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Agrocafé: Kátia Abreu fala sobre desafios do campo

O 11º Agrocafé está sendo realizado em Salvador/BA, entre os dias 8 e 10 de março, servindo de palco para importantes discussões sobre a atual situação da cafeicultura. A senadora Kátia Abreu, presidente da CNA, esteve presente no primeiro dia de evento realizando a palestra de abertura.

Kátia Abreu fez questão de abordar os grandes desafios do campo brasileiro, nesse evento que reúne líderes do setor, produtores, cooperativas, entre outros.

A senadora apontou a questão ambiental como um dos desafios mais importantes atualmente. Para isso, a CNA encomendou à Embrapa um projeto (BIOMAS) de meio ambiente que fosse viável aos agricultores brasileiros, possibilitando que os mesmos se identifiquem com tal projeto, gerando assim interesse para que se adequem às boas práticas agrícolas no que se refere à questão ambiental. “O meio ambiente não sustentável faz mal ao bolso”, afirmou ela.

O projeto BIOMAS tem como principal objetivo a democratização da pesquisa, colocando a tecnologia a disposição daqueles que não podem ter acesso atualmente. O projeto prevê o estudo e determinação de áreas estruturalmente frágeis com posterior criação de seis unidades demonstrativas de 500 hectares em cada um dos biomas brasileiros: amazônico, caatinga, cerrado, mata atlântica, pampa e pantanal. Essas áreas serviriam como padrões para a produção sustentável.

Kátia Abreu deixou bem claro que os produtores são protagonistas do agronegócio, portanto, tem que ser o principal, senão não há indústria, não há cooperativas, não há negócio.

“De todos os desafios, o maior é a manutenção de renda do produtor”, enfatizou ela. Observa-se que frequentemente os produtores se comprometem com custos e mais custos, e não conseguem que a renda entre na propriedade. “Todos os mecanismos que estão sendo criados no país trazem custos aos produtores rurais. Se não encontrarmos mecanismos para sustentar renda, não conseguiremos cumprir nossas próprias leis”, analisou Kátia.

O Estado brasileiro tem se ausentado de suas responsabilidades. Exemplo disso: a situação geográfica da agricultura se deslocou para o Centro-Oeste brasileiro, mas a logística não se desenvolveu nessa região. Isso interfere diretamente os custos e renda dos produtores, uma vez que são obrigados a arcar com custos logísticos no momento da venda e entrega de seus produtos. A senadora apontou situações que comprovam que os produtores arcam com gastos, mas não são remunerados pelos seus investimentos: “Na hora da formação de preço, ninguém pergunta quanto foi gasto com logística, quanto a propriedade tem de área em Reserva Legal, quanto custou o encargo trabalhista, etc.”

Já no final de sua explanação, Kátia Abreu chama atenção para a dificuldade de mostrar para sociedade a falta de renda e empobrecimento do campo. A sociedade como um todo precisa saber quais são os prejuízos que esse empobrecimento gera todos brasileiros, tanto na área urbana como rural.

Kátia Abreu finaliza sua apresentação informando que recentemente esteve no Rio de Janeiro, onde fechou acordo de que, em 2011, a história do agronegócio brasileiro será contada na Marquês de Sapucaí/RJ, mostrando assim a importância desse setor para o desenvolvimento do País.

Natália Fernandes, da equipe CaféPoint, enviada ao 11º Agrocafé pela AgriPoint.

This post was published on 10 de março de 2010

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  • Senadora Kátia Abreu, seu esforço, diligência e trabalho árduo à frente da CNA na defesa de renda satisfatória do homem do campo tem trazido alento e esperança aos habitantes da área rural. Nenhuma pessoa de bom senso deixa de defender a preservação ambiental, e o fim do desmatamento; o que não se pode admitir, não é justo, é que se puna os proprietários que estão na amazônia legal por ter cultivado 50%(cinquenta porcento) de sua área, visto que deixaram sua distante região de origem motivados/incentivados pelo próprio governo, e, a regra estabelecida pelo INCRA e IBAMA era cinquenta por cento. Se fosse 20%(vinte porcento), decididamente, ninguem deixaria/venderia as suas pequenas, médias e até propriedades maiores em regiões desenvolvidas com muito mais estrutura(saúde, escolas,transporte, etc...) e teria migrado para MT, RO... Se isto ocorrer nossa nação estará, desnecessariamente, praticando grande injustiça para com os produtores rurais. O reflorestamento de áreas que foram desmatada além daquele percentual, sua exigência é legítima, mas os que desbravaram até 5O%, não importando quando, a não ser que seja recentíssimo, não deveriam ser penalizados. O máximo que seria justo, possivelmente, seria não permitir que quem não desbravou a sua metade não possa mais fazê-lo. Abraço, continue assim...

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