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Jeremiah O´Callaghan: crise não afetará o consumo

Durante o III Simpósio brasileiro da carne bovina, realizado na semana passada pela Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz” (Esalq/USP), o diretor de Relações com Investidores do JBS/Friboi, Jeremiah O´Callaghan apresentou a palestra “Exigências do mercado internacional para exportação”. Em sua apresentação, O´Callaghan comentou que apesar das incertezas e dificuldades geradas pela crise financeira mundial, as expectativas são boas para o setor de carnes.

Compradores continuam pressionando e indicador tem queda de 0,54% na semana

No mercado físico, as escalas seguem curtas e a oferta não aumentou significativamente na última semana. Mesmo assim os frigoríficos seguem pressionando e buscando negócios a preços mais baixos. O mercado do boi gordo teve mais uma semana de baixa com o indicador Esalq/BM&FBovespa boi gordo a prazo sendo cotado a R$ 89,05/@, nesta quarta-feira, com recuo de 0,54% na semana. Em um mês a desvalorização acumulada é de 3,69%.

Confirmando as expectativas dos frigoríficos, em outubro exportações recuam

Segundo o MDIC foram enviadas ao exterior 89.252 toneladas (-13,94%) de carne bovina in natura, responsáveis pela geração de US$ 394,27 milhões (-13,15%). Mesmo assim o preço médio da carne bovina in natura exportada segue batendo recordes e o poder de compra dos frigoríficos melhorou, ou seja, hoje é possível comprar mais arrobas de boi gordo com o valor de uma tonelada de carne exportada do que nos meses anteriores.

Exportação: receita e volume recuam em outubro

De acordo com os dados preliminares divulgados pelo MDIC, em outubro os exportadores brasileiros enviaram ao exterior 89.252 toneladas de carne bovina in natura, o que corresponde a uma queda de 13,94% quando comparado ao realizado em setembro. Quanto à receita, a retração foi de 13,15%, atingindo o valor de US$ 394,27 milhões durante o mês de outubro. Apesar da retração observada no volume e receita das exportações, o produto brasileiro segue valorizado no mercado internacional, registrando novo recorde.

Paraguai: exportações se aproximam US$ 700 mi

As exportações de carne do Paraguai se aproximam de US$ 700 milhões, segundo dados estatísticos do Serviço Nacional de Qualidade e Saúde Animal (Senacsa). O presidente da entidade, Hugo Corrales, disse que não crê que a queda nas vendas afete o excelente ano para a carne paraguaia. O recorde de exportações anterior do Paraguai foi de US$ 507 milhões, em 2006.

Exportações: setembro termina com recorde de receita, mas crise pode comprometer desempenho nos próximos meses

Em setembro segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex), do Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC), o Brasil enviou ao exterior, 103.700 toneladas de carne bovina in natura, que geraram uma receita de US$ 454 milhões, um novo recorde, com aumento de 8,86% em relação à receita do mês anterior e valor 55,85% superior ao registrado em setembro de 2007. Apesar disso, exportadores e agentes do mercado internacional não esperam resultados animadores para o mês de outubro.

Empresas têm lucros apesar da queda em fertilizante

Dona de 33% do mercado internacional de fertilizantes – e de outra grande fatia do agronegócio mundial -, a Bunge está com os estoques em alta e os cofres em baixa. A gigante do setor informou que o lucro do terceiro trimestre declinou 33% em virtude da queda na demanda por rações, fertilizantes e serviços para armazenamento e transporte de safra.

Argentina: importador tenta baixar preços de contratos

Assim como o Brasil, a Argentina também enfrenta problema com as exportações. Os russos seguem pressionando os frigoríficos exportadores pela renegociação de preços e os importadores europeus começam a dar indícios de que também irão tentar rever os valores das cargas a serem embarcadas. Com isso, diz Jorge Torelli, diretor geral da Mattievitch, dona do terceiro maior abate de bovinos do país, eles têm evitado fechar novos contratos.

Exportações uruguaias sofrem forte declínio

As exportações de carne bovina do Uruguai sofreram um forte declínio durante as últimas semanas devido às baixas ofertas sazonais, aos preços recordes dos bovinos e à desaceleração no comércio mundial de carne bovina que tem sido precipitada pela crise dos créditos. Os exportadores estão vendo uma desaceleração na demanda externa, enquanto alguns frigoríficos têm parado as atividades e estão concentrando seus esforços em vender todos os produtos estocados refrigerados, de acordo com o World Beef Report.