Rússia eleva tom de ameaças a carnes do Brasil

Em meio à pressão pela abertura dos mercados brasileiros de trigo, carne bovina e pescados, a Rússia ameaçou publicamente proibir todas as importações de carne suína e carne de frango do Brasil, em uma disputa que pode significar uma perda anual superior a US$ 1 bilhão. Entre janeiro e setembro deste ano, os embarques das
duas carnes aos russos renderam US$ 941 milhões, segundo dados da Secretaria de Comércio Exterior (Secex).

Uma porta-voz do serviço sanitário russo informou que o órgão considera embargar os produtos brasileiros devido à suposta detecção do promotor de crescimento ractopamina. O produto é proibido pela Rússia, mas seu uso é permitido em diversos mercados. No Brasil, sua utilização é permitida na produção de suínos mas proibido na de gado bovino.

Embora o Ministério da Agricultura e os exportadores brasileiros ainda não tenham recebido notificação sobre a detecção de ractopamina, o recado russo é encarado como mais uma forma de pressão para o Brasil acelerar o processo de abertura dos mercados de pescados, trigo e carne bovina. Há duas semanas, os russos já haviam dado um sinal, com o embargo de unidade do Mataboi, em Goiás, e controle reforçado em outras plantas.

Diante do risco de perder um mercado que representa 40% das exportações brasileiras de carne suína e 11% das de carne bovina, o Ministério da Agricultura tem buscado atender à parte dos pleitos russos, mesmo que à revelia das recomendações de sua área técnica.

O Ministério da Agricultura enviou carta aos russos dizendo que autorizaria a entrada de trigo do país mesmo com as chamadas pragas quarentenárias (que não existem no Brasil). Mas a medida ainda precisa ser formalizada juridicamente.

Na semana passada, o secretário de Defesa Agropecuária do Ministério da Agricultura, Luís Eduardo Rangel, previu que isso aconteceria nos “próximos dias”. Procurado novamente ontem, Rangel disse que as tratativas estão “indo bem”.

Nos casos de carne bovina e pescado, o secretário não deu prazos para liberação. Segundo ele, o fato de haver focos de febre aftosa na Rússia faz o ministério avaliar com cuidado a demanda de Moscou. “Estamos concluindo os registros dos produtos de carne bovina dos russos, mas os certificados devem observar as questões de aftosa”, disse.

Fonte: Valor Econômico, resumida e adaptada pela Equipe BeefPoint.

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