A ameaça ao sistema rural brasileiro

Os recursos vegetais renováveis, quando manejados com maestria e coerência, conduzem a uma vida múltipla e ampla do solo. Em harmonia silenciosa e atuante, os formadores de humos e de componentes do complexo coloidal do solo atuam na mineralização dos restos orgânicos, que são a “alma” das substâncias da reciclagem dos nutrientes através dos vegetais. Em suma, é a vida microbiana alimentada por vegetais decompostos que são os “tradutores” da fertilidade dos solos mineralizados. Quanto maior é a diversidade das plantações, maior será a diversidade microbiana, aumentando assim o conteúdo nutritivo. Conhecer os mecanismos desses processos é a principal arma para a concepção de sistemas de produção de alimentos no campo.

Mas, como nada é naturalmente sustentável e sim renovável, tudo dependente das intempéries e compete ao homem modificar o meio ambiente, no sentido de aumentar a produtividade rural.

A intensificação da produtividade requer o balanceamento dos componentes químicos, para a fertilização adequada dos solos. E, neste contexto, precisa do homem para tornar os campos nativos e os Cerrados de baixa fertilidade original em áreas férteis pela adição de adubos e, na sequência, de agentes vegetais recicladores de nutrientes, que são os agregadores das propriedades físicas e os indutores da atividade biológica dos solos.

A fronteira agrícola aumentou, centrada no enfoque sistêmico e com base nos agentes biológicos, que são os reais construtores dos ecossistemas rurais brasileiros. Entretanto, a base cientifica das modificações crescentes do meio produtivo, são hoje questionadas pelos ambientalistas. Estes não aceitam a tese de que, a cada aprimoramento dos sistemas de produção de alimentos, é menor a necessidade de florestas na atividade agropastoril. Querem jogar por terra todo o avanço da pesquisa com objetivos escusos, descrendo do processo evolutivo, na seleção e na melhoria da adaptação dos vegetais produtores de alimentos e sem sequer considerar a fome no mundo.

Agora, no momento em que se discute o novo Código Florestal, os sistemas produtores de alimentos devem ser considerados como base. No contexto, a biodiversidade original deve ser função e esmero dos Parques Nacionais e das Concessões de Florestas Publicas, bem como da exploração racional das essências florestais.

Cabe ao produtor rural respeitar o “fluxo das águas”, protegendo as fontes e, nos pequenos afluentes, dispondo parte das margens para as matas ciliares, com o fim de preservar a vida aquática e nos rios de grande porte, tanto na margem esquerda como na margem direita, cobrindo o solo com áreas florestadas através da regeneração natural, sem a interveniência do homem.

Caso a tese “ambientalista” prepondere sobre a tese da produção do campo no novo Código Florestal, essa, sem dúvida alguma sentenciará o malogro dos sistemas rurais brasileiros.


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