da PNAD Contínua mensal do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística). Essa pesquisa, que é uma versão simplificada da divulgada trimestralmente pelo Instituto (PNAD Contínua trimestral), traz informações apenas de alguns indicadores e somente para o agregado do Brasil, sempre com foco nos últimos três meses, ou seja, em trimestres móveis. Por se tratarem de informações simplificadas, não é possível avaliar o agronegócio como um todo ou seus segmentos, nem atividades de forma específica. Porém, é possível acompanhar o número de ocupados na agropecuária – segmento que, em 2019, representou 45% do total de ocupados no agronegócio.

Fonte: Cepea.

This post was published on 21 de maio de 2020

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Equipe BeefPoint

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