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6 pilares da gestão de pastagens

A gestão de pastagens é baseada em 6 pilares essenciais que são:

1) Diagnóstico e individualização das áreas de pastagens

Esse é um pilar muitas vezes negligenciado em projetos de gestão das áreas de pastagens. O primeiro passo para esse pilar é olhar a fazenda por cima e entender como é a formatação das áreas de pastagens de toda a propriedade, e não apenas das áreas intensificadas que recebem fertilização anual.

O que principalmente determina as áreas de pastagens é o bebedouro. Embora isso pareça banal, muitas vezes é o grande entrave para se operar a gestão de pastagem de uma fazenda. Lembre-se que é recomendado mais litros de água do que quilos de adubo. Os bebedouros precisam sustentar a lotação das pastagens da fazenda.

Então, é necessário conhecer e identificar as áreas de pastagens onde é possível colocar uma certa taxa de lotação devido principalmente à disponibilidade de água.

2) Determinação da capacidade de suporte na prática

Trata-se de desmistificar o palavreado científico a campo, pois a pessoa que está atuando na fazenda precisa entender e colocar em prática as informações científicas. É preciso que a equipe que trabalha a campo entenda exatamente o que precisa ser feito.

Para isso, é necessário treinar o olho das pessoas que trabalham a campo e utilizar medidas que eles entendam, como quilo de capim por metro quadrado, associando isso às diferentes alturas do pasto (baixo, médio e alto). Com isso, eles conseguem fazer uma correlação em situações práticas de campo.

Também pode-se utilizar métodos indiretos de medição, como o uso do prato ascendente para avaliar a altura do pasto. Isso é possível de ser feito a campo e ajuda a calibrar o olho dos funcionários.

Lembrando que o principal insumo são as pessoas. Uma equipe bem treinada é o ponto essencial desse pilar.

Tenha em mente que as pastagens respondem muito mais às questões climáticas do que ao fertilizante, por exemplo. Por isso, o monitoramento precisa ser feito mensalmente. Deve-se avaliar 3 pontos:

  • Altura recomendada de entrada para a espécie de pasto;
  • Aspectos qualitativos recomendados para a espécie de pasto;
  • Previsão climática para o próximo mês.

Com isso, faz-se a estimativa da lotação do pasto.

Todos os lotes e categorias devem operar dentro da capacidade de suporte do pasto, mesmo em pastos “marmita” (degradados). Com isso, há um maior desempenho global dos animais. Com isso, também ocorre maior produtividade e perenidade dos pastos presentes.

3) Ser contra “pasto passado”

Cuidado, porque deixar o pasto passar leva à queda de desempenho. O pasto que não foi consumido durante a época das águas e fica passado não poderá ser utilizado para alimentar os animais na seca. Além disso, esse pasto que não foi consumido para que tivesse uma “folga” não foi aproveitado durante o período das águas e acabou ficando passado – e inutilizado.

4) Respeitar o “pasto marmita”

Pasto marmita é aquele que não chega à altura ideal por falta de fertilidade do sistema ou por questões climáticas. Nessas ocasiões, é necessário trabalhar dentro da capacidade de suporte do pasto e com no máximo uma unidade animal por hectare.

Muitas vezes, esses pastos são o que garantem o desempenho da fazenda. Não é incomum que esses pastos tenham maior lotação do que os pastos mais produtivos, pois muitas vezes as pessoas não querem mexer nesses para não acabar com eles. Porém, esse tipo de situação faz com que nenhum dos dois pastos tenha desempenho adequado. É o famoso “já que vai reformar, joga lá mesmo”. Isso, no entanto, leva à piora no desempenho dos animais e da sustentabilidade da pastagem.

Em média, 60%-70% das áreas de pastagens são classificadas como “marmita”. Por isso, é preciso aprender a trabalhar com elas.

5) Monitoramento

O monitoramento é o professor do processo de gestão de pastagem. Quanto maior o monitoramento, maior a segurança na tomada de decisões.

Nesse passo, é preciso ter uma equipe bem treinada, com esse treinamento sendo sempre atualizado, além de ser necessário ter liderança. Em toda safra, esse processo vai girando e aumentando a competência das pessoas.

Nessa etapa, pode-se utilizar softwares para o monitoramento do pasto, avaliando o previsto e o realizado. A equipe nesse processo deve falar em unidade animal por hectare, sempre tendo em vista o ganho de peso por hectare.

6) Planejamento alimentar

Tenha em mente que não é possível gerir a queda de lotação para a seca e maximizar a lotação das águas sem planejar e executar uma “engenharia” da suplementação estratégica eficiente. Dessa forma, além do planejamento forrageiro da capacidade de suporte das áreas de pastagens, também deve-se planejar a suplementação estratégica para concretização do projeto.

* Baseado na aula de Josmar Almeida Júnior, Zootecnista, mestre em Produção Animal e sócio da empresa Gerente de Pasto, para a Universidade BeefPoint.

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