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2012: agro brasileiro cresce, porém menos que 2011

Após atingir resultados recordes em alguns de seus principais indicadores em 2011, o agronegócio brasileiro prepara-se para um ano “menos positivo”. As rachaduras na economia do mundo desenvolvido e seus reflexos em países emergentes, na demanda global por alimentos e nos preços das commodities tendem a provocar a desaceleração do ritmo de crescimento do setor no país.

Mas, de acordo com analistas, produtores, agroindústrias e governo, nada é capaz no cenário atual de impedir novos avanços em 2012, ainda que em menor velocidade.

O valor bruto da produção (VBP) agropecuária, conforme estimativa da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), ultrapassou R$ 318 bilhões no ano passado, 8% acima de 2010.

As exportações do agronegócio, de acordo com dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex) compilados pelo Ministério da Agricultura, chegaram a US$ 87,6 bilhões de janeiro a novembro, 24,4% mais que em igual intervalo de 2010 – e cerca de US$ 5 bilhões embarcados em dezembro ainda vão entrar na conta. Nesse contexto, o Produto Interno Bruto (PIB) do setor, incluindo todos os elos das cadeias produtivas, é calculado pela CNA em R$ 823 bilhões em 2011, um incremento de mais de 6% na comparação com o ano anterior.

De modo geral, o temor maior envolve as exportações. Beneficiado pelo crescimento dos emergentes, principalmente a China, o campo brasileiro passou bem pela crise deflagrada pela quebra do banco americano Lehman Brothers, em setembro de 2008, e teve duas temporadas extremamente rentáveis na sequência, ajudado pela pujança de seus embarques.

Com o aprofundamento da crise europeia nos últimos meses e a cambaleante situação americana, contudo, reflexos negativos já são sentidos em emergentes e um crescimento menor da demanda do grupo é dado como certo. Se de fato isso acontecer, os efeitos negativos sobre volumes e preços de venda serão inevitáveis, restando aos exportadores ampliar a comercialização no mercado doméstico. Nesse quadro, as rentabilidades seriam menores, mas há confiança de que o consumo interno seguirá forte.

Em 2011, o mercado doméstico foi fundamental para os resultados de alguns segmentos. Nas carnes, que enfrentaram barreiras na União Europeia e na Rússia, o consumo interno colaborou para manter a pecuária aquecida e ofereceu alternativas aos grandes frigoríficos.

Mas os riscos serão maiores. E eles não estão apenas no comércio exterior. Como já ressalvaram diversos analistas, uma desaceleração maior que a prevista pode prejudicar produtores e empresas que vêm registrando crescimentos acelerados nos últimos anos, especialmente os que o fizeram por meio de aquisições, de terras ou concorrentes.

A concorrência por terras agricultáveis tende a ficar mais acirrada a partir das regras de proteção ao ambiente previstas no novo Código Florestal, em fase final de discussões, e da normatização das compras de terras por estrangeiros no país, que não avançou em 2011 e paralisou transações e investimentos.

No momento, a maior parte das projeções indica manutenção ou crescimento de até 2% do PIB do agronegócio em 2012. Especificamente na agropecuária, o Banco Central trabalha com uma expectativa de avanço de 2,5% do PIB.

É preciso aguardar os rumos da crise nos países desenvolvidos e o próximo plantio no hemisfério norte, em meados deste ano, para prever o que poderá acontecer na próxima temporada de grãos (2012/13).

Também as ferramentas do governo para apoiar a produção, como crédito rural com juros baixos, subsídios ao escoamento das colheitas e linhas de crédito do BNDES dependerão de um orçamento federal mais apertado. Mas depois dos resultados de 2011, quando até o pagamento de dívidas agrícolas foi antecipado, o setor julga-se preparado para um ano menos positivo.

Fonte: jornal Valor Econômico, resumida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

This post was published on 2 de janeiro de 2012

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