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Abertura de capital nos EUA no radar da Marfrig

Com mais de 60% do faturamento no mercado americano, a Marfrig Global Foods vislumbra abrir o capital do grupo em uma bolsa nos Estados Unidos. A intenção é aproveitar as vantagens do mercado de capitais dos EUA, com custo de capital mais baixo e avaliação mais atrativa das empresas.

Embora sem um prazo definido, a possível abertura de capital foi abordada pelo empresário Marcos Molina, fundador e controlador da Marfrig, durante a teleconferência com analistas realizada na tarde de ontem. O presidente do conselho de administração afirmou que, se for do interesse dos acionistas, a Marfrig precisa estar pronta para abrir o capital nos Estados Unidos.

A declaração de Molina ocorreu espontaneamente, no encerramento da teleconferência. O empresário também enfatizou as vantagens de listagem de ações no mercado americano. Ele disse acompanhar os incentivos do governo Donald Trump à recompra de ações, bem como o custo de capital mais baixo de empresas listadas nos Estados Unidos.

De acordo com Molina, se o mercado americano avalia melhor as empresas – com múltiplos (relação entre valor empresarial e Ebitda) mais altos -, a Marfrig deve estar preparada para se apropriar dos benefícios. O empresário argumentou, ainda, que as ações de sua companhia estão subavaliadas, considerando os múltiplos de concorrentes. Na B3, a Marfrig vale R$ 9,8 bilhões.

Para ele, o mercado não “absorveu” as potencialidades da companhia, como a sua presença em carnes processadas. Esse segmento, de melhores margens, já responde por 10% do faturamento da Marfrig. O objetivo do grupo, que é o maior produtor de hambúrguer do mundo, é dobrar essa fatia, acrescentou o executivo Eduardo Miron, CEO da companhia, na teleconferência.

Os caminhos para a abertura de capital da Marfrig nos Estados Unidos ainda não estão definidos, mas a National Beef parece ser o veículo mais apropriado. A empresa, que é a quarta maior indústria de carne dos Estados Unidos, teve o controle comprado pela brasileira em 2018 e, em dezembro do ano passado, a participação da Marfrig na National foi ampliada de 51% para 82%. No ano passado, a controlada americana teve uma receita líquida de US$ 8,8 bilhões (R$ 35 bilhões). Ao todo, a Marfrig registrou vendas líquidas de R$ 49,8 bilhões.

Se avançar mesmo com a abertura de capital, a Marfrig seguirá a JBS, que também trabalha para listar as operações no exterior em uma bolsa americana. Ambas têm a maior parte das vendas nos EUA.

Paralelamente à preparação da companhia para ter ações nos Estados Unidos, a Marfrig quer voltar a distribuir dividendos aos acionistas a partir de 2021. Com os resultados deste ano, ainda não será possível remunerar os acionistas, afirmou Miron. De acordo com o executivo, a companhia deve primeiro compensar os prejuízos acumulados para passar a distribuir dividendos. Em 31 de dezembro de 2019, a Marfrig registrava R$ 3,1 bilhões em prejuízos acumulados no balanço patrimonial – um pouco abaixo dos R$ 3,3 bilhões de um ano antes.

A despeito disso, Molina demonstrou confiança na retomada dos pagamentos de dividendos a partir dos resultados de 2021. Nesse sentido, o empresário mencionou suas finanças pessoais. No fim do ano passado, lembrou, ele acompanhou a oferta de ações da Marfrig para manter sua participação e, posteriormente, elevou sua fatia na companhia a 41,9%.

Para isso, no entanto, Molina desembolsou cerca de R$ 500 milhões. O empresário conseguiu esses recursos junto a bancos, em empréstimos com prazo de carência de dois a três anos e prazo de pagamento de três a cinco anos. A intenção do empresário é pagar os empréstimos com o fluxo futuro de dividendos.

Devido aos constantes prejuízos da última década, a Marfrig não distribui dividendos aos acionistas desde 2011. Nos últimos anos, a companhia reorganizou as finanças, vendendo ativos para reduzir as dívidas.

Fonte: Valor Econômico.

This post was last modified on 21 de fevereiro de 2020 12:29

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Equipe BeefPoint

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